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Expedito Mendonça

Militante trotskista há 40 anos, fundador e atual diretor do Sindsep-DF. Formado em História pela UniCEUB, membro da comissão de redação do Jornal Causa Operária e colunista do Diário Causa Operária.

Novo governo Lula

São eles ou somos nós, o povo

Os capitalistas assediam no sentido da continuidade da política de ataques à população trabalhadora. É necessário mobilizar o povo para enfrentá-los


O novo governo Lula ainda nem começou, o presidente eleito sequer foi empossado, mas o que se vê é todo um alvoroço em torno às declarações de Lula sobre suas prioridades imediatas de ação governamental, particularmente no terreno da economia. Há uma enorme pressão, vinda dos mais diversos setores exigindo que o presidente anuncie o ministro da Economia. São os abutres de sempre, os inimigos do país e principalmente do povo trabalhador, os que nunca quiseram, ao longo de toda a história nacional, abrir mão dos seus ganhos, dos seus lucros, dos seus enormes privilégios. 

O nome que vem sendo especulado para ocupar a principal pasta ministerial, a da Economia, é do ex-prefeito da cidade de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad. Haddad é o nome que a imprensa vem anunciando como um dos que Lula considera para o cargo. Haddad -pode-se dizer – é um dos nomes mais moderados no espectro petista, já tendo afirmado que, caso assumisse o cargo, iria fazer a tão propalada reforma tributária, além de se comprometer com a dita “responsabilidade fiscal”, afirmando ainda que os recursos públicos serão utilizados de maneira “mais eficiente”, seja lá o que isso possa significar.

Apesar disso, o “mercado”, ou seja, os banqueiros, capitalistas e especuladores (os sanguessugas de sempre) continuam opondo resistência ao petista. Haddad seria, nesse sentido, um nome que representa uma espécie de aceno aos setores que não desejam a implementação de uma política petista mais puro sangue, mais “lulista” uma forma de conciliação política, fórmula já usada em governos anteriores de Lula, para que tanto os objetivos do governo como dos capitalistas fossem atendidos, não escolhendo um neoliberal, mas também não um total “esquerdista” para o cargo.

As matérias na imprensa burguesa não parecem se importar muito com a ideia de conciliação; ao contrário. Os porta-vozes da burguesia parecem muito contrariados com a possível escolha de Haddad, como ficou demonstrado pela repercussão que deram à frustração do mercado, após almoço de Haddad com os banqueiros. Na verdade, o que eles (o “mercado”) querem mesmo é o controle da economia e para isso tentam impor um nome com o perfil que esteja alinhado com o chamado “mercado” e tudo o que isso possa significar: continuidade do pagamento dos juros e amortizações da gigantesca dívida pública, responsabilidade fiscal, teto de gastos, privatizações, desindustrialização, etc.   

O fato é que, mesmo se propondo a atender parte dos interesses dos banqueiros, Haddad continua sendo um nome de esquerda e isso desagrada os banqueiros. É um petista e, sobretudo, caso escolhido, agiria sob a orientação de Lula, o qual, por sua vez, se mostra disposto a encarar os capitalistas e aplicar sua política a favor do povo, cumprindo, assim, os compromissos assumidos durante a campanha. 

Haddad não é um neoliberal “puro-sangue”, um vampiro capitalista ou um especulador, alguma coisa do tipo como Henrique Meirelles e Pérsio Arida, nomes que estão sendo ventilados pela imprensa ao governo; ou melhor, nomes que estão sendo forçados, empurrados ao governo Lula, assim como foi feito com o vice, Alckmin, nome sob medida para um deslocamento à direita, do governo.  

O que a burguesia quer é que o futuro ministro esteja em suas mãos, não nas de Lula. garantindo, assim, que haja o controle da economia pelos banqueiros, pelos capitalistas, para que, dessa forma, a política contra o povo e em defesa dos interesses do grande capital nacional e internacional seja mantida. 

Embora Lula não dê sinais de que irá fazer tais concessões aos tubarões capitalistas, o fato é que há nesse momento – e continuará havendo tão logo o governo entre em ação -toda uma enorme pressão contra a determinação do presidente eleito em aplicar uma política popular. Portanto, não é e não será suficiente apenas a intenção de não ceder ao “mercado”, mas é preciso contar com a força do povo, com suas representações populares (sindicatos, movimentos sociais de luta do campo e da cidade, etc). Se as articulações para a sustentação do governo ficarem restritas aos acordos de bastidores no âmbito das instituições (parlamento, partidos, etc.), controladas pela direita golpista-bolsonarista, toda a política popular que Lula deseja implementar estará seriamente ameaçada ou mesmo irremediavelmente comprometida.

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*As opiniões dos colunistas não expressam, necessariamente, as deste Diário.

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