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Intensificar as ocupações

Alesp protocola CPI para perseguir lideranças da luta pela terra

Depois de reagir violentamente às ocupações, direita parte para a perseguição judicial dos movimentos populares no campo.

Desde o começo do ano, movimentos populares da luta pela terra retomaram a política de ocupações para romper o marasmo no processo de reforma agrária a conta gotas, que relega a população rural à miséria enquanto os latifundiários fazem uso até de mão de obra escrava no vasto espaço que controlam. O pedido de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito, chamada de CPI do MST, foi apresentado pelos deputados estaduais Danilo Balas (PL) e Guto Zacarias (União Brasil), vice-líder do governo Tarcísio na Alesp. Agora basta que o presidente da assembleia, André do Padro (PL) decida por sua instalação e o circo está definitivamente armado.

A manobra parlamentar visa intensificar a perseguição aos movimentos populares que atuam no campo e defendem os interesses dos camponeses contra os latifundiários. Enquanto os latifundiários cometem toda sorte de crimes, como assassinatos, uso de mão de obra escrava, invasão de terras indígenas e por aí vai, os políticos da direita partem para criminalização da pobreza. Os camponeses deveriam morrer de fome, mas jamais ocupar um pedaço de terra para subsistir da pequena agricultura familiar. No pedido da CPI, os deputados deixam bastante claro que a ideia é promover uma defesa abstrata da sagrada propriedade privada, ignorando completamente as agressões sofridas pelos trabalhadores sem terra.

A movimentação da direita em defesa dos seus patrões é uma resposta à iniciativa dos movimentos de luta no campo ocorrido em fevereiro. Enquanto o MST participou da ocupação de fazenda da empresa Suzano Papel e Celulose na Bahia, a FNL esteve envolvida numa série de ocupações no interior de São Paulo, que foi chamada de Carnaval Vermelho. A burguesia reagiu com violência, inclusive convocando a extrema-direita para atacar os camponeses que lutam pela própria sobrevivência. Agora, passaram para um combate mais institucional, posando de legalistas. Desnecessário pontuar que a violência promovida pelos latifundiários não será investigada, mas qualquer reação defensiva dos trabalhadores será pintada de ação terrorista.

Já no começo do mês de março, duas lideranças da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) foram presas sob a bizarra acusação de estarem extorquindo pobres latifundiários na região do Pontal do Paranapanema, divisa entre os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Zé Rainha e Luciano de Lima foram presos no dia 4. A Polícia Civil chegou ao ridículo de informar à imprensa burguesa que entre os objetivos das prisões preventivas estava “promover a paz no campo”. Paz, nesse caso, significa deixar os trabalhadores rurais à mercê dos latifundiários, dos seus jagunços e da polícia. Uma paz manchada de sangue dos trabalhadores.

Ainda em fevereiro, pudemos assistir ao triste espetáculo de esquerdistas condenando as ocupações de terra. O discurso legalista, abstrato, só favorece quem segue matando o povo no interior do Brasil. Matando inclusive os índios, que todo mundo diz que defende. Não existe neutralidade diante do massacre operado pelos latifundiários no campo. Pelas vias institucionais já ficou mais do que claro que o povo não pode esperar nada, o pouco oque existe nesse sentido só serve para enrolar e desarticular a luta no campo. O instrumento consagrado da luta no campo são as ocupações de terras. A burguesia só senta para negociar na marra.

O papel da esquerda é condenar sem qualquer hesitação a perseguição às lideranças dessa importante luta popular. Tanto as prisões quanto a CPI. Além disso, é preciso defender abertamente as ocupações como método legítimo de reivindicação de um direito básico, a sobrevivência. Quem está de longe pode achar simples pedir paciência para os trabalhadores rurais, mas é necessário denunciar que essa postura só fortalece a repressão no campo. Os assassinatos seguem sem trégua, o povo não pode e não vai morrer calado. O caminho para uma verdadeira paz no campo é a demarcação de terras para os trabalhadores sem terra e isso só vai acontecer se o povo ocupar cada vez mais os latifúndios.

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