A reportagem Haddad lança plano de segurança com agência antifacção e placar de crimes, mas sem citar metas, publicada na Folha de S.Paulo em 10 de agosto, mostra por que Lula chamou Fernando Haddad de “o mais tucano dos petistas”. Na verdade, a impressão que se tem é de que se trata do mais petista dos tucanos.
O foco do PT, que tem buscado cada vez mais atrair a classe média, além de agradar à burguesia, tem sido o combate ao crime, a mesma política utilizada há séculos para reprimir a população e garantir a dominação burguesa.
“Os destaques do plano”, segundo o texto, “são a criação de um placar de segurança, com dados de resolução de crimes a cada três meses, e de uma agência estadual antifacção, que integraria órgãos estaduais e federais para combater organizações criminosas”.
Os petistas, que sempre foram vítimas das polícias — o próprio Haddad, recentemente —, insistem em querer modernizá-las. Falam sempre em treinar, dotar de inteligência e, agora, querem a todo custo criar uma superpolícia, integrando órgãos desse aparato inimigo da classe trabalhadora.
Haddad fala em “resolução de crimes”, que seria basicamente descobrir quem os cometeu e botar essa gente na cadeia. O crime, em si, não estará solucionado, pois a população é atirada à violência devido à precariedade em que vive.
O ex-ministro da Fazenda já teve a chance de combater as piores organizações criminosas: os bancos. Em vez disso, a política de juros do Banco Central (BC) vem ajudando esses ladrões a roubar o orçamento público e a bater a carteira do trabalhador.
Em vez de criar um placar, que terá mais utilidade para programas sensacionalistas, Haddad deveria colocar um contador eletrônico em cada esquina mostrando quanto os bancos lucram por minuto assaltando os cofres públicos. Deveria mostrar que, a cada minuto, esses parasitas enriquecem mais de R$4 milhões, sem falar no fato de escravizarem as famílias brasileiras com dívidas.
‘Criminômetro’
O candidato, “questionado sobre metas específicas, Haddad se esquivou, dizendo apenas se comprometer com o aumento da taxa de esclarecimento de crimes ou a diminuição dos índices de letalidade policial”. Isso não representa absolutamente nada, pois, se as condições de vida pioram, aumenta a criminalidade; e a polícia, treinada para matar, aumentará sua “eficiência”.
Haddad reclama que Tarcísio não é transparente e diz: “eu vou fazer isso. Todo plano tem que ter acompanhamento (…) mas eu preciso fazer isso com esse grupo, com esse gabinete institucional. Mais importante do que fixar metas — que precisam ser demandantes, precisam ser exigentes — é você dar transparência para os números. E hoje nós não temos transparência nos números do estado de São Paulo”. Ou seja, não tem nada a oferecer nem para a classe média, que vai preferir o atual governador, que solta seus cães para fazer o serviço e varre os números para debaixo do tapete.
É curioso o parágrafo que diz que “a ideia de divulgar as propostas para a segurança pública antes do restante do plano de governo já havia sido antecipada pela coluna Painel. Como mostrou a Folha, a área, desafio histórico da esquerda, foi um dos assuntos que mais recebeu atenção da pré-campanha do ex-ministro e é tratada como prioridade para a eleição” [grifo nosso].
A segurança pública nunca foi um “desafio histórico da esquerda”. Para a esquerda de verdade, é necessário acabar com as polícias, e a população é quem deve cuidar da segurança. O que é histórico entre os reformistas é essa mania de querer vender uma imagem de confiabilidade para a burguesia, de querer se apresentar como capaz de “cuidar da segurança”, que, no capitalismo, significa basicamente matar ou prender gente pobre.
Diga-me com quem andas…
Para o anúncio do plano, “estiveram presentes o candidato a vice na chapa, o ex-ministro Márcio França (PSB), e as candidatas ao Senado, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB)”, o que é bastante revelador, pois o Partido dos Trabalhadores está se transformando, ele próprio, por pressão da burguesia, em uma espécie de terceira via.
Segundo a reportagem, “outras personalidades também marcaram o lançamento, como o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), que reservou um tempo para falar sobre a renda básica universal, e o jornalista e hoje candidato a deputado federal José Luiz Datena (PSB)”. Este último faz bastante sentido, uma vez que se notabilizou fazendo programas do tipo pinga-sangue na televisão, mostrando crimes, exaltando a polícia e pedindo mais repressão.
Vigiar e punir
Haddad promete “usar inteligência artificial para cruzar imagens de câmeras, dados de ocorrências e chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando o crime acontece (…) e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes, permitindo que as policiais das DDMs ajam antes da tragédia” [grifo nosso].
A questão do “risco do crime” é importante, pois, no Brasil, o “risco” já é considerado crime. Pessoas são condenadas porque supostamente iriam cometer crimes, o que representa um passo adiante na repressão estatal.
O candidato promete também “criar a agência antifacção – uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção do governador, reunindo Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle”.
Todas as medidas levam ao aumento da vigilância e à “integração” de órgãos que, finalmente, serão integrados ao combate ao crime e ao “terror” sob controle direto do imperialismo, diminuindo ainda mais a nossa soberania.
A proposta de “segurança pública” de Fernando Haddad é antipopular e profundamente reacionária.





