Estados Unidos

Nancy Pelosi quer que FBI persiga apoiadores da Palestina

Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, declarou que FBI deveria investigar grupos que atuam em defesa da Palestina, acusando-os de simpatia por Putin e conspiração

Nancy Pelosi, do Partido Democrático, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, declarou no último domingo, dia 28 de janeiro, que manifestantes pedindo pelo cessar-fogo em Gaza estariam ligadas a Putin, e que estariam se manifestando carregando diretamente a mensagem de Putin, sugerindo que o FBI espionasse os manifestantes.

O jornal The New York Times noticiou que mais de 1.000 pastores americanos teriam se juntado a luta pelo cessar-fogo em Gaza, quando Nancy Pelosi sugeriu que essa ação teria sido influenciada por Putin e advogado pela intervenção e investigação do FBI contra grupos políticos e manifestantes que se opõem à politica do presidente dos Estados Unidos Joe Biden (Partido Republicano).

Apesar da ameaça de Pelosi, o movimento pelo cessar-fogo segue crescendo nos Estados Unidos, representando a opinião de uma ampla camada dos norte-americanos, conforme revela uma pesquisa de novembro da Reuters/Ipsos, onde mais de dois terços dos Estados Unidos teria se demonstrado favorável ao cessar-fogo, incluindo uma parcela significativa do Partido Democrático e do Partido Republicano.

Os pastores, que representam centenas de milhares de congregados, estão em uma campanha de lobby ativo pelo cessar-fogo, ameaçando a estabilidade de Biden frente às eleições que estão por vir, com o argumento de que se a politica de violência do partido democrático continuar com o financiamento, envio de armas e apoio à repressão “israelense” contra a palestina, o apoio eleitoral poderá deixar de existir em setores importantes da base eleitoral de Biden.

O comentário de Pelosi foi duramente criticado, mas encontrou apoio em alas do partido democrático no Arizona e Texas, que reproduziram a declaração.

O escritor Abdullah Shihipar denunciou os comentários de Pelosi, e disse que a politica anunciada por ela é perigosa, e visa a intensificar a vigilância e criminalização de grupos que se manifestam em defesa da Palestina e pelos direitos dos palestinos.

Foi também destacado por Shihipar que a politica do FBI de investigar manifestantes que defendam a Palestina é uma grave violação dos direitos civis americanos, que ecoa a politica de Nixon.

O presidente do Conselho de Relações Americanas-Islâmicas, Nihad Awad, denunciou o comentário como profundamente autoritário de Pelosi. Em declaração, fez um resgate da prática repressora do Estado norte-americano, como quando durante a guerra fria os comunistas foram perseguidos.

Nihad também fez um paralelo, apontando ser uma fraude a influencia russa em grupos de defesa da palestina, e que uma nova caça às bruxas vai tomar lugar, dessa vez atràs dos supostamente  “simpatizantes russos”. Confira as declarações na íntegra:

“Lamentavelmente, os comentários da Deputada Pelosi ecoam um período em nossa nação quando opositores da Guerra do Vietnã eram acusados de simpatizantes comunistas e submetidos a assédio do FBI,” disse Awad. “Centenas de milhares de americanos, incluindo muitos jovens, ativistas progressistas, e judeus, muçulmanos, palestinos e afro-americanos, têm protestado para pedir um cessar-fogo em Gaza.”

“Em vez de difamar sem fundamentos esses americanos como colaboradores russos, a ex-presidente da Câmara Pelosi e outros líderes políticos deveriam respeitar a vontade do povo americano ao pedir o fim da guerra genocida do governo Netanyahu contra o povo de Gaza”, continuou o presidente do conselho.

Críticos do Partido Democrata apontam para episódios como a Guerra do Vietnã, que começou sob a presidência de Lyndon B. Johnson, e intervenções militares mais recentes no Oriente Médio, como a invasão do Iraque em 2003, que aconteceu durante o mandato do presidente George W. Bush, o qual recebeu apoio de muitos democratas no Congresso.

Além disto, algumas políticas econômicas e comerciais defendidas por líderes democratas são abertamente imperialistas, especialmente aquelas que promovem a hegemonia econômica dos Estados Unidos em detrimento de outros países.

Em suma, o imperialismo segue intensificando sua ditadura contra os direitos democráticos, não apenas no Brasil, mas também no principal país imperialista, os Estados Unidos.

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