Genocídio na Palestina

‘Israel’ destruiu 90% do sistema de água e saneamento de Gaza

Crise já afeta 800 mil pessoas com risco de desidratação, enquanto mais de 1,7 milhão sofrem com doenças ligadas à água contaminada

A destruição deliberada da infraestrutura de Gaza, promovida pela entidade sionista desde o início da atual ofensiva israelense, iniciada em 7 de outubro de 2023, atingiu proporções genocidas. Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde da Palestina, o número de palestinos assassinados ultrapassa 50.933, enquanto mais de 116 mil ficaram feridos nos últimos seis meses. A campanha, que já havia se caracterizado por massacres sistemáticos, agora avança com uma política de extermínio silencioso: o uso da água como arma de guerra.

Relatório divulgado pelo Ministério de Imprensa do Governo de Gaza denuncia que mais de 90% da infraestrutura de água e saneamento do território foi destruída pelas forças de ocupação. Trata-se de uma política consciente e metódica: os alvos não são apenas instalações, mas também os trabalhadores do setor hídrico, que vêm sendo assassinados ou impedidos de operar.

As forças sionistas bloquearam equipes técnicas que buscavam realizar reparos e impediram a entrada de combustível necessário para manter em funcionamento as instalações restantes. Como resultado, dois dutos fundamentais, responsáveis por fornecer 35 mil metros cúbicos de água por dia a mais de 700 mil pessoas, foram cortados. A principal usina de dessalinização de Deir al-Balah também foi desativada, vítima dos bombardeios que provocaram apagões em todo o sistema elétrico local.

O colapso do sistema hidráulico tem como consequência imediata uma crise sanitária devastadora. Autoridades locais alertam que aproximadamente 800 mil pessoas, concentradas especialmente nas regiões central e sul de Gaza, enfrentam risco extremo de desidratação. Mais de 1,7 milhão de casos de doenças ligadas ao consumo de água contaminada — como diarreia, disenteria e hepatite A — já foram registrados, com mais de 50 mortes confirmadas, a maioria de crianças.

O Escritório de Mídia de Gaza acusa “Israel” de usar a água como instrumento de extermínio, numa estratégia genocida de asfixia da população palestina. “Esta política não quebrará a vontade de nosso povo”, declara a nota oficial, “mas permanecerá como prova inegável dos crimes da ocupação — e do silêncio cúmplice de um mundo igualmente responsável.”

Um cenário de guerra total

Nas últimas 24 horas, os ataques sionistas resultaram em 21 mortes e 64 feridos adicionais. Ainda há vítimas sob os escombros, inalcançáveis pelas equipes de resgate, que também são alvos dos bombardeios. Desde 18 de março, foram registrados 1.563 mortos e 4.004 feridos, em uma ofensiva que se intensifica nos arredores de Rafá, Khan Younis, Jabalia, Shujaiyya e outros pontos do norte do território, como Beit Lahia e Beit Hanoun.

A destruição avança também sobre os campos de refugiados, como o de al-Mawasi, onde palestinos deslocados foram alvejados por drones enquanto se abrigavam em tendas improvisadas. Em Rafá, a ocupação promove uma verdadeira campanha de terra arrasada, demolindo residências e alvejando civis indiscriminadamente.

Denúncia ao imperialismo e seus cúmplices

As autoridades palestinas colocam a responsabilidade direta sobre a ocupação, mas não apenas. Denunciam a cumplicidade ativa dos Estados Unidos e das principais potências imperialistas da Europa — Reino Unido, Alemanha e França — que fornecem sustentação política, diplomática, econômica e militar ao massacre.

A exigência imediata é pela responsabilização penal dos dirigentes sionistas. O governo de Gaza apelou ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para que emita mandados de prisão contra o atual e os ex-ministros da guerra de “Israel”, acusados de violar o Estatuto de Roma e as medidas cautelares emitidas pela Corte Internacional de Justiça.

A posição do Hamas

O Hamas, em nota oficial, responsabilizou o primeiro-ministro sionista Benjamin Netaniahu pela continuidade da guerra, destacando o uso político do massacre como manobra para se manter no poder e evitar ser julgado por crimes diversos. A organização palestina também defendeu uma proposta clara para o fim das hostilidades, que vem sendo ignorada pelo governo de ocupação:

“Os crescentes apelos dentro da entidade ocupante para parar a guerra e libertar os prisioneiros confirmam a responsabilidade de Netaniahu por perpetuar a guerra e pelo sofrimento de seus prisioneiros e do nosso povo.

O sangue das crianças de Gaza e dos prisioneiros da ocupação são vítimas das ambições de Netaniahu de permanecer no poder e escapar da punição.

A equação é clara: a libertação dos prisioneiros em troca da cessação das hostilidades. O mundo aceita isso, mas Netaniahu rejeita.

Cada dia de atraso significa mais mortes de nossos civis desarmados e um destino desconhecido para os prisioneiros da ocupação.”

Com isso, o Hamas reafirma que a Resistência não recuará, mesmo diante da destruição total promovida pela entidade sionista. Enquanto o mundo observa em silêncio, mais de 2,4 milhões de pessoas — entre elas mais de 1 milhão de crianças — estão sob ameaça direta de morte em Gaza, vítimas de uma das mais brutais ofensivas do imperialismo contemporâneo.

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