O governo venezuelano vem sofrendo ataques não somente do imperialismo, mas também daqueles que se dizem de esquerda, como o PCB, Gabriel Boric, dentre outros.
Recentemente, o governo da Venezuela acusou o PCV de estar sendo infiltrado pelo imperialismo e de atentar contra a revolução. Prontamente o PCB tratou de sair em defesa do partido comunista e se coloca também ao lado dos inimigos do governo Maduro.
Publicamos em 20 de agosto uma matéria na qual Diodados Cabello, vice-presidente do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela, alerta que “conseguiram com um partido histórico, como o PCV, (…) que a direção desse partido ficasse contra a Revolução Bolivariana”.
Cabello alerta que dirigentes do PCV estão com o mesmo discurso do imperialismo, que é a quem interessa enfraquecer o governo venezuelano para se apossar do petróleo do país. Nos dias de hoje, essa commodity aumentou sua importância devido ao conflito que o próprio imperialismo gerou no Leste Europeu, com posterior sancionamento do gás e do petróleo russos.
Esquerdices
A tática do PCB, no Brasil, também interessa ao imperialismo. No atual momento político, em que há um grande esforço da burguesia para colocar no poder um governo de direita para aprofundar as medidas neoliberais na economia, o PCB resolve lançar uma candidatura própria em vez de se somar à candidatura com maior apelo popular, e única com chances reais de vencer, a de Luiz Inácio Lula da Silva.
O PCB se coloca como um ‘crítico à esquerda do PT’, mas a sua crítica é vazia de conteúdo. Conforme já publicamos, o PCB lança uma palavra de ordem genérica do tipo “Comunistas nas eleições: construir a independência política da classe trabalhadora”. Ocorre que a construção dessa independência não virá apeanas porque se falou sobre ela, é preciso viabilizar, criar as condições. Atualmente, precisamos justamente derrotar a burguesia e abrir uma perspectiva para retomar o ascenso da classe trabalhadora. Temos inúmeras críticas ao PT e às alianças eleitorais que vem fazendo. No entanto, a classe trabalhadora se convenceu, basta ver as pesquisas de intenção de voto, de que Lula pode trazer de volta direitos trabalhistas que foram perdidos por ocasião do golpe de 2016.
A eleição de Lula, caso ocorra, não é em si uma garantia de que os direitos serão recuperados, mas pressão popular será enorme, assim como será enorme a pressão da burguesia para que isso não ocorra. Uma eventual eleição de Lula aumenta a polarização da classe trabalhadora que, com a experiência daquilo que vier a ocorrer, tirará conclusões políticas importantes.
Caso obtenha sucesso, a classe trabalhadora ganhará mais ânimo para continuar avançando; caso ocorra o contrário, poderá concluir que somente posições realmente radicais têm poder transformador na sociedade.
Ao propor um ‘construir a independência política…’, o PCB deixa de lado a luta contra o Bolsonarismo, a atual face do golpe no governo. O direitismo da proposta fica evidente quando afirmam que “subordinar todo o trabalho político à derrota do bolsonarismo é um equívoco muito grave”. Por que seria um erro grave derrotar o bolsonarismo? O imperialismo conspirou para colocar Lula na cadeia e elegeu Bolsonaro, cuja derrota será, em grande medida, uma derrota do próprio imperialismo.
Críticos da Venezuela
Existe uma grande pressão na esquerda pequeno-burguesa para que se condene o governo Maduro. O PCB, partido sem qualquer base social, formado principalmente por uma classe média diletante, não consegue resistir e se junta às vozes opositores do governo venezuelano.
Até outro dia, quando ainda não havia o conflito na Ucrânia e a ameaça de desabastecimento de petróleo na Europa, o imperialismo americano investia pesadamente em uma solução militar contra o governo Maduro, usando para isso a Colômbia, país onde tem sete bases militares, pelo menos as conhecidas. Agora, devido à necessidade, o governo Biden tenta a ‘diplomacia’, mas é claro que não abandonou seus planos de golpe, apenas substitui, ou dá mais ênfase, a outros tipos de ataques.
Uma das maneiras de enfraquecer o governo venezuelano é cooptar setores da esquerda, ou mesmo governos de outros países, como é o caso de Gabriel Boric, presidente fantoche do Chile manipulado pelos EUA.
Assim como o PCB procura se apresentar como uma esquerda genuína, apesar de enfraquecer a candidatura Lula contra a direita, tenta colocar o PCV como uma partido com propostas realmente revolucionárias. Mas, sob essa máscara, o PCV está chamando as massas contra o governo que está sob forte pressão do imperialismo.

Não se trata, obviamente, de sermos contra a mobilização da classe trabalhadora para o aumento de seus direitos. Mas tudo tem que ser colocado em seu devido contexto. Inúmeros golpes e ‘revoluções coloridas’ se iniciam assim, como se s tratasse única e tão somente da insatisfação popular.
É importante lutar para que se garantam aumentos reais de salário, ou que cubram os custos da cesta básica, mas é necessário verificar a situação da economia do país que há anos vem sofrendo um embargo criminoso do imperialismo.
A Venezuela vem sofrendo com o confisco de ouro, com embargos que sobrecarregam, por exemplo, o sistema de saúde do país. Cabe à esquerda fazer uma luta muito ampla de luta real e denúncia. Pois tudo o que o imperialismo quer é que as sanções econômicas gerem revoltas populares para aí intervir e promover golpes de Estado.
Desconfiar
A classe trabalhadora tem que desconfiar daqueles que se dizem muito à esquerda e que, no final das contas, está servindo de linha auxiliar dos interesses do imperialismo.
A Revolução Bolivariana conta com um grande apoio popular, ou já teria sido derrotada. Cabe à esquerda para atuar no fortalecimento da Revolução e se opor firmemente contra o imperialismo. Diante disso, é preciso também identificar e lutar contra os setores que se fazem passar por esquerda para minar e derrotar a vontade da população.
Se livrar desses elementos golpistas dentro da esquerda é uma tarefa crucial que fortalecerá ainda mais a classe trabalhadora em todo o seu conjunto.




