Futebol

Cabo Verde faz história e passe de fase em sua primeira Copa

A seleção de um pequeno país africano, de pouco mais de 500 mil habitantes, terminou à frente do Uruguai e da Arábia Saudita no Grupo H

Cabo Verde conseguiu, nesta sexta-feira (26), um dos feitos mais importantes da Copa do Mundo de 2026. Em sua primeira participação no torneio, a seleção africana empatou em 0 a 0 com a Arábia Saudita, no NRG Stadium, em Houston, nos EUA, e garantiu vaga na segunda fase da competição.

O resultado colocou os cabo-verdianos na segunda colocação do Grupo H, com três pontos, atrás da Espanha, que terminou na liderança com sete. Uruguai e Arábia Saudita ficaram com dois pontos e foram eliminados. A classificação veio com três empates: 0 a 0 contra a Espanha, atual campeã europeia; 2 a 2 contra o Uruguai, bicampeão mundial; e 0 a 0 contra a Arábia Saudita.

Na próxima fase, Cabo Verde enfrentará a Argentina, atual campeã do mundo, no dia 3 de julho, em Miami. A partida colocará frente a frente uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial e uma equipe que disputa sua primeira Copa.

A estreia de Cabo Verde já havia chamado atenção desde a primeira rodada. Diante da Espanha, uma das favoritas ao título, a seleção comandada por Pedro Bubista conseguiu segurar o 0 a 0. O resultado deu ao país seu primeiro ponto na história das Copas e abriu caminho para uma campanha que se tornaria histórica.

Na segunda rodada, o adversário foi o Uruguai. A equipe sul-americana, campeã mundial em 1930 e 1950, também não conseguiu derrotar os cabo-verdianos. O empate em 2 a 2 manteve Cabo Verde vivo na disputa pela classificação e deixou o grupo aberto para a última rodada.

Contra a Arábia Saudita, Cabo Verde entrou em campo sabendo que o empate poderia ser suficiente, desde que a Espanha derrotasse o Uruguai no outro jogo da chave. Foi o que aconteceu. Os espanhóis venceram por 1 a 0, e o 0 a 0 em Houston bastou para colocar a seleção africana no mata-mata.

Mesmo sem vencer nenhuma partida, Cabo Verde passou de fase sem perder. Em uma Copa ampliada, com 48 seleções, a campanha mostra como o futebol mundial abriu espaço para equipes de países que antes dificilmente chegavam ao torneio.

O goleiro Vozinha, de 40 anos, tornou-se um dos principais nomes da campanha cabo-verdiana. Experiente, foi peça central nos dois empates sem gols da equipe, contra Espanha e Arábia Saudita. Ao fim da partida decisiva, chorou em campo, cercado pelos companheiros.

O país africano, que nunca havia disputado uma Copa do Mundo, chegou ao mata-mata em sua primeira tentativa, deixando pelo caminho um campeão mundial e uma seleção saudita que possui uma liga com altos investimentos.

O time cabo-verdiano não se destacou apenas pela resistência defensiva. Contra a Arábia Saudita, principalmente no segundo tempo, criou as melhores oportunidades. Kevin Pina quase marcou em chute de fora da área. Laros Duarte perdeu chance clara após passe de Nuno da Costa. No fim, Varela também teve a possibilidade de fazer o gol da vitória, mas mandou para fora.

O empate, ainda assim, bastou. Depois do apito final, os jogadores acompanharam o resultado de Espanha e Uruguai. Confirmada a vitória espanhola, começou a comemoração.

Cabo Verde é um arquipélago localizado a cerca de 600 quilômetros da costa oeste da África. O país é formado por dez ilhas, das quais nove são habitadas. A capital, Praia, fica na ilha de Santiago, que concentra grande parte da população.

O território total tem cerca de 4 mil quilômetros quadrados. A população foi estimada pelo Banco Mundial em 524 mil habitantes em 2024, número menor que o de muitas capitais regionais brasileiras. Mesmo assim, a diáspora cabo-verdiana é muito superior à população que vive no arquipélago, com forte presença em Portugal e nos EUA.

Essa dispersão também ajuda a explicar a formação de sua seleção. Muitos jogadores cabo-verdianos atuam fora do país ou são filhos de imigrantes. A seleção é, nesse sentido, expressão de uma nação pequena em território, mas espalhada por vários países.

A história de Cabo Verde está ligada à colonização portuguesa. As ilhas passaram a ser ocupadas pelos portugueses no século XV e se tornaram um ponto estratégico nas rotas entre a África, a Europa e a América. Durante séculos, o arquipélago foi utilizado no tráfico transatlântico de escravizados.

A população cabo-verdiana se formou a partir dessa história. O português é o idioma oficial, mas o crioulo cabo-verdiano é amplamente falado. A cultura do país combina elementos africanos e portugueses, resultado de uma formação marcada pela colonização, pela escravidão e pela resistência popular.

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