Com o golpe de Estado de 2016, cujo processo vem pelo menos desde 2012, vem se criando um verdadeiro Estado de exceção no País. Interferência do Judiciário sobre o Congresso, cassações ilegais, processos políticos; em suma todo o tipo de arbitrariedade anti-democrática.
A esquerda e o povo foram – como sempre são – as principais vítimas dessa situação. A derrubada de Dilma e a prisão de Lula foram o ápice do problema.
O problema é que a esquerda pequeno-burguesa, cujo oportunismo é uma doença crônica, mesmo depois de toda essa experiência continua cultuando o que ela chama de “instituições democráticas”. Na verdade, deveríamos dizer: instituições do Estado dominadas pela burguesia anti-democrática.
Ao acreditar nessas instituições, que nada têm de democráticas, a esquerda aceitou clada o golpe e o festival de arbitrariedade que ocorrem até hoje. Essa crença piorou agora, que a esquerda tem a ilusão de que está no poder.
A esquerda acredita que o STF, que esses mecanismos anti-democráticos de cassações e censura, são contra a extrema-direita e a favor do povo. Seria apenas uma ilusão, se isso não tivesse se transformado num apoio da esquerda a essas instituições ditatoriais.
Além de apoiar as medidas anti-democráticas como a que decidiu pela inelegibilidade de Bolsonaro, a própria esquerda está dando pilha nessa ditadura, em primeiro lugar o PSOL.
Nas últimas, foram ao menos três casos em que deputados do PSOL pedem a cassação de outros deputados. De Eduardo Bolsonaro, por ter comparado professores a traficantes de drogas em um ato público, de Carla Zambeli por ter “disseminado informações falsas sobre as urnas” e o de Abilio Brunini por “homofobia” por ter xingado Erika Hilton.
É uma vergonha para um partido que se diz de esquerda recorrer a processos anti-democráticos sempre que um inimigo político faz alguma coisa que não agrada. Uma esquerda de verdade chama o povo a lutar politicamente, porque sabe que as normas institucionais não são democráticas e não estão a favor nem da esquerda, nem do povo.
O PSOL está dominado por uma concepção anti-democrática. Com isso, pensa que está combatendo a extrema-direita quando, na verdade, está servindo de base para fortalecer o caráter anti-democrático do regime político.
É incrível que seja preciso explicar para a esquerda que democrático não é chamar as instituições anti-democráticas para cassar deputados. Democrático é um deputado ser eleito pelo povo e exclusivamente pelo povo ter um mandato revogável.
A política do PSOL está ajudando a liquidar o Congresso Nacional. A continuar assim, quem vai eleger os deputados será diretamente o STF, não mais o povo. Esses direitistas que se passam por esquerdistas, como é o caso de Erika Hilton, ou até mesmo pessoas de esquerda de verdade estão ajudando a cria uma situação insustentável.
E essa situação não vai se voltar contra a esquerda num futuro; ela já está se voltando. No vale-tudo do Congresso, quem vai levar a melhor será a direita.





