Reino Unido

Britânicos sofrem pior empobrecimento desde a pandemia

Relatório do banco suíço UBS mostra queda de 23,2% na riqueza média por adulto no Reino Unido entre 2020 e 2025; no mesmo período, a Rússia registrou uma das maiores altas

O Reino Unido registrou a maior queda de riqueza das famílias entre as economias de alta renda desde a pandemia de Covid-19, segundo o Global Wealth Report 2026, relatório anual do banco suíço UBS. O dado é mais um indicador da decadência econômica britânica, agravada pela inflação, pela crise energética, pelo baixo crescimento e pela política de guerra do imperialismo contra a Rússia.

De acordo com o levantamento, a riqueza líquida média por adulto no Reino Unido caiu 23,2% entre 2020 e 2025. A riqueza líquida é calculada a partir do valor dos bens das famílias, como imóveis, poupança e aplicações financeiras, descontadas as dívidas. O relatório do UBS analisou 56 economias, responsáveis por mais de 90% da riqueza global.

A queda britânica foi a mais acentuada entre os países desenvolvidos analisados pelo banco. A riqueza mediana por adulto no país caiu para pouco mais de 95.500 libras, o equivalente a US$126.500. Com isso, o britânico típico aparece apenas um pouco acima do francês, mas atrás de italianos e holandeses.

O economista-chefe do UBS, Paul Donovan, atribuiu a queda a uma combinação de fatores. Entre eles estão a alta da inflação depois da pandemia, o aumento dos preços da energia após a escalada da guerra na Ucrânia em 2022, o fraco crescimento dos preços dos imóveis e o desempenho inferior da bolsa britânica em comparação com a norte-americana.

O Reino Unido foi um dos principais promotores da ofensiva contra a Rússia e da política de sanções econômicas. A guerra por procuração na Ucrânia, promovida pelos Estados Unidos, pela OTAN e pelos governos europeus, teve como consequência direta o encarecimento da energia e o agravamento das condições de vida da população trabalhadora europeia.

Ao romper relações econômicas importantes com a Rússia e submeter sua política externa aos interesses do imperialismo norte-americano, o governo britânico contribuiu para elevar os custos internos de energia, transporte e produção. A conta foi transferida para os trabalhadores por meio de preços mais altos, impostos mais pesados e perda do poder de compra.

Os dados aparecem quando o Reino Unido atravessa uma crise prolongada do custo de vida. Números oficiais divulgados na terça-feira (30) apontaram queda na renda disponível real das famílias no primeiro trimestre de 2026. Isso quer dizer que, descontada a inflação, os trabalhadores britânicos ficaram com menos dinheiro para consumir, pagar contas e manter seu padrão de vida.

O relatório foi divulgado poucos dias depois de o primeiro-ministro Keir Starmer anunciar sua renúncia, em meio à pressão política crescente. O governo tentou apresentar a queda da inflação e um crescimento do PIB acima do esperado como sinais de recuperação. No entanto, a situação das famílias mostra outra coisa: os salários e a renda real continuam pressionados, enquanto os impostos e o custo de vida seguem elevados.

A crise britânica também expõe o caráter ilusório da propaganda feita pelos países imperialistas contra a Rússia. Desde 2022, os governos da OTAN afirmaram repetidamente que as sanções destruiriam a economia russa. O resultado apresentado pelo UBS aponta o contrário: a Rússia ficou atrás apenas da Coreia do Sul no crescimento da riqueza média por adulto entre 2020 e 2025.

A política de sanções acabou servindo para fortalecer tendências internas da economia russa. Diante do bloqueio, o país ampliou relações com a China, a Índia, o Irã e outros países fora do bloco imperialista. Também passou a substituir importações em áreas estratégicas e a redirecionar parte do comércio de energia para mercados que não aderiram à política norte-americana.

Na Europa, aconteceu o inverso. A perda do acesso amplo à energia russa barata atingiu a indústria, elevou os custos de produção e acelerou a transferência da crise para a população. O Reino Unido, fora da União Europeia desde o Brexit, não escapou desse processo. Pelo contrário, combinou a instabilidade econômica interna com uma política externa cada vez mais subordinada aos Estados Unidos.

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