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Censura

Relembre o caso Maurício Souza, precedente da demissão de Monark

Calar os outros não vai impedir que a direita se desenvolva

maurício souza

A demissão do youtuber Bruno Aiub, vulgo Monark, do programa Flow Podcast por emitir uma opinião depois da Inquisição coordenada pelos ‘canceladores’ identitários não se trata de um caso isolado no período recente. Outro caso de censura que aconteceu há pouco tempo foi do jogador de voleibol, Maurício Souza. O jogador foi demitido por dar sua opinião sobre o lançamento de uma edição da DC Comics onde o filho do super-homem é bissexual. Além da onda de grande histeria que essas figuras públicas provocaram por expressarem o que pensam, há outros aspectos semelhantes no que diz respeito à burguesia. 

O jogador de voleibol havia compartilhado, em seu perfil do Instagran, o anúncio publicitário do lançamento de um super-herói LGBT com o comentário “Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”. Isso foi o suficiente para que os identitários e toda classe média histérica realizasse uma verdadeira caça às bruxas contra Maurício. Ávidos por seu cancelamento, os defensores do identitarismo de tochas na mão exigiam sua destruição como pessoa e de sua carreira como jogador de voleibol.  

Apesar de se tratar de uma pessoa bastante direitista, tanto o jogador assim como Monark não são políticos e apenas expressaram somente suas opiniões. Diante da histeria que dominou as redes sociais na internet, a burguesia acatou ao pedido dos inquisidores modernos e Maurício perdeu contrato com a equipe onde atuava, o Minas Tênis Clube. De quebra, o jogador também foi cortado da seleção brasileira de voleibol.    

No caso de Maurício, a Gerdau e ironicamente a FIAT, que apoiou o regime fascista de Mussolini na Itália, exigiram sua demissão. E, no caso de Monark, que é assumidamente liberal e foi acusado de fazer apologia ao nazismo por defender o direito de um partido nazista ser legalizado, a Amazon e Ifood, que são grandes exploradoras de trabalhadores sem direitos, bem como, a Mondelez, cuja diretora Tatiana Garcia participou de almoço com presidente de extrema-direita, anunciaram publicamente que não patrocinariam mais o programa. 

Três aspectos defendidos por estes setores chamam atenção pela semelhança nestes dois casos. O primeiro aspecto diz sobre as demissões que em ambos os casos aconteceram por pressão dos patrocinadores, os adeptos dessa política buscam dar poder para burguesia liquidar seus inimigos. O mesmo comportamento apareceu durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde esses setores apoiaram acriticamente a censura contra Donald Trump pelos monopólios das redes sociais (Facebook, Twitter e YouTube). 

Um segundo aspecto se trata de como a censura teve um efeito oposto ao esperado. No caso de Maurício, o mesmo ganhou 1,5 milhão de seguidores no Instagran, saltando de 200 mil para 1,7 milhão em menos de uma semana. Com Monark não foi diferente a hashtag “Volta Monark” ocupa o trending topics do Twitter. Fica demonstrado assim que a defesa da censura política pela esquerda não terminará bem e implicará consequências muito perigosas. 

Por último, estes setores defendem a repressão como política, bem como, supressão dos direitos individuais de seus supostos inimigos. Poderíamos dizer se tratar de uma ideologia fascista não tivesse um viés de esquerda. Tal política foi defendida contra o Robinho, ex-jogador do Santos e da seleção brasileira de futebol, os identitários apoiaram o linchamento público promovido pela imprensa e fizeram coro com a ministra bolsonarista, Damares, exigindo sua prisão sem direito a ampla defesa. Por defender o pensamento de Monark durante o programa, também cobram do STF punição com perda de mandato para o deputado federal do MBL, Kim kataguiri, abrindo assim precedentes para cassação de políticos de esquerda. 

O identitarismo é uma política que existe para confundir a luta geral dos oprimidos e explorados contra a burguesia. A demagogia dessa política já é explorada há muito tempo por inimigos da população para disfarçar sua imagem como Banco Itaú. Tal demagogia levou apoiar o que tem de pior na política como é o caso de Joe Biden. Não se pode dar poder para a burguesia decidir o que se pode ou não expressar porque a censura se voltará muitas vezes mais intensa contra as organizações populares e partidos de esquerda.  

Neste mesmo sentido, defender repressão do estado burguês através do STF, que não anulou o impeachment inconstitucional contra Dilma Rousseff em 2016 e que impediu de maneira completamente arbitrária o presidente Lula de concorrer às eleições de 2018, se trata de um grande erro. Como garantir que essa instituição golpista e antidemocrática, que usurpa constatemento o poder de legislar, não vai proibir o comunismo equiparando ao nazismo, como até mesmo o presidente nazista Jair Bolsonaro veio a defender, para colocar toda esquerda na ilegalidade?

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