Carla Dórea Bartz

Jornalista, com 30 anos de experiência (boa parte deles em comunicação corporativa). Graduada em Letras e doutora pela USP. Filiou-se ao PCO em 2022.

Coluna

“Ucrânia em Chamas” mostra a falsidade das revoluções coloridas

Documentário analisa os acontecimentos que levaram ao golpe de estado contra o governo do presidente eleito da Ucrânia, Viktor Yanukovych, em 2014

O Google e demais empresas americanas de mídia estão em uma guerra contra a liberdade de imprensa e de expressão.

Toda informação contrária aos interesses da Otan e de seu líder supremo, os Estados Unidos, a respeito do conflito contra a Rússia no território da Ucrânia está sendo caçada e censurada nas redes sociais, em especial no YouTube.

Por enquanto, o alvo majoritário é a língua inglesa. Depois da censura aos canais Russia Today e Sputnik, páginas de outras publicações e de jornalistas independentes de diversas nacionalidades, inclusive a estadunidense, estão sendo bloqueadas. Para isso, basta ser contra a Otan.

A imprensa brasileira progressista deve ficar de olho na escalada deste movimento diante de sua dependência do YouTube. Não é difícil prever que mídias brasileiras em português podem passar pelo mesmo problema.

A ditadura estudidense é o aparato de guerra que o mundo enfrenta hoje: empresas privadas têm o poder de controlar o debate global em nome de uma oligarquia perversa que comanda o país (conhecida também como MICIMATTMilitary, Industrial, Counter Intelligence, Media, Academia and Think Tank), capazes de impor controle e sofrimento às populações do mundo inteiro e à sua própria.

Ucrânia em Chamas: um documentário que todo brasileiro deveria ver

Uma das vítimas da censura no YouTube é o documentário Ucrânia em Chamas (Ukraine on Fire, 2016), dirigido por Igor Lapotonok, cineasta e produtor nascido na União Soviética em 1968 (no atual território da Ucrânia).

Seu documentário foca nos acontecimentos que levaram ao golpe de estado contra o governo do presidente eleito, Viktor Yanukovych, em 2014.

De negativo, há algumas escolhas estéticas na forma de efeitos especiais dispensáveis.

De positivo, a capacidade de mostrar como os violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes de extrema-direita na Praça Maidan no centro de Kiev (capital do país) foram encenados com o objetivo de derrubar o governo.

Os destaques são os preciosos depoimentos do próprio Yanukovych e de Vladimir Putin, presidente da Rússia, colhidos pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. Eles descrevem como funciona o imperialismo norte-americano.

O filme também é um contraponto a um documentário do Netflix chamado Inverno em Chamas (Winter on Fire, 2015), uma mentira pró-imperialista.

O financiamento da mídia, de políticos, de grupos de extrema-direita infiltrados nas manifestações são os ingredientes de uma forma de invasão e de criação de instabilidade social artificial conhecida como “revolução colorida” ou guerra híbrida.

Protegida pela mídia ocidental como uma revolução popular, é um tipo de golpe de Estado roteirizado e encenado por grupos nacionalistas de extrema-direita com apoio e financiamento do MICIMATT.

Para nós, brasileiros, fica impossível não perceber a semelhança entre o golpe sofrido por Viktor Yanukovych em 2014 com o sofrido por Dilma Roussef apenas dois anos depois. A “revolução colorida” brasileira completa sete anos em 2022 longe de uma solução.

Streaming

O documentário Ucrânia em Chamas está no YouTube, Vimeo e outras plataformas. Toda vez que ele é censurado, há alguém subindo o arquivo de novo. Então, procure!

Aqui, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=7RKt94LhReY

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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