Túnel sem saída

Com “rabo entre as pernas”, Espanha reconhece Maduro

A política da Espanha de 'sabujo' do imperialismo americano, bem como de muitos países europeus, levou a Espanha a voltar atrás diante de sua rejeição a Maduro

Após a maioria dos países da Europa ter reconhecido Guaidó como legítimo, indo na onda do imperialismo norte-americano, tipo, “manda que eu obedeço”, a Espanha, entre eles, foi fiel ao imperialismo norte-americano em rejeitar o governo de Maduro da Venezuela, simplesmente porque a ordem dos Estados Unidos era manter a política de adotar o discurso norte-americano contra o presidente Maduro, para legitimar os embargos ao país latino.

Como noticiado pelo Brasil de Fato, nesta última terça-feira (24) a Espanha, oficializou seu reconhecimento do presidente Maduro como legítimo no governo venezuelano. Foi o marco de encerramento venezuelano de mais de dois anos em que a Espanha ficou sem um representante diplomático da Venezuela, mantendo suas atividades consulares apenas com um encarregado de negócios.

A Espanha não quer ficar para trás diante desse novo quadro político. Além disso, “diferente de outros países, como por exemplo Reino Unido e Estados Unidos, parece que a Espanha está buscando uma forma de interlocução, uma forma de aceitação frente ao governo com um ato propositivo e não de confrontação”, disse o cientista político venezuelano William Serafino ao Brasil de Fato, em matéria do dia 30 deste mês.

A atitude do governo de Madri nestas últimas semanas passadas se opõe à tensão diplomática entre os dois países ocorridas nos últimos quatro anos, com o reconhecimento do autoproclamado Guaidó, em 2019, simplesmente para se colocar como sabujo do governo americano, sequer considerando a soberania do povo venezuelano em sua escolha por Maduro. A Espanha “humildemente” envia um embaixador para assumir a embaixada espanhola no governo de Maduro.

O novo período de crise por que passa toda a Europa, causado pelo conflito entre Ucrânia e a Rússia, provocado pela OTAN, acabou por enfraquecer e comprometer toda a Europa, devido à inflação galopante e os altos custos da energia, bem como a escassez de produtos no comércio europeu. O embargo à Rússia determinado pelo governo norte-americano saiu caro para a Espanha também. Que vê na Venezuela uma “rota de fuga” para não sucumbir frente ao inverno europeu, pois os trabalhadores espanhóis, bem como todos os europeus, já perderam a paciência com os seus governos além de terem que pagar o preço da guerra dos outros.

A Venezuela passou a ser uma rota de fuga da dependência europeia às commodities russas de gás e óleo. Em troca disto, a Espanha acena com esse trâmite diplomático reestabelecido com a Venezuela, e que agora resolveu reconhecer Maduro como líder legítimo. A direita venezuelana, seguindo os desígnios do imperialismo norte-americano passou a rejeitar Guaidó, o que justificaria aos países europeus e o próprio Estados Unidos reconhecerem a legitimidade Maduro, tirando assim do foco o enfraquecimento do imperialismo americano e de toda a Europa frente ao retumbante fracasso, até o momento, dos resultados obtidos com guerra entre a Rússia e o OTAN, que usa o governo ucraniano como bucha de canhão.

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