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Rafael Dantas

Membro da Direção Nacional do PCO e diretor de redação do Jornal Causa Operária.

O PCO é...

Um partido militante e revolucionário

E muito mais do que isso, ao contrário dos partidos que se dizem "socialistas" ou mesmo "revolucionários" e que estão em franca decadência. Vejamos o porquê


Que o PCO é um partido trotskista e, portanto, um partido operário e revolucionário, todo mundo sabe. Estão aí como evidências cabais disso sua política, seu programa, sua militância e direção, suas tradições e métodos que não deixam sombra de dúvidas. É incontestável que ocupamos um lugar importante, de destaque na política nacional. 

Qualquer um que pretenda analisar e se posicionar diante da situação política atual, e particularmente no terreno da política de esquerda, não pode desconsiderar nossas posições ou simplesmente negar a importância da política proposta pelo nosso partido a cada passo, a cada virada da situação, sem com isso cair na vala comum dos hipócritas e dos oportunistas.

A burguesia, inimiga mortal da classe operária representada em nosso partido, sabe muito bem disso. Não foi à toa que o Supremo Tribunal Federal, na figura do ministro Alexandre de Moraes, decidiu incluir o PCO no absurdo inquérito das fake news. Com isso, nossos canais nas redes sociais foram fechados, cassando a palavra de todo um partido às vésperas das eleições. Tratou-se de um ato profundamente antidemocrático não apenas tal como o denunciamos, mas também de acordo com as próprias empresas (Twitter, Google, Facebook etc.) obrigadas a nos proscrever. 

A classe dominante revelou, desta forma, a profunda compreensão que seus representantes políticos têm da importância de um partido revolucionário, com uma política que aponta uma via para a ação das massas e que adquiriu uma influência crescente em todos os setores da sociedade. 

Mas não se trata apenas de uma “política” ou “programa”, tomados assim em abstrato, como a somatória das conclusões e propostas delas decorrentes feitas por um partido. Trata-se do perigo que a política e o programa corretos representam no terreno real, concreto, da luta de classes quando apresentados e colocados em prática por um partido revolucionário militante

Que queremos dizer com isso? Ora, simplesmente que aquilo que é dito por nosso partido é colocado em prática por nossos militantes. Que nossas ideias e conclusões são levadas ao mundo como um fator da mudança das relações entre as classes sociais, como um fato político incontornável. Lembremos apenas o que disse ninguém menos do que Karl Marx, que as ideias se transformam em uma força material quando as massas se apoderam delas. É, por isso mesmo, que a classe dominante (e seus lacaios nas classes a ela submetida, nomeadamente a pequena burguesia) entende que nosso partido precisa ser combatido pelo menos tanto quanto somos combativos, ou seja, tanto quanto somos capazes de alcançar ampla massas com a luta política que travamos cotidianamente.

As eleições e o período inaugurado imediatamente após elas ofereceram uma boa oportunidade para esclarecer as diferenças no seio da esquerda a que alguns chamam revolucionária, que como representantes entre os partidos legais o PSTU, o PCB e a UP. Mostremos porque chamar esses partidos de revolucionários é, no mínimo, fazer uma enorme confusão, quando não se trata apenas de má fé e falsificação intencional.

Primeiro, limpemos o terreno.

Partidos como o PT, o PCdoB e o PSOL, isto é, partidos reformistas da esquerda pequeno-burguesa, deixaram há muito tempo de serem partidos militantes (quando e se é que o foram alguma vez conforme o caso). Tornaram-se aparatos burocráticos voltados às eleições e à atuação parlamentar. Mais claramente, digamos, para tornar mais precisas nossas conclusões, que no melhor dos casos são partidos reformistas e parlamentares que possuem alguns militantes, mas cujas graves deformações burocráticas impedem que se possa qualificá-los como partidos militantes

Isso é assim. A prova disto está em que não só a ação (ou melhor, falta dela), mas a estratégia destes partidos não dá conta da realidade

Como o PT, por exemplo, pretende enfrentar os atos bolsonaristas, a oposição encabeçada por Bolsonaro que, com milhões de eleitores detrás de si, promete enormes dificuldades ao terceiro mandato de Lula? Resumidamente, torcendo para que Alexandre de Moraes faça o trabalho jogando o aparato burocrático e repressivo do Estado sobre os bolsonaristas. A situação é extremamente crítica e essa política simplesmente não vai parar a crise que está se avolumando aí. A eleição de Lula não vai fazer sumir, como num passe de mágica, a enorme oposição a ele. Será preciso muito, muito, muito mais do que isso. Será preciso algo que esses partidos não podem dar: uma orientação consequente, militante, revolucionária para as massas agirem. Uma orientação marxista que só o PCO pode dar.

Vejamos a política dos outros reformistas. Por que o PSOL decidiu apoiar o PT no primeiro turno? Certamente, não pela correção desta política para o avanço do movimento de massas, da mobilização popular necessária para enfrentar – e derrotar – a direita, todos os golpistas. Isso já tinha ficado claro quando, no ano passado, se opuseram a que as manifestações de rua pelo “Fora Bolsonaro” se tornassem cada vez um movimento popular de massas, isto é, cada vez mais “vermelhas”, cada vez mais combativas, cada vez mais independentes da política da burguesia, da “terceira via”. Com a ajuda do PCdoB, PSOL e companhia se esforçaram até o último minuto para colocar a reboque de figuras nefastas como João Doria em São Paulo todo um movimento que eles não criaram, que lhes escapava ao controle e que, por fim, quando não conseguiram o que queriam, foi traído e dispersado pela ação desses partidos.

Por que então apoiaram Lula ao invés de lançar seu próprio candidato (como tradicionalmente faz o PSOL) ou apoiar Ciro Gomes (como discutiu até o último minuto o PCdoB)? Ora, porque tanto o PSOL como o PCdoB sentem, em linguagem mais popular impossível, a proverbial água batendo na bunda. A cláusula de barreira, que eles mesmos defenderam, recai sobre eles com toda força. Sem acesso à tribuna do Parlamento, às verbas e recursos dedicados pelo Estado a uma minoria cada vez mais restrita, estes partidos que se constroem e existem graças exclusivamente à sua atuação parlamentar estão condenados. 

O que essa profunda crise da esquerda brasileira tem a ver com os pseudorrevolucionários de que falamos mais acima? Isso é importante, notem bem. Ao passo que PSOL e PCdoB (e o próprio PT, se considerarmos que é uma casta burocrática de parlamentares e políticos profissionais que controla o partido) se apoiaram em Lula por uma questão de sobrevivência, o PCO, o PSTU e o PCB podem sim sobreviver sem fundo partidário, sem deputados eleitos, sem acesso aos meios de comunicação da burguesia, etc. Prova? Ora, é o que vêm fazendo há anos. 

Eis o centro da questão a que nos pusemos a responder. Se as coisas são como dissemos acima, qual é, de fato, a diferença entre o PCO e os demais partidos que se apresentam como revolucionários? 

Em primeiro lugar, o PCO é de fato um partido militante, operário, revolucionário e comunista pelos motivos que elencamos acima. Os demais não são. Não podemos qualificar o PSTU, PCB e UP da mesma maneira. A política desses partidos para as eleições e o período que se abre agora, o governo do PT que em breve se iniciará, são a demonstração suficiente disto. Não demorou muito para que se bandeassem do “voto crítico” em Lula no segundo turno para a insinuação de que Lula é, na verdade, um homem da “terceira via” o que significa dizer, consequentemente, que seu governo será um governo alinhado com o imperialismo. 

São apenas partidos que são, por sua composição, política, direção e método, pequeno-burgueses, centristas e, portanto, não-revolucionários. Pretendem ter um discurso revolucionário, mas na prática são incapazes de se separar por completo da esquerda reformista, oportunista, parlamentar.

Introduzamos o “contraste” das eleições nesse exame e teremos como resultado da avaliação que o PCO é, além de tudo, profundamente consequente na sua política: lutou contra o golpe do impeachment, a prisão de Lula, pela sua libertação, pelo “Fora Bolsonaro” e apoiou Lula nas eleições, com suas críticas e seu próprio programa, como único meio de lutar contra toda a direita neste terreno desfavorável. Obtido o resultado das urnas, que fará o PCO? Não prestará apoio irrestrito ao governo nem se somará à oposição direitista, a única realmente existente nesse momento. Será consequente e lutará por toda política que fizer avançar a mobilização e a consciência das massas apresentando seu próprio programa, suas próprias ideias e métodos para organizar a classe operária no marco da situação política real, atualmente existente. Será crítico de tudo aquilo que consistir uma capitulação do governo Lula diante da direita e do imperialismo, de toda vacilação, de todo retrocesso, de todo prejuízo que sua política possa causar para a classe operária e as massas populares. Fará, enfim, tudo o que corresponde a um verdadeiro partido operário, revolucionário, comunista que se preze: tudo aquilo que coloque na direção correta e faça avançar a luta das massas pela revolução, o governo operário e o comunismo!

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