Oriente Médio

A crise de ‘Israel’ na Palestina se aprofunda

Apesar do genocídio que “Israel” comete contra a Palestina há quase três meses, a crise do sionismo só se aprofunda, pois estão sendo vitimados civis, sem derrotar a resistência

Em face da situação de crise generalizada em que se encontra, o governo de “Israel”, manifestando desespero por não impingir derrotas militares ao Hamas e demais organizações da resistência, segue bombardeando a Faixa de Gaza e promovendo ataques contra a Cisjordânia ocupada, assassinando civis palestinos.

No momento em que se fecha essa edição, o número de palestinos assassinados em Gaza por “Israel”, tanto em razão dos bombardeios quando da invasão pelas tropas sionistas, já atingiu o número de 22.185. Destes, são mais de 9.100 crianças e 6.500 mulheres. Necessário sempre reiterar, contudo, que se está diante de um número subestimado. Afinal, a quantidade de palestinos desaparecidos já ultrapassa sete mil. Ademais disto, foi recentemente noticiado pelo Ministério da Educação palestino que já se contabilizam 4.156 estudantes assassinados por “Israel”. Um ataque contra a futura intelectualidade palestina, e algo que também configura como parte da limpeza étnica que o sionismo vem perpetrando há mais de sete décadas.

O número de feridos, por sua vez, é de pelo menos 57.035, de forma que não tardará para ultrapassar as seis dezenas de milhar.

Em meio a esse genocídio, e potencializando-o, os ataques da força aérea israelense provocou danos catastróficos à infraestrutura de Gaza. Na medida em que é possível contabilizar, já se chega ao número de 65 mil habitações completamente destruídas, enquanto outras 177 mil foram danificadas.

A indústria palestina também vem sendo devastada: 1.541 instalações destruídas ou com a infraestrutura profundamente danificada. Instalações médicas na mesma situação totalizam 135, sendo 23 hospitais, 56 clínicas e 55 ambulâncias, situação esta que só faz aumentar o ritmo em que as vidas palestinas são ceifadas. Afinal, onde e como tratar os feridos, com a infraestrutura em condição crítica?

Demonstrando que “Israel” e o imperialismo estão buscando, a todo custo, impedir que as informações sobre o genocídio que cometem diariamente contra os palestinos sejam divulgadas, cumpre informar que já foram destruídos ou severamente danificados 165 escritórios de jornais e órgãos de imprensa em geral.

É claro, os ataques sionistas também se dão contra a cultura árabe palestina, mesmo cristã: 183 mesquitas e 3 igrejas.

Israel atacou o centro de operações da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, em Khan Younis, cidade na região sul de Gaza. Já são cinco mortos. É o segundo ataque contra a instituição. A cidade está sobre incessante bombardeio de artilharia desde as últimas horas, segundo informações de Tareq Abu Azzoum, correspondente local da rede catarense de televisão Al Jazeera. Trata-se de mais um ataque que reforça as intenções de “Israel” em finalizar a limpeza étnica da Palestina, iniciada em 1948. Afinal, a Sociedade é uma organização humanitária que faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Ademais dos recentes ataques à organização humanitária, foi noticiado pelo Euro Med Monitor, ONG situada em Genebra, que tropas sionistas também estão roubando a propriedade dos palestinos, da mesma forma que fizeram durante a Nakba, não bastasse o assassinato sistemático de milhares. Abaixo, citação do Euro Med Monitor, ONG situada em Genebra:

“O Euro-Med Monitor relatou uma série de casos que mostram soldados israelitas a participar e a testemunhar o roubo deliberado de bens e dinheiro de civis palestinianos, incluindo computadores portáteis, ouro e grandes quantidades de dinheiro. O exército de Israel tem conduzido operações militares terrestres na Faixa de Gaza desde outubro, disse o grupo de direitos humanos. Estas operações incluíram ataques a casas, ataques a áreas residenciais e a realização de campanhas de detenções arbitrárias contra civis.

De acordo com testemunhos recolhidos pelo Euro-Med Monitor, os crimes do exército israelense vão além das detenções arbitrárias, dos desaparecimentos forçados e das execuções no terreno. Envolvem também a destruição intencional de propriedade, o roubo de pertences pessoais e o saque e incêndio de casas – tudo parte de uma estratégia sistemática que se baseia evidentemente na punição coletiva do povo palestino.

Com base nos testemunhos que tem documentado, a equipa do Euro-Med Monitor afirmou que as suas estimativas preliminares sugerem que o exército israelense pode ter saqueado bens valiosos no valor de dezenas de milhões de dólares, além de ter roubado pertences pessoais de civis palestinianos.”

Embora sejam realizados também pelos soldados das FDI, grande parte desses saques e expropriações forçadas dão-se na Cisjordânia ocupada, em especial pelas mãos de milícias fascistas da extrema direita sionista, os ditos “colonos”.

Quanto à Cisjordânia, cumpre informar que, apesar de não estar sendo alvos de bombardeios, a repressão de “Israel” contra os palestinos também é desatada todos os dias na região, de maneira que já assassinaram 324 (83 crianças). Apenas nas últimas 24 horas, mais cinco palestinos já foram mortos. Quanto aos feridos, 3.800. Encarcerados arbitrariamente: quase 10 mil, desde o 7 de outubro.

Tomando nota de tais dados, poder-se-ia ter a impressão que “Israel” estaria vencendo a guerra. Contudo, noticiais diárias a respeito da resistência e, inclusive, do que ocorre no seio da própria sociedade israelense e de seu Estado, mostrando que “Israel” está em profunda crise, e que o assassinato em massa de civis na Palestina é uma medida de desespero face a derrotas pontuais e à perspectiva de uma derrocada geral.

Nesse sentido, cumpre repassar as mais recentes atualizações a respeito do apoio que a resistência palestina recebe de outros grupos armados do Oriente Médio como, por exemplo, o Hesbolá, do Líbano. Recentemente, foi noticiado neste Diário que o imperialismo, em especial o francês, junto do governo de “Israel”, estava em tratativas com o governo do Líbano, com objetivo de fazê-lo capitular e utilizar as forças armadas para expulsar o Hesbolá da fronteira com “Israel”. Na esteira dessas tratativas, o Estado sionista segue tentando, sem sucesso, subjugar o partido mais popular do Líbano. Assim, na manhã do último domingo (31), a força aérea de “Israel” bombardeou prédios na aldeia de Ramiya, no sul do Líbano, tentando alcançar objetivos militares contra o Hesbolá. Contudo, não consegue reverter a situação de crise na fronteira norte do “país”: já milhares de israelenses tiveram de se deslocar, sem poder voltar para suas casas.

Ainda no domingo, Naim Qassem, secretário-geral adjunto do Hesbolá, declarou que os sionistas enfrentarão uma “grande resposta” caso insistam “em bombardear civis libaneses”. Igualmente deixou claro que não irá recuar do combate a “Israel” – “estamos prontos para enfrentar a agressão, para pôr fim às suas violações e ataques contra Gaza”, de forma que “parar a guerra é crucial para acabar com as hostilidades no Líbano”.

Demonstrando que na Palestina a resistência segue firme em sua luta contra os sionistas, no dia 1º, o Hamas atacou a capital de “Israel”, Telavive, com várias barragens de foguetes. Situação que serve para aprofundar ainda mais crise do atual governo em relação a sua população.

Assim, no mesmo dia, o governo trocou o ministro das relações exteriores (colocando Ysrael Katz no lugar de Eli Cohen) e anunciou o adiamento, pela segunda vez, das eleições municipais. Inicialmente, estavam programadas para ocorrer em 31 de outubro. Com o primeiro adiamento, foram para 30 de janeiro. E agora, para 27 de fevereiro.

Mas não foi o único acontecimento do dia primeiro, denotando a crise israelense.

Com a intensidade dos combates entre a resistência, liderada pelo Hamas, que segue, com a guerra de guerrilhas, promovendo pesadas baixas nos invasores sionistas, o governo de “Israel” ordenou parte de suas tropas a se retirarem do norte de Gaza, nesta segunda (1º). A previsão é que cinco brigadas deixem o enclave, duas para retornar à vida civil, as outras três para treinamento. Segundo Daniel Hagari, porta-voz das Forças de Defesa de “Israel”, a retirada se dá em meio a uma crise econômica que se aprofunda no país, face o impacto gerado pelo esforço de guerra para massacrar os palestinos:

“Espera-se que essa medida alivie significativamente os encargos econômicos e permita que eles acumulem forças para as atividades futuras no próximo ano.”

Aprofundando a crise geral do Estado sionista, no mesmo dia, o Supremo Tribunal de “Israel” derrubou parte da reforma judicial aprovada pelo governo Netanyahu no ano de 2023, que diminuía os poderes da corte. A regra que foi derrubada previa um veto ao poder dos juízes de anular decisões do governo sob base do chamado “padrão da razoabilidade”, ou seja, sob base de eles considerarem como irrazoável. Deve-se recordar que, no primeiro semestre de 2023, o imperialismo promoveu manifestações massivas contra Netanyahu em razão da reforma judicial.

Em suma, apesar do genocídio que “Israel” comete contra a Palestina há quase três meses, a crise do sionismo só se aprofunda, pois estão sendo vitimados civis, em sua maioria mulheres e crianças, sem que as tropas sionistas tenham alcançado derrotas militares significativas contra o Hamas e o conjunto da resistência.

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