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Isaias Filho

Membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Eleições argentinas

Milei, Bolsonaro e os BRICS

Conseguirão os BRICS impedir a vitória de Milei?

A visão dominante que se estabeleceu no Brasil a respeito do fenômeno Milei se caracterizou por considerá-lo o “Bolsonaro” argentino. Tal é o diagnóstico da maioria das análises que abundaram nas páginas da imprensa capitalista, bem como das análises da maioria dos partidos e organizações de esquerda, inclusive as que se reivindicam marxistas. Diante da vitória do candidato de extrema-direita nas primárias argentinas, um analista mais aloprado chegou a dizer: “já vimos esse filme”.

A realidade, contudo, indica algo que vai exatamente no sentido contrário. Milei é um filme ainda por estrear no Brasil. 

As análises que equiparam Milei e Bolsonaro se baseiam, geralmente, na comparação dos atributos pessoais das duas figuras políticas (figuras agressivas, histriônicas, polêmicas etc.) ou na semelhança de propostas que um e outro professam sobre determinados temas (defesa da propriedade privada, aliança com os EUA, anticomunismo etc.). O que essas análises deixam de fora, entretanto, é justamente o ponto decisivo ― a etapa política em que cada um deles emergiu.

Bolsonaro é um produto direto e imediato da queda de Dilma Rousseff e da prisão de Lula, fruto da ofensiva golpista do imperialismo. Seu governo é uma espécie de continuação do governo de Michel Temer e buscou conciliar a consolidação e ampliação das medidas neoliberais iniciadas pelo sucessor golpista de Dilma com as necessidades de conseguir, em alguma medida, certo apoio popular. É por isso que o equivalente de Bolsonaro na Argentina não é Milei, mas Macri. Assim como Bolsonaro, Macri é o candidato da direita que assume o poder na sequência do golpe de Estado contra as forças políticas nacionalistas. Macri assume o poder como resultado imediato do golpe contra o kirchnerismo. Eis então que se tem o elemento fundamental para analisar a questão: Macri e Bolsonaro pertencem à mesma etapa ou estágio da evolução política de seus respectivos países. Esse é o aspecto decisivo da questão, mais importante do que os atributos pessoais e a ideologia específica de cada um.

Milei, por sua vez, se situa numa etapa política diferente relativamente a Macri e Bolsonaro. Mais precisamente, ele pertence a uma etapa política posterior do processo político. Com relação a Macri, isso é óbvio. Mas, com relação a Bolsonaro, isso também é certo, apesar das semelhanças individuais entre eles. Milei é um resultado do fracasso tanto do macrismo quanto do peronismo. No Brasil, seguindo a lógica da argumentação, o equivalente do peronismo é o conjunto das forças organizadas em torno do Partido dos Trabalhadores e de Lula.

O alerta para o Brasil decorre dessa conclusão. A Argentina de hoje pode ser o Brasil de amanhã. É como se o processo político argentino estivesse num estágio mais adiantado em relação ao brasileiro. A Argentina na qual Milei aparece como favorito para vencer as eleições gerais é um cenário que pode vir a se configurar no Brasil no futuro próximo. Nesse sentido, o “Milei” brasileiro ainda está por vir. 

E qual a condição que precisa ser satisfeita para que ele tenda a emergir? Precisamente o fracasso do nacionalismo burguês no Brasil, vale dizer, o fracasso do governo Lula, sobretudo. Pode-se concluir, finalmente: ainda não vimos esse filme. 

Certamente, pairam dúvidas a respeito do fenômeno Milei. Será que o movimento político do qual se apresenta como liderança terá força para se consolidar como corrente política duradoura ou mesmo terá condições minimamente estáveis de governar, em caso de vitória. Afinal, seu partido tem apenas dois anos de vida, dois deputados, nenhum senador, governador ou prefeito. Seu aparato é ainda extremamente reduzido e suas relações políticas são evidentemente incipientes. Será o “mileismo” um fenômeno fincou raízes e consolidou uma base social sólida, ou antes será apenas um fenômeno transitório e relativamente efêmero, que cederá seu espaço a algum outro movimento?
O fato novo, que movimenta sobremaneira o cenário, é a inclusão da Argentina no BRICS. Milei é radicalmente hostil ao bloco. E, mesmo assim, a Argentina foi oficializada como nova integrante do bloco. Notícias recentes dão conta de que o governo Lula se reuniu com o candidato peronista, Sergio Massa, e está trabalhando fortemente para alavancar a candidatura do candidato. Os BRICS, certamente, acompanham ativamente o andamento das eleições e possuem grande interesse no resultado das eleições. Até onde conseguirão influenciar o pleito?

O próximo capítulo do filme, no qual algumas respostas para as perguntas acima seguramente aparecerão, terá lugar no dia 22 de outubro de 2023, data das eleições gerais na Argentina.

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