Uma notícia que chamou a atenção nesta quarta-feira (6) é a de que o exército de Israel exigiu que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tenha acesso aos reféns israelenses e estrangeiros retidos desde 7 de outubro pelo grupo de resistência armada da Palestina, Hamas. Ou seja, Netanyahu pediu que a instituição entre em Gaza. A demagogia é clara, pois o primeiro-ministro de Israel não dá a mínima para os reféns.
Se sua preocupação fosse real, seus soldados não estariam despejando bombas a esmo na Faixa de Gaza, sem saber onde ou quem vai acertar e matar. Interessante esse intercâmbio entre uma organização que se diz a salvação dos oprimidos com uns nazistas, criminosos de guerra, como são as altas cúpulas do exército sionista de Israel. Por outro lado, não vemos nenhuma preocupação ou fala da Cruz Vermelha sobre os prisioneiros, incluindo mulheres e crianças que neste momento estão sequestrados e sendo torturados nas masmorras israelenses.
Fundada em 1863, na Suíça, pelo empresário Henri Dunant, a Cruz Vermelha tem como intuito “garantir proteção às pessoas que sofrem com as consequências de conflitos armados”. A organização atua em mais de 190 países. A iniciativa ganhou força e no mesmo ano de sua fundação, Henri Dunant, Gustave Moynier, Guillaume-Henri Dufour, Louis Appia e Theodore Maunoir formaram um comitê que formalizou a criação da Cruz Vermelha.
A bandeira da Cruz Vermelha nada mais é do que a bandeira da Suíça com as cores invertidas. A instituição registra em torno de 13,1 milhões de pessoas trabalhando como “voluntários” em todo o mundo. Os valores arrecadados através de doações e dos governos é praticamente impossível de precisar. Mas o que se sabe é que os maiores diretores ganham rios de dinheiro. Os escândalos envolvendo a Cruz Vermelha e sua diretoria são vários e variados, apesar de serem todos abafados ou discretamente noticiados pelos órgãos de imprensa da burguesia.
É importante deixar claro que a Cruz Vermelha é uma organização não-governamental (ONG) financiada pelos países imperialistas. O órgão nos Estados Unidos, por exemplo, tem o direito de usar o dinheiro doado como quiser. Até mesmo no Brasil existem denúncias e processos relacionados a desvios de dinheiro, abusos, irregularidades e práticas ilícitas. Imaginem onde os valores e os poderes dessas direções são ainda maiores, como na Europa, por exemplo.
Outro capacho do imperialismo que exigia também que a Cruz Vermelha adentrasse no território inimigo para ver a situação dos presos de guerra era Volodimir Zelenski. Já Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, expulsou a instituição do país sob a alegação de que estaria tentando repassar informações às famílias e à imprensa sobre os presos opositores ao governo no ano passado. Mesmo alegando independência e autonomia a governos e países, jamais se pode esquecer daquela velha máxima “quem paga a banda escolhe a música”.
Outra organização que atua com uma proposta “humanitária”, que também recebe fardos de dinheiro do imperialismo e, igualmente, é acusada de espionagem e até mesmo de tráfico de drogas, é a Médico Sem Fronteiras (MSF). A ONG internacional foi expulsa em 2015 da República Popular de Donetsk sob as duas acusações citadas acima. Há inúmeros relatos de que representantes do MSF, se utilizam de sua posição de “heróis internacionais” para abusar de mulheres a fazerem discursos para manipular a opinião da população local com objetivos políticos.
Segundo o relatório anual da MSF, na lista dos doadores temos os principais membros do complexo militar dos países imperialistas: Goldman Sachs, Wells Fargo, Citigroup, Google, Microsoft, Bloomberg entre outros. Em sua diretoria banqueiros como Elisabeth Beshel Robinson do Goldman Sachs. Além de tudo, declarações e posições dessas organizações, dadas quando dentro dos conflitos e territórios em guerra, procurando se passar por isentas, sempre denotam um certo apoio ao imperialismo e promovem ataques aos supostos “terroristas”, o que a imprensa divulga de forma sistemática.
Não se pode afirmar que as pessoas que fazem parte dessas organizações, ou que de alguma forma contribuam com ela, tenham objetivos políticos, estejam engajadas ou apoiem as atrocidades do imperialismo contra os países oprimidos. Mas diante das denúncias que são feitas, sobre quem as financia, respondendo a quais interesses essas ONGs atuam, pode-se sim questionar qual seria o real papel do CICV e do MSF. Assim, qual seria o verdadeiro objetivo do primeiro-ministro de Israel em infiltrar dentro de Gaza a Cruz Vermelha? Atuariam como uma milícia pró-Israel?





