Milhões de iranianos tomaram as ruas de Teerã na madrugada desta segunda-feira (6), de acordo com o fuso horário local, para acompanhar o cortejo fúnebre do mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica, assassinado por EUA e “Israel” no dia 28 de fevereiro, primeiro dia da agressão conjunta contra o Irã.
A procissão teve a partir do Grande Mossalá de Teerã, onde o corpo permaneceu por dois dias para a despedida pública. Segundo os organizadores, o cortejo percorre uma rota de 10 quilômetros, passando pela rua Damavand, praça Imam Hussein, rua Enqelab, praça Enqelab, rua Azadi, praça Azadi e pela rodovia Shahid Lashgari, próxima ao aeroporto de Mehrabad.
As cerimônias em Teerã foram precedidas, no domingo (5), pelas orações fúnebres conduzidas pelo aiatolá Jafar Sobhani. Além de Khamenei, foram homenageados familiares assassinados no mesmo ataque: seu genro, Mesbah-ul-Hoda Bagheri-Kani, sua filha Zahra Haddad-Adel, sua neta Zahra Mohammadi-Golpayegani, de 14 meses, e Saiedeh Bushra Hosseini-Khamenei.
Delegações de dezenas de países chegaram ao Irã para participar das cerimônias, incluindo representantes da Rússia, China, Índia, Paquistão, Iraque, Tadjiquistão, Turquia e de outros países. A presença internacional reforça o caráter político do funeral, transformado em uma grande manifestação contra a agressão imperialista e contra o assassinato do principal dirigente da Revolução Islâmica após o aiatolá Khomeini.
No domingo, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, afirmou que a multidão reunida para o funeral expressa a decisão nacional de resistir aos inimigos e exigir vingança pelo sangue de Khamenei.
“Olhem para o Irã nestes dias. Este é o mesmo Irã que vocês pensaram que poderiam pôr de joelhos em poucos dias”, afirmou Zolqadr. Segundo ele, a multidão que acompanha as cerimônias forma um “mar rugindo de povo” que levanta dois lemas: “resistência contra os inimigos” e “vingança pelo sangue do Líder mártir do Irã”.
A fala do dirigente iraniano resume o clima político das cerimônias. Trata-se de uma mobilização nacional em torno da continuidade da política de resistência conduzida por Khamenei durante décadas, diante dos EUA, de “Israel” e de seus aliados no Oriente Médio.
O assassinato do Líder da Revolução Islâmica foi seguido por uma resposta militar iraniana de grande porte, com ataques contra bases e instalações militares dos EUA na região e disparos de mísseis contra alvos nos territórios ocupados por “Israel”. As autoridades iranianas, no entanto, têm destacado que essa resposta não encerra a questão e que o crime terá uma vingança definitiva.
Também no domingo, o comandante-em-chefe do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, declarou que o Irã não abandonará a busca por justiça contra os responsáveis pelo assassinato de Khamenei.
“Aqueles que cometeram este crime devem saber que a nação do Irã e todos nós jamais cessaremos em nossa busca e exigência por justiça. Não os deixaremos escapar, e esta é uma decisão definitiva que seguiremos até alcançar resultados”, afirmou Hatami.
A declaração foi feita no segundo dia das cerimônias públicas. Khamenei tinha 86 anos quando foi morto no ataque contra seu gabinete em Teerã, junto de familiares e de altos comandantes militares. O crime foi um dos principais episódios da guerra iniciada por EUA e “Israel” contra o Irã no fim de fevereiro.
O chefe do Estado-Maior do Exército e coordenador-adjunto da força, contra-almirante Habibollah Sayyari, também afirmou que as Forças Armadas iranianas darão continuidade ao legado militar de Khamenei. Segundo ele, o fortalecimento, a modernização e o poder de dissuasão do Irã foram impulsionados diretamente pela orientação do Líder assassinado.
“Tudo o que alcançamos hoje é graças à orientação de nosso Líder mártir, e daqui em diante também será pela virtude de seu sangue”, disse Sayyari. “Continuaremos o legado de nosso Líder mártir. Essa é a missão pela qual vivemos.”
O comandante afirmou ainda que as capacidades militares iranianas cresceram à medida que o país passou a compreender melhor o inimigo, especialmente depois da recente agressão dos EUA e de “Israel”.
As cerimônias continuarão nos próximos dias. Na terça-feira (7), haverá cortejos na cidade sagrada de Qom. Na quarta-feira (8), as procissões seguirão para o Iraque, com atos nos santuários do Imam Ali, em Najaf, e do Imam Hussein e de Hazrat Abbas, em Karbala.
O sepultamento será realizado na quinta-feira (9), no santuário do Imam Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei, conforme sua vontade.





