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Esquerda “Terceira Via”

MRT se junta aos golpistas da terceira via contra Lula

As pretensas críticas à esquerda contra Lula não passam de um disfarce para esconder uma política de direita


A intensa e crescente polarização política no Brasil tem provocado um verdadeiro turbilhão no cenário político brasileiro. Partidos de direita, como DEM e PSL foram obrigados a se fundir para tentar manter sua força no Congresso. O PSDB rachou e está em uma enorme crise. Verificam-se estragos também dentro da esquerda, o PSOL é um sintoma desse mar agitado da política. A sigla perdeu parlamentares para o PSB, PDT e PCdoB, e agora experimenta uma certa rebeldia dentro de setores considerados mais à esquerda, como o MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), que chama militantes para o rompimento.

Pode parecer progressista o descontentamento do MRT com a direção do PSOL que, de fato, tem levado adiante uma política bastante direitista. Porém, o principal fator de divergência da tendência tem nome: Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se do único candidato da esquerda que tem condições de derrotar o golpe aplicado contra os brasileiros em 2016.

Todo tipo de desculpas estão sendo dadas para grupos se afastarem da candidatura Lula. A principal é a formação da chapa com Geraldo Alckmin (PSB, ex-PSDB) para vice. Há ainda outra posição defendida em editoral pelo MRT intitulado Unificar as lutas em curso para derrotar os ataques de Bolsonaro sem ilusão nas eleições, publicado no sítio do Esquerda Diário no dia 24 de março.

O artigo critica direções sindicais que “buscam canalizar todas as energias da nossa classe para as vias institucionais e as eleições”. O MRT não percebe que as eleições são um fator importantíssimo para a conscientização da classe trabalhadora. Em um ano eleitoral, no qual se confrontam o candidato da extrema-direita e o candidato da esquerda que é o principal líder popular do País, é estranho que se comece a discutir a importância do movimento sindical em si.

Para um desavisado, a posição do MRT poderia parecer combativa, já que prega a não ilusão nas eleições. Mas não se trata disso, a crítica às eleições aqui serve para disfarçar uma posição despolitizada diante de uma eleição que será crucial inclusive para a mobilização dos trabalhadores, ou seja, não se trata simplesmente de falar contra a ilusão eleitoral, mas de ter uma política capaz de mobilizar as massas tendo como a eleição um instrumento disso. A crítica do MRT tem um endereço: a candidatura de Lula e quem a apoia.

Anestesia geral

O movimento sindical vinha anestesiado desde o golpe, mas a pandemia de Covid-19 tratou de enterrar toda e qualquer possibilidade de manifestação. O único partido que não abandonou as ruas foi o PCO, que cansou de dizer que se os trabalhadores eram obrigados a trabalhar, os dirigentes sindicais não tinham o direito de ficar em casa. A esquerda pequeno-burguesa toda atacou o PCO ao qual chamou de “negacionista”, apesar de o Partido ter sido o primeiro a lutar por testagem e vacinação em massa, além de denunciar a política genocida dos governos federal e estaduais que abandonaram a população à própria sorte.

São anos de paralisia, e não será nesse curto período de tempo, até o início de outubro, que o debate sobre o movimento sindical se torna inadiável e o único fator progressista na luta dos trabalhadores. Por outro lado, é preciso dizer que a luta pelas conquistas sociais não está em contradição com a eleição de Lula. A classe trabalhadora vê em sua eleição uma possibilidade real de reversão das perdas que vem sofrendo tanto em seus direitos quanto no poder de compra cada vez mais reduzido.

O aumento da crise provocou o surgimento de diversas greves pelo País, isso é um fato. Para o MRT, o problema é que diante de quadro sindical ‘agitado’ a maioria da direção do PSOL tenha declarado apoio irrestrito a Lula desde o primeiro turno, mesmo tendo Alckmin como vice. Seria bom se fosse verdade, esse ‘apoio’ a Lula ainda não foi formalizado e, ao que tudo indica, se vier não passará de oportunismo eleitoreiro. Apenas o PCO declarou apoio à candidatura Lula, o restante da esquerda está saindo pela tangente e fazendo coro com o imperialismo, mandante do golpe.

O MRT basicamente quer abandonar a luta política por uma sindical. Sim, seria importante lutar pela “reversão de todas as privatizações, o que inclui uma Petrobras 100% estatal, sob gestão dos trabalhadores e controle da população”. Mas isso é mais fácil de se realizar sob um governo de esquerda ou da extrema-direita? Igualmente, a luta pelo reajuste salarial automático de acordo com a inflação para todos os trabalhadores e aposentados, junto ao auxílio de um salário-mínimo para todos os desempregados e subempregados” são lutas imprescindíveis, mas não apenas partir de agora. O que a esquerda tem que fazer é usar as mobilizações e lutas sociais como mais um elemento de fortalecimento para se conseguir vencer as eleições e sacar os fascistas da presidência.

É claro que não se deve ter ilusões, ou se acreditar que bastem eleições para resolver todas as questões da classe trabalhadora. Por isso os movimentos sociais devem voltar às ruas e dali não mais saírem, pois essa será a única base social de apoio e pressão sobre um eventual governo Lula que sofrerá ataques de todos os lados.

Abandonar a luta política agora, será apenas um favor à extrema-direita e ao imperialismo.

Chamado ao rompimento

Em um artigo que chama ao rompimento com o PSOL, o MRT afirma que a extrema-direita “lançou mão do impeachment de Dilma Rousseff com um golpe institucional, que foi debate entre muitos setores da esquerda”. O que não explica, é que o ‘debate’ ocorreu durante a preparação do golpe, com muitos grupos de esquerda pedindo a saída da presidenta; e após o impeachment com setores que não reconheceram que tenha havido um golpe, ou, no máximo, que teria sido um ‘autogolpe’, pois o PT não passaria de um representante da burguesia. Esse quadro evidencia a falência desses grupos que se posicionaram no campo dos golpistas.

As críticas que o MRT faz à direção do PSOL são até procedentes no que diz respeito à sua federação com a Rede, partido financiado pelo Banco Itaú e posicionamento contra o aborto. No entanto, a direitização não é de agora. Onde estava essa gente quando apoiaram a Lava-jato, quando manobraram para eleger Eduardo Paes, do DEM, para prefeito do Rio de Janeiro? Não passa de oportunismo usar a figura de Alckmin para propor o rompimento.

Lavajatismo

Lula foi alvo de um dos processos jurídicos mais fraudulentos de que se tem notícia. Foi vítima de um conluio que o colocou na cadeia e o impediu de concorrer à presidência da República, o que acabou levando Bolsonaro ao Planalto. Por isso, salta ao olhos o seguinte trecho que afirma que “justamente este mesmo regime político golpista, com o STF e o Congresso Nacional, reabilitou a figura de Lula para se candidatar e poder ser um estabilizador e administrador de toda essa obra econômica de ataques” (grifo nosso). O principal alvo do golpe de 2016, um homem que foi preso sem provas, que passou 580 dias na prisão, foi “reabilitado” para eventualmente ser um estabilizador e administrador do regime político?

O primarismo, e até virulência, das colocações do MRT são inaceitáveis. Quer dizer que montaram toda essa farsa da Lava Jato (que o PSOL apoiou), tiraram Lula das eleições para consolidar o golpe e agora, do nada, resolvem voltar atrás, se arrependeram e trataram de ‘reabilitar’ o ex-presidente? Foi a pressão das ruas que forçou a libertação de Lula, foram os trabalhadores acampados 580 dias em frente a prisão o motivo da soltura, pois a farsa ficou insustentável. Isso prova que o próprio MRT não reconhece o poder da mobilização dos trabalhadores, apesar de se dizer revolucionário.

Um movimento que se chame de revolucionário precisa entender que a luta política é um desenvolvimento da luta sindical. O surgimento do PT, por exemplo, foi um reconhecimento dessa realidade, a classe operária, mobilizada contra a ditadura, sentiu a necessidade de criar um partido. O próprio PCO já foi uma tendência interna do PT, até que percebeu que seria preciso dar um passo adiante. A tentativa de o MRT sobrepor as lutas sindicais às urnas nesse momento de extrema polarização não passa de capitulação, é um abandono das posições da classe trabalhadora que está depositando sua confiança em Lula, a despeito de seu vice.

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