Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

Análise da economia norte-americana

"É de fundamental importância permanecer antenado sobre a situação da vida social norte-americana nas suas mais variadas dimensões"

O processo de deterioramento das condições de sobrevivência da classe operária nos últimos quinze anos, tornam inócuos os resultados econômicos, em tese positivos, recentes nos EUA. 

A vida continua mais cara do que estava antes do período que precedeu a pandemia de COVID-19, período este onde tivemos uma grande onda inflacionária que atingiu os maiores picos dos últimos 40 anos.

De acordo com dados da Universidade de Michigan divulgados no The Economist, os índices de consumo nos EUA estão em patamares equivalentes aos percentuais do período da crise econômica entre 2007 e 2009.

Quando olhamos o crescimento do PIB dos anos de 2022 e 2023, assim como os dados relacionados ao mercado de trabalho, nos parece a primeira vista que há uma efetiva recuperação econômica. Mas se ficarmos somente na aparência, podemos ser levados ao equívoco analítico de que a crise de popularidade enfrentada por Joe Biden, o Partido Democrata e os neoliberais, se trata meramente de uma crise de raízes puramente ideológicas.  

Essa situação foi debatida em artigo pela revista imperialista britânica, The Economist, e pelo jornal imperialista norte-americano, The Wall Street Journal. O primeiro aponta um determinado entusiasmo com uma sinalização de uma tímida crescente do consumo (“American consumers are finally cheering up”), já o segundo vai ao sentido mais crítico a respeito dessa recuperação e dos outros índices apontados no parágrafo anterior (“Data show is economy is booming. Wall Street thinks otherwise”).

A população norte-americana vê seu governo empenhar-se na aprovação no parlamento de um apoio na casa de US$ 95 bilhões para a Ucrânia, Israel e Taiwan. E paralelamente vivencia seu poder de compra ser sistematicamente desagregado com o passar dos anos, e principalmente durante a gestão de Joe Biden. 

Esse pacote já foi aprovado no Senado, mas certamente enfrentará significativas dificuldades para ser aprovado na Câmara de Deputados. Este é um debate que já dura há meses justamente porque é algo totalmente impopular, em que inclusive analistas militares e políticos tem receio de que quando for aprovado (e se for) realmente a ajuda terá realmente algum resultado concreto para reverter a situação de colapso que já tem dados sinais de desagregação.

É de fundamental importância permanecer antenado sobre a situação da vida social norte-americana nas suas mais variadas dimensões, porque os desdobramentos que decorrem disso se refletem diretamente na vida das populações dos países de capitalismo atrasado.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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