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Tucanato em crise

O fim do PSDB?

A polarização política tratou de varrer o centro político no Brasil, como vem ocorrendo no mundo. O PSDB não tem nada de civilizatório, como pinta a imprensa 'progressista'.

Tucano

“O fim do PSDB é péssimo para a democracia”? Difícil acreditar nessa tese apresentada por uma matéria assinada por João Filho no sítio do The Intercept Brasil (8/out/22). Muito menos se pode afirmar, como fizeram, que ‘o antipetismo alucinado’ teria desfigurado o partido tucano. Na verdade, o PSDB sempre foi o principal agente do imperialismo no País e levou adiante uma política ferozmente antioperária.

Salta aos olhos que alguém, do dito ‘campo progressista, afirme que a polarização PSDB x PT era dura, às vezes agressiva, mas dentro de limites civilizatórios. A menos, é claro, que o termo ‘civilizatório’ possa significar o seu exato oposto. O Mensalão, por exemplo, uma verdadeira selvageria jurídica, um vale-tudo, que linchou publicamente integrantes do PT, prendeu sem que houvesse provas; está mais para barbaridade do que civilidade.

O STF, que muitos hoje do ‘campo progressista’ declaram como sendo a última linha de defesa da democracia, ganhou bastante protagonismo à época. Rosa Weber, ministra do Supremo, foi voto decisivo para botar José Dirceu na cadeia; e ainda teve o cuidado de dizer que não tinha provas (isso mesmo, não tinha provas!), mas que a literatura jurídica justificava sua decisão.

A última tentação

A matéria cita Tasso Jereissati, cacique tucano, que afirma que o PSDB teria começado sua decadência ao questionar a vitória de Dilma contra Aécio Neves; ao “votar contra princípios básicos só para ser contra o PT” e, o maior erro, “foi entrar no governo Temer. (…) Fomos engolidos pela tentação do poder”. Quando os tucanos foram abnegados em relação ao poder? O PSDB foi o principal artífice do golpe contra Dilma Rousseff, integrar o governo de um Judas, como Temer, foi o pagamento a serviços prestados.

Segundo o jornalista, o PSDB seria, no início, um partido de centro-esquerda alinhado aos princípios da social-democracia, [que] chegou ao poder e se consolidou nos governos FHC como um partido de centro-direita. Um governo que manda o Exército contra trabalhadores na CSN e mata três trabalhadores, fere dezenas de outros, pode ser considerado de ‘centro-direita’?

Os tucanos foram a ponta de lança do imperialismo e sua política neoliberal no Brasil. O governo FHC inaugurou uma verdadeira devastação na nossa economia. A entrega ao capital estrangeiro de setores estratégicos como a telefonia, a siderurgia, mineração (com a ‘doação’ Vale do Rio Doce) etc., simplesmente jogou milhões de trabalhadores no desemprego e na miséria.

Fernando Henrique Cardoso, o ‘príncipe dos sociólogos’, só pode ser considerado de ‘centro’, ‘civilizatório’, porque fala mais de um idioma e sabe dar nó em gravata. De resto, perto dele, um Bolsonaro não passa de aprendiz. Não à toa, passou a ser chamado sarcasticamente de ‘sociólogo dos príncipes’.

O início do fim

A devastação neoliberal provocada pelos tucanos é, em grande medida, a justificativa da era petista na presidência, pois a polarização no Brasil estava levando o regime a uma situação insustentável. A partir da eleição de Lula, o PT passou a vencer todas as eleições, e só saiu por obra do golpe, que foi planejado imperialismo com o auxílio do PSDB.

Um dos efeitos do neoliberalismo é provocar um cenário de guerra sem que se tenha disparar um único tiro. É possível destruir a indústria de um país com bombardeios, bem como as políticas neoliberais. A indústria paulista, importante alicerce tucano, foi duramente golpeada, ao ponto de Paulo Skaf, um dos presidentes da Federação das Indústrias de São Paulo, não ser dono de indústria, mas rentista.

Foi a atuação predatória tucana que tratou de esticar a corda e tensionar o ambiente político. A polarização chegou a tal ponto que um partido como o PSDB perdeu sua base e sua existência não faz sentido, não tem serventia no quadro atual. O que temos, basicamente, é a classe operária de um lado contra o grande capital do outro. A extrema-direita, que está absorvendo os políticos da direita tradicional e galgando postos no parlamento, de modo oportunista se apresenta como sendo ‘antissistema’.

João Doria, que uma expressão da decadência tucana, teve o mérito de entender o que estava se passando e não teve o menor pudor para se lançar como candidato sob a alcunha de Bolsodória. No entanto, o esfacelamento de partidos do ‘centro’, não é exclusividade dos tucanos. Estamos vendo a fusão de partidos de direita que tentam sobreviver. Mas a ressaca também atingiu a esquerda, partidos como o Psol, com sua política centrista, estão experimentando verdadeiras insurreições nestas eleições que opõem Lula e Bolsonaro.

Péssimo para a democracia?

Para que o fim do PSDB fosse péssimo para a democracia, teríamos que admir que se trata de um partido democrático. No entanto, as vítimas do Pinheirinho, o professorado, os estudantes, a população pobre em geral; todos sentem o peso da mão de ferro tucana. O extermínio da população jovem e negranas periferias pela polícia militar; as balas de borracha que cegaram manifestantes exercendo seu direito inalienável de protestar, tudo isso impede que se coloque o PSDB em uma posição democrática.

Se, por um lado, é péssimo que a classe trabalhadora sofra pela atuação tucana com as políticas neoliberais e pelo golpe de Estado em 2016; por outro, é possível enxergar com mais nitidez a oposição entre a classe trabalhadora e seus inimigos históricos.

Fica cada vez mais difícil sustentar essa conversa falaciosa de ‘campo democrático’, ‘civilizatório’. As máscaras caíram e a polarização fará com que os trabalhadores enfrentem seus inimigos de maneira clara.

É preciso salientar que esse fenômeno, a pulverização do ‘centro político’, é mundial. Embora a direita esteja vencendo eleições na Itália, na França etc., estamos assistindo também inúmeras manifestações contra a carestia, contra a direita, o que abre uma nova etapa de lutas com perspectivas positivas para a classe trabalhadora.


COTV

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