A crise no principal país do imperialismo, os Estados Unidos da América, aprofunda-se a cada dia.
Sem mencionar toda a situação internacional, em que os EUA vem se deparando com reveses atrás de reveses, a crise interna recentemente foi agravada com a disputa entre o governo federal e o estado do Texas a respeito dos direitos de imigração.
Em decisão recente, Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que o governo federal, atualmente gerido por Joe Biden e o Partido Democrata, é que tem a competência para gerir as questões sobre as fronteiras nacionais, no caso específico, colocar ou não obstáculos para dificultar ou mesmo impedir a entrada de imigrantes. O próprio quorum da votação na corte já foi uma demonstração da crise que se gesta: cinco votos a quatro.
A crise se acirrou quando, valendo-se da decisão tomada pela Suprema Corte, agentes da Patrulha da Fronteira (órgão do governo federal dos EUA) tentaram remover cercas de arame farpado na fronteira com o México (no Rio Grande, localizado no parque Shelby), mas foram barrados por tropas da Guarda Nacional do Texas, sob ordens do governador Greg Abbott, do Partido Republicano.
Vale ressaltar que o político republicano, já em novembro de 2023, anunciou publicamente o apoio a Donald Trump e sua candidatura à presidência da República, nas vindouras eleições deste ano de 2024.
Isso serve para revelar que a crise não é pura e simplesmente sobre a imigração em abstrato, mas uma manifestação da crise entre o principal setor da burguesia norte-americana, isto é, o imperialismo em si, e aquele setor secundário, mais vinculado ao mercado interno norte-americano, setor este que não é propriamente o imperialismo.
O primeiro é representado por políticos como Joe Biden, Barack Obama, Bill Clinton, Hillary Clinton, George Bush (pai e filho) e outros. O segundo tem como principal representante Donald Trump, e vem sendo relativamente prejudicado com a política imperialista de exportação das indústrias norte-americanas para os países atrasados, e também com a política imigratória altamente desregulada, permitindo que os EUA seja inundando com mão de obra barata, jogando o valor da força de trabalho para baixo a fim de que próprio país seja um terreno fértil para a política neoliberal.
No desenrolar desta crise, os apoiadores de Donald Trump, sejam políticos profissionais ou não, estão aproveitando a questão imigratória, em especial o caso da fronteira do Texas com o México, para fazer propaganda contra o governo de Joe Biden. Acusam o governo de não se preocupar com o país, pois, enquanto Biden já teria repassado bilhões de dólares do povo norte-americano para a Ucrânia, por exemplo, pouca parte do orçamento estaria sendo direcionada para resolver o problema da fronteira, isto é, da imigração e, na demagogia da extrema-direita trumpista, do problema do desemprego norte-americano.
Vale ressaltar que inúmeros governadores declararam apoio à decisão de Greg Abbott. Por exemplo, os dos seguintes estados: Alabama, Alasca, Arkansas, Flórida, Geórgia, Idaho, Indiana, Iowa, Luisiana, Mississippi, Missouri, Montana, Nebraska, Nevada, Nova Hampshire, Dakota do Norte, Ohio, Oklahoma, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Tennessee, Utá, Virgínia Ocidental, e Wyoming. Isto é, uma boa parte do meio-oeste e do Sul dos EUA se pronunciou em relação a esse problema.
De forma que configura um sintoma do aprofundamento da crise da própria federação norte-americana. Nesse sentido, análise feita por Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), em sua tradicional Análise de Terça, que foi ao ar no útlimo dia 30, no canal Rádio Causa Operária, “a direita norte-americana está formando uma nova camada social, que é uma burguesia que está, até certo ponto, rebelada contra o dispositivo imperialista dos Estados Unidos. Essa é a raiz das tendências de crise de uma possível guerra civil. Trump é um deles [membro dessa direita]. Eles veem a perseguição contra Trump e percebem que será difícil que o imperialismo os deixem ter uma verdadeira participação no governo. Daí a rebelião. É uma rebelião que, como foi dito na imprensa norte-americana, aponta para a guerra civil. Pode não acontecer agora, mas é bem possível que aconteça, o que dá a medida da imensa crise pela qual o imperialismo está passando para chegar nesse ponto”.
De fato, a crise é enorme. O imperialismo segue perdendo seu controle sobre os países atrasados. E, à medida que isto acontecer, perde os recursos necessários para manter sob controle a situação interna de seus próprios países. Afinal, a estabilidade dos países imperialistas é garantida pelo saque incessante das riquezas dos países oprimidos.
Embora ainda seja cedo para se falar em guerra civil nos Estados Unidos, este cenário não pode ser descartado. Afinal, o país já enfrentou uma para se consolidar como um país capitalista desenvolvido e, consequentemente, uma potência imperialista.
Assim, a situação deve ser acompanhada, pois a crise do imperialismo, em especial a do imperialismo norte-americano, é, possivelmente, sem precedentes.




