Por quê estou vendo anúncios no DCO?

Candidatura presidencial

O universo paralelo dos craqueiros eleitorais stalinistas

Partidos de esquerda, como se vivessem em universo paralelo, ignoram a atual conjuntura política e sabotam a candidatura Lula.


O PCB (Partido Comunista Brasileiro), como se estivéssemos vivendo em um universo paralelo, em um clima de total normalidade, anunciou Sofia Manzano como pré-candidata às eleições para a presidência da República deste ano. Trata-se de uma figura pouco conhecida no cenário político. É professora universitária na UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) em Vitória da Conquista.

Olhando para o Brasil, até parece que não estamos no meio de um golpe que jogou milhões de pessoas na mais absoluta pobreza e no desemprego; ou que os trabalhadores perderam seus direitos mais elementares e que enfrentamos uma pandemia com uma gestão criminosa das autoridades governamentais. Para alguns setores da esquerda o mundo segue seu curso natural.

Este Diário já vem denunciando que esses setores da esquerda agem contra a classe trabalhadora e fazem isso ao sobreporem seus interesses particulares aos interesses gerais da população.

Enquanto a polarização vai tensionando ainda mais a situação política, há esses partidos, sem base social, que ficam preocupados em divulgar seus programas. O PCB, por exemplo, acredita que muita gente que “votou no PT no passado vai apoiar (suas) propostas porque sabe que não há saída efetiva para o país a não ser construir o caminho para o socialismo”. Não é absolutamente isso que está colocado na atual conjuntura. De que adiantaria sairmos às ruas colando cartazes com os dizeres “Abaixo o Capitalismo”? Essa não seria uma luta concreta, baseada nas necessidades atuais, reais, da classe trabalhadora, apesar de todos sabermos que superar o capitalismo é o nosso objetivo; existem as tarefas intermediárias que precisam ser cumpridas e são elas que vão possibilitar a vitória da esquerda sobre a burguesia.

O que está colocado no momento é derrotar o golpe de 2016. A esquerda precisa reagrupar forças e deter o avanço da extrema-direita. Qual candidato, dentre todos, tem chances de vencer Bolsonaro e unificar a esquerda nesse propósito? É justamente Lula. Por mais que se possa divergir com o PT, temos de apoiá-lo pois é muito mais favorável para nós, trabalhadores, negociarmos com um governo de esquerda do que com um governo fascista.

O lançamento de candidaturas de esquerda estão trabalhando para a vitória da direita e mais quatro anos de Jair Bolsonaro, não há como fugir desse fato que é determinado pela própria polarização. Não existe ‘terceira via’ da esquerda. Sofia Manzano, ao declarar que todos nós queremos derrotar Bolsonaro de qualquer forma. (…), a população brasileira merece ter uma alternativa que vá além do pacto conservador que se desenha pela candidatura do Lula”, tenta, primeiro, dar a impressão de que há empenho real em derrotar a extrema-direita, o que não é verdade; e, segundo, jogar para cima do ex-presidente a impossibilidade de compor, pois este estaria indo muito à direita.

O youtuber do PCB, Jones Manoel, publicou no Twitter que “Uma pré-candidatura tem como função, dentre outras coisas, tencionar o debate à esquerda e potencializar as mobilizações sociais e as lutas de massa”. Vejamos, uma coisa é o movimento fazer reivindicações que tragam o seu principal candidato para posições cada vez mais à esquerda. Outra, completamente diferente, é propor um abstrato ‘debate que vá potencializar as mobilizações sociais e as lutas das massas’. Isso não passa de verborragia. O tensionamento tem que ser feito de dentro, pois sendo feito de fora apenas enfraquece nossas posições.

Nessa mesma toada, a UP (Unidade Popular), em um comunicado, fala da “necessidade de uma verdadeira candidatura de esquerda nas próximas eleições nacionais (…) e uma unidade de esquerda contra o fascismo e neoliberalismo no Brasil”. Ou seja, reforça a tese de que o candidato petista não seria um candidato de esquerda; ao mesmo tempo que rompe com a unidade, uma vez que a própria UP lançou seu pré-candidato à presidência.

Identitarismo

Além de toda a sabotagem, não poderiam ficar de fora as tais pautas identitárias. É claro que todo partido tem o direito de escolher o candidato que melhor lhe convier, mas salta aos olhos que o PCB lance uma mulher e a UP tenha como pré-candidato Leonardo Péricles, que já vem de antemão com as credenciais de ‘homem negro e periférico’.

O identitarismo tem ecoado bastante dentro dos meios pequeno-burgueses, e é possivelmente um dos grandes, se não maiores, fatores do moralismo exacerbado que assola a esquerda. Vale lembrar que esse movimento, que nasceu nas universidades dos EUA, é levado adiante por ONG’s, entidades e intelectuais pequeno-burgueses muitas vezes financiados por institutos-fachada da CIA, como Fundação Ford e Global Americans.

Quem é o inimigo?

Temos visto partidos como o PSOL, o PCB e a UP usando a aproximação de Lula com Geraldo Alckmin como desculpa para a não adesão à sua candidatura. No entanto, esses mesmos partidos encamparam uma intensa campanha para que houvesse unidade da esquerda para supostamente derrotar Jair Bolsonaro. Valia tudo contra o fascismo, até mesmo a participação de golpistas arrependidos, que receberam nomes pomposos como “direita democrática”, “campo democrático” etc. Nunca a palavra democracia fora tão espancada.

Sempre é bom lembrar a sabotagem sofrida pelo Movimento Fora, Bolsonaro – Lula Presidente. Uma direção, que ninguém sabe quem elegeu, marcava manifestações com largo intervalo entre uma e outra, desmobilizando a militância; e tentou empurrar goela abaixo dos trabalhadores a presença de Doria, Ciro Gomes em uma frente que tinha a clara intenção de consolidar um candidato da chamada Terceira Via.

Essa esquerda trabalhou abertamente para emplacar uma Frente Ampla, mas mas viu seu planos naufragarem, pois os trabalhadores não querem acordos com a direita. Mesmo Lula, com toda a autoridade política que possui, está tendo dificuldades em colocar o tucano Geraldo Alckmin como vice-presidente em sua chapa. A rejeição é enorme.

Candidaturas do PCB e UP servem aos golpistas

Embora não sejam partidos influentes no movimento operário, a atitude desses partidos serve para que a burguesia consiga semear intrigas no interior do movimento e promover a dispersão. Um partido como o PSOL, que é apoiado pela imprensa capitalista, encontra nesses partidos o argumento perfeito para não apoiar Lula, pressionando, principalmente o PT, para uma política mais à direita.

Gostou do artigo? Faça uma doação!


COTV

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.