Em artigo publicado nessa quarta-feira, 25 de janeiro, o jornal Folha de S. Paulo defende a tese de que haveria uma mobilização “silenciosa” contra o governo russo. Utilizando os mesmos métodos de manipulação a que o imperialismo sempre recorre, o jornal cita um grupo de pessoas que deixam flores em um túmulo como símbolo de apoio aos nazistas ucranianos; desse grupo insignificante do ponto de vista estatístico, o jornal tenta extrapolar para fazer o leitor crer que a maioria da população russa se opõe ao governo Putin.
No entanto, não é fato. Primeiramente, preste-se bem atenção na tática sórdida utilizada pelo jornal. Eles utilizam um espaço considerável da matéria para descrever o ritual de pôr flores no túmulo da dramaturga Lesia Ukrainka, chegando a descrever quem ela era e onde vivia. Depois, citam o fato de que os militares russos retiram as flores – que, de conjunto, nada disso tem qualquer interesse público ou relevância para entender a popularidade do governo, que é o que o artigo se propõe a tratar.
Tais temas só compõem o artigo da Folha de S. Paulo para elaborar a tese de que o governo russo é um governo agressor, enquanto a Ucrânia estaria apenas se defendendo. A opinião do jornal, no entanto, pouco importa; o que interessa aqui é a manipulação da informação. Do ponto de vista estatístico, como citado, não há qualquer relevância um grupo de, no máximo, 50 pessoas, colocar flores numa estátua periodicamente. No artigo, ele cumpre a função do que se chama, no jornalismo, de induzir o leitor ao erro.
Uma matéria teria, se se comprometesse com a verdade e não com a opinião dos patrões, de procurar se basear em dados objetivos e deixar de lado essas questões. As pesquisas de opinião, na Rússia, sobre a guerra comprovam que a imensa maioria da população apoia a operação militar especial – inclusive, as pesquisas feitas pela oposição imperialista.
No início da guerra, em março, quando a campanha contra a operação era muitíssimo mais forte, o Centro Russo de Pesquisa de Opinião divulgou que 71% dos russos apoiavam a guerra, enquanto apenas 27% diziam não apoiar; 8% não sabiam. Na mesma época, o líder da oposição russa, diretamente financiado pelo imperialismo, Alexei Minyailo também fez uma pesquisa de opinião. De maneira tendenciosa, chamou-a de “Os russos querem a guerra?” e chegou a conclusão de que ela era apoiada por, apenas, 51% da população – enquanto 27% se diziam contra.
Obviamente, a pesquisa de Alexei é profundamente manipulada e tendenciosa. Afinal, trata-se de um agente dos EUA. No entanto, nem mesmo no dado mais favorável à CIA, no momento em que a campanha contrária à operação russa era mais forte, afirmaram que o povo russo era contrário à guerra.
Putin, durante a operação, convocou diversos comícios. Em março, por exemplo, convocou um comício no Estádio Luzhniki, com a presença de 80 mil pessoas. Quando a oposição fez algo minimamente próximo, em qualquer momento, no território russo?
Como a Folha de S. Paulo, então, decidiu mostrar a oposição do povo russo à guerra? Com algum dado objetivo? Alguma grande mobilização, que justificasse tal afirmativa? Não. Simplesmente, com um protesto silencioso realizado por não mais de 50 pessoas – e, isso, estimando o número nas alturas, porque é muito possível que o número não chegue à casa das dezenas.
Como seria um absurdo fazer tal afirmação, a Folha simplesmente não a fez. A matéria não diz “O povo russo é contra a guerra”, ela diz “russos protestam silenciosamente contra a guerra”. O leitor é levado a crer que se tratam de dezenas de milhares, e todo o artigo é construído em torno da tese de que a Rússia agrediu, e a Ucrânia foi agredida – o fato de o governo nazista ucraniano ter quase entrado na OTAN, evidentemente, nunca seria citado em uma matéria dessas. Seria pedir demais. Ao ler o que diz a Folha, o cidadão sairá com a seguinte ideia, imagina o jornal: “a Rússia é indefensável; há uma ditadura terrível, há protestos isolados; logo, a maioria da população é contra a guerra, mesmo que não tenha se revoltado contra isso”.
Assim, eis a arte de mentir, na qual os jornalistas burgueses são especialistas. Trata-se da arte de manipular os dados até que lhe digam o que queira. Cria-se a ideia, ao longo do texto, de que é impossível apoiar a Rússia e de que a população está revoltada com isso; apenas não o citam, pois tem consciência de que esse dado é falso. Ao contrário da máquina de produzir mentiras que é um jornal burguês, é tarefa de um jornal operário trazer a verdade: por detrás de todas as perfumarias que a Folha citou, isto é, a manifestação silenciosa de algumas dezenas de pessoas, ou de ainda menos, contra a operação russa, a sua tese principal é a de que os russos, majoritariamente, são contra a guerra. E, quanto a isso, os dados são implacáveis: mesmo as estimativas mais manipuladas pró-CIA já existentes, no momento em que a opinião pública era mais manipulável para o lado da Ucrânia, afirmam, categoricamente, que a maioria do povo russo apoia seu país na luta contra o nazismo ucraniano.




