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Durante renúncia

Prefeito fascista de Belo Horizonte manda GM agredir professores

Cerimônia de renúncia de Kalil (PSD) contou com manifestações dos professores, que, por sua vez, foram reprimidos pela Guarda Municipal


O Estado burguês deu ontem (25/3/2022) mais uma amostra do tratamento que reserva àqueles que tentam opor alguma resistência às investidas da exploração capitalista. Em greve por melhorias salariais desde o dia 16 deste mês, cerca de 20 professores do município de Belo Horizonte decidiram comparecer à despedida de Alexandre Kalil da prefeitura do Município, exigindo que o prefeito negociasse com a categoria antes da sua saída do cargo – Kalil pretende concorrer a governador nas eleições desse ano. Os educadores, contudo, não foram bem recebidos. Na porta da prefeitura, a “ameaçadora” horda de professores já era ansiosamente aguardada pelos cassetetes, pelas balas de borracha e pelas bombas de gás lacrimogênio da Guarda Municipal; se do lado de dentro se deleitavam a egolatria e o carreirismo pequeno-burgueses, na parte de fora o sadismo próprio do aparato repressor burguês se regozijava.

Durante o confronto, os capangas da burocracia municipal, desfrutando de mais uma oportunidade de “em nome da Lei”, distribuíram bombas e bordoadas, deixaram inconsciente o professor Wanderson Rocha, que foi encaminhado ainda desacordado para atendimento em Pronto-Socorro. Sobre o ocorrido, Evangely Rodrigues, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH, relatou: “Desmaiou nosso colega, o homem mais pacífico que eu conheço. Ele apanhou em 2018 e agora novamente. Ele foi socorrido desmaiado.”

Guarda Municipal e Polícia Militar, fascismo prático na defesa do capital burguês.

Como revelam as declarações de Evangely, excessos de violência na repressão à luta dos trabalhadores não são novidade em BH, ou sequer para Wanderson. Em 2018, durante protesto em que os grevistas ocuparam importante avenida de BH, foi a vez da PM atacar os trabalhadores. Na ocasião, além dos tradicionais cassetetes, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, compareceu um carro-tanque, o “caveirão”, disparando generosos jatos d’água contra os manifestantes.

Wanderson, depois de ser derrubado pelos jatos e desnorteado pelas bombas de efeito moral, foi arrastado pelos PMs e conduzido preso para uma delegacia, de onde somente foi liberado após muitas horas, já ao final do dia; a acusação: incitação à violência – (ironia) certamente a da PM, a única de que se teve notícia na oportunidade. “Se querem a desordem e provocar as cenas que interessam a eles politicamente, toda vez que fizerem [a cena], nós vamos proporcionar a cena para eles”, esse foi o teor da manifestação do já à época prefeito de BH Kalil, orientação que o prefeito parece adotar ainda nos dias de hoje.

Violência policial contra professores não é novidade em BH, em 2018 a repressão foi ainda mais dura.

Não é diferente o quadro nas demais regiões do país, ou mesmo para as demais categorias de trabalhadores. Em reação à grave crise capitalista que vem desde 2008 provocando gravíssimas perdas para a classe trabalhadora, agravadas ainda no último período pela pandemia do Covid-19 e, atualmente, pelas sanções econômicas impostas à Rússia, movimentos organizados começam lentamente a reaparecer no horizonte das lutas operárias. Paraná, Pará e Paraíba, e não para por aí, também os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, entre outros – isso considerando somente mobilizações de professores -, já têm dado sinais de que os enfrentamentos entre os interesses da burguesia e dos trabalhadores tendem a ganhar gravidade no curto prazo futuro; e a repressão não deve ficar para trás (agora imagine Kalil governador de MG, a PM mineira nas suas mãos…).

A propósito, significativa parcela dos servidores da segurança pública de Minas Gerais está em greve já há mais de um mês. No último dia 09, organizaram uma massiva manifestação, na qual se registraram lançamento de bombas, interdição de ruas – dentre elas a mesma avenida ocupada pelos professores em 2018 -, assim como a presença de inúmeros manifestantes armados. Repressão pelo Estado burguês? Nenhuma.

Uma classe oprimida que não se empenha em aprender a usar armas, a adquirir armas, merece ser tratada apenas como escrava. Não podemos, a menos que tenhamos nos tornado pacifistas ou oportunistas burgueses, esquecer que estamos vivendo numa sociedade de classes da qual não há saída, nem pode haver, salvo pela luta de classes e destruição do poder da classe dominante.Vladimir Ilich Ulianov – Lenin, A Palavra de Ordem do “Desarmamento”, Sbornik Sotsial-Demokrata No. 2, Dezembro 1916.

Servidores da segurança pública de MG se manifestam, livres de qualquer repressão – por que razão mesmo? -, durante protesto realizado no dia 09/3/2022.

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