O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, rejeitou, nessa quarta-feira (7), uma nova proposta de cessar-fogo com o Hamas em Gaza. A proposta havia recebido uma resposta positiva do Hamas, mas foi rejeitada pelo sionista, que enfatizou sua determinação em alcançar uma “vitória absoluta“ sobre o Hamas nos próximos meses.
A recusa da proposta de cessar-fogo indica a intenção de Netanyahu de manter o conflito na região, de acordo com um comunicado de um oficial do Hamas. Novas negociações para o cessar-fogo estão agendadas para acontecer no Cairo, Egito, com representantes de ambos os lados, além de intermediários do Catar, Estados Unidos e Egito.
A proposta recusada por Benjamin Netaniahu apresentava três etapas de desenvolvimento, sendo elas:
Primeira Etapa (45 dias):
- Hamas propõe liberar todas as cativas israelenses que o grupo capturou em 7 de outubro. Também serão libertos cativos do sexo masculino com menos de 19 anos, que não são membros das forças armadas israelenses, idosos e doentes;
- Hamas exige que Israel liberte 1.500 palestinos detidos em suas prisões, incluindo mulheres, crianças e idosos, dos 5.200 detidos em outubro de 2023;
- Dentre os palestinos a serem libertos, 500 deverão estar cumprindo penas de prisão perpétua e outras penas prolongadas;
- Hamas solicita a entrada diária de pelo menos 500 caminhões de ajuda humanitária e combustível em Gaza, além de 60.000 casas temporárias e 200.000 tendas, sem especificar a fonte de financiamento;
- O grupo pede a abertura de todos os cruzamentos para a Faixa de Gaza, bem como a livre circulação dos palestinos que necessitam de cuidados médicos fora da faixa.
Segunda Etapa (45 dias):
- Hamas se compromete a liberar todos os cativos israelenses remanescentes, enquanto as tropas israelenses se retirarão de todas as áreas de Gaza;
- Durante essa fase, a entrada adicional de ajuda humanitária em Gaza e o início da reconstrução da infraestrutura danificada devem ocorrer;
- As negociações sobre os requisitos para uma “trégua completa” e o retorno a “um estado de calma” devem ser acordadas antes do início da próxima etapa.
Terceira Etapa (45 dias):
- Ambos os lados concordarão em liberar quaisquer corpos ou restos mortais, após processos de identificação adequados;
- Todas as medidas humanitárias acordadas nas primeiras duas etapas devem continuar sendo implementadas.
Uma delegação do Hamas, liderada por um oficial chamado Khalil Al-Hayya, está programada para participar das negociações para discutir um cessar-fogo permanente e abrangente, bem como a entrega de ajuda humanitária e o levantamento do bloqueio a Gaza.
Observa-se o enorme poder da extrema direita sobre o governo sionista, ala que dentro de si concentra-se uma facção da “extrema extrema” direita, cujo poder político tem sido marcante nos últimos tempos. Esta facção tem sido protagonista de políticas que contribuíram para a intensificação da crise, incluindo a repressão na Cisjordânia, o ataque aos palestinos e as medidas adotadas para estimular o conflito atual.
A recusa de Netaniahu em buscar uma trégua efetiva reflete o dilema político que enfrenta. Incapaz de conter a crise e a violência em curso, ele corre o risco de ser derrubado pela ala mais radical da extrema-direita, levando o país a uma possível guerra civil. A tensão na região atingiu níveis alarmantes, com a parcela árabe da população israelense à beira da ruptura.
O exército israelense enfrenta o desafio de combater os grupos da resistência armada, como o Hamas, em uma batalha contra um inimigo invisível e implacável. É a guerra de guerrilha, que tem atormentado os soldados israelenses, como podemos ver expressado pela publicação de Abu Amal, ativista defensor da Palestina, relatando a desmoralização dos soldados israelenses quando enfrentando guerrilheiros da resistência Palestina:
“O terrorista de Israel, Avihai Sarshan, da Brigada Givati, comentou: ‘Os foguetes de morteiro caem sobre nós como chuva. Muitos soldados morreram e ficaram feridos por causa deles. Muitos dos meus camaradas no batalhão perderam as pernas. Ninguém pode deter esse inferno’. Tudo isso é para buscar os corpos dos mortos, perdemos a alma por seus cadáveres. Todos os dias caímos em uma armadilha do Hamas e não sabemos quem sairá ileso dela, então os líderes podem dizer que encontramos um corpo. No final, pegamos os corpos e, ao examiná-los, descobrimos que são palestinos’”.





