Na última sexta-feira (31/05), os Estados Unidos propuseram um acordo de cessar-fogo para “Israel” e Palestina, o qual o Hamas, grupo de resistência que protege a população na faixa de Gaza, considerou como positivo.
O acordo é separada em três partes: na primeira, haveria um cessar-fogo completo por seis semanas e a retirada total das tropas israelenses da Faixa de Gaza. O Hamas libertaria os soldados capturados e “Israel” libertaria centenas de cidadãos palestinos presos. Por último, seria permitido o tráfego de 600 caminhões de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza por dia.
Na segunda parte, haveria negociações diretas para o fim da guerra entre “Israel” e o Hamas, ainda com o cessar-fogo em vigor. Já na terceira parte seria um plano de reconstrução do território palestino, após a destruição causada pelos bombardeios israelenses.
Desde o princípio, Hamas só pediu o básico: fim permanente da guerra, retirada das tropas de “Israel” da região e controle da Faixa de Gaza pelos palestinos. Esse acordo, apelidado de “acordo de Biden”, resumidamente, propõe essas coisas, e por isso o Hamas afirmou que é positivo.
Mas o que, no fim das contas, faz com que esse acordo seja diferente dos outros? Por que os EUA sugeriram algo minimamente benéfico para o povo palestino, e por que “Israel” aceitaria isso?
Primeiramente, um fator importante do lado dos EUA é que as eleições estão chegando, e Biden está desmoralizado. Os protestos estudantis contra o total apoio a um Estado genocida foram fatores determinantes para que Biden elaborasse a proposta em questão, uma tentativa de salvar sua decadente candidatura, se colocando como sensato, que só quer o melhor para os dois lados.
Já da parte de “Israel”, as derrotas militares tem sido muito desmoralizantes. Eles recebem apoio dos EUA, maior potência militar do mundo, e perdem para um grupo organizado pela população palestina. Perdem também no campo da propaganda, mesmo com os monopólios fazendo uma campanha permanente desde o início da guerra em defesa de “Israel”
Um professor palestino de ciências políticas, Ahmed bin Rashid bin Saeed, afirmou “o plano apresentado por Biden, na sexta-feira, para um cessar-fogo em Gaza, que ele descreveu como uma proposta sionista, e apelou ao movimento Hamas para aceitá-lo, são as mesmas exigências que o movimento apresentou, e em vez de dizerem que se renderam à resistência, atribuíram o plano a si próprios, exigiram que o Hamas o aceitasse numa tentativa desesperada de salvar o que restava da sua reputação”.
O fato é que o Hamas está vencendo a guerra, e por isso estão ditando os termos. O grupo, com razão, irá aceitar apenas acordos com seus requisitos mínimos e irão tomar a frente das negociações. “Israel”, apesar de indicar que aceita o acordo, já afirmou que o cessar-fogo só será realizado quando suas reivindicações forem atendidas, como a extinção total do Hamas e a libertação de todos os capturados no dia 07 de outubro.
Mas essa é apenas uma ameaça em falso. Uma tentativa de inchar o peito, como faz um animal que tenta parecer maior do que é, mas, na verdade, está ameaçado por um predador perigoso. O fato é que “Israel” está sendo derrotado pelas vitórias constantes da resistência e os EUA estão pressionados pelo apoio que o Hamas recebe não só na Palestina, mas em seu próprio país, podendo arruinar as eleições e ainda mais o próprio Partido Democrata.
O escritor e analista político palestino, Iasser al-Zaatara, afirma que: “o novo desenvolvimento não resultou da generosidade norte-americana, mas sim das preocupações eleitorais de Biden, e, com isso, da esperança deste na sua vitória sobre Trump. Antes e depois disso, foi o resultado da convicção americana (e de importantes elites da entidade sionista) de fracasso na guerra. Os invasores são incapazes de atingir os seus objetivos através da força militar, especialmente depois de terem entrado na maior parte da cidade de Rafá sem conseguir nada”.
Apesar de ter aceitado o acordo, o Hamas mantém os olhos abertos para jogadas do imperialismo e irá negociar conforme as atitudes dos EUA e de “Israel”. O partido palestino, por exemplo, não enviou uma delegação ao Cairo por não considerar a reunião tinha em pauta o cessar-fogo concreto. Os dirigentes mantêm sua posição, a bola está com Netaniahu, ele que deve aceitar o acordo.




