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Eleições nos EUA

Imperialismo tenta conter onda trumpista, mas vai conseguir?

Ao contrário da propaganda que a imprensa imperialista procura transmitir, o trumpismo ultrapassou a sabotagem do grande capital e promete controlar o legislativo


As eleições de meio de mandato (midterm elections) nos Estados Unidos, na qual são eleitos os representantes de cada estado para o Congresso, o Senado e os governos, representam a segunda eleição mais importante de todo o mundo, atrás, apenas, das eleições presidenciais norte-americanas. Seu resultado define, em grande medida, como se dará a política do imperialismo em seu principal país, reverberando suas consequências para o resto do globo.

Desde que perdeu as eleições de 2020 para Biden em decorrência de um golpe, Trump vem se consolidando como a principal liderança da direita nos Estados Unidos. O trumpismo, seu movimento, alcançou bases cada vez mais sólidas e populares, tornando-se uma força ideológica e política similar ao bolsonarismo no Brasil, só que maior. Logo, consagrou-se entre as massas de maneira mais ou menos independente do regime imperialista, um perigo iminente no que diz respeito ao controle que o grande capital detém em seu próprio núcleo.

As eleições deste ano são ainda mais importantes em decorrência dessa evolução, pois significam uma mudança no regime interno do imperialismo que vai definir os rumos dos Estados Unidos para as eleições de 2024, que elegerão o novo presidente do país.

A previsão: uma vitória esmagadora dos Republicanos

Desde a metade de 2021, a maioria dos jornais da imprensa burguesa previam que, em 2022, Trump levaria uma vitória avassaladora contra os Republicanos, ganhando controle sobre o Congresso e, possivelmente, sobre o Senado.

A CNN publicou, no dia 03 de novembro do ano passado, um artigo intitulado 5 motivos pelos quais Democratas deveriam começar a entrar em desespero sobre 2022 (5 reasons why Democrats should start panicking about 2022), afirmando que a experiência do partido na Virgínia, com a eleição do governador, seria um indicativo da mudança da relação entre os americanos e Trump.

O mesmo jornal colocou, no texto Por que as eleições de meio de mandato de 2022 se parecem com o oposto de 2018 (Why the 2022 midterms look like the opposite of 2018), que “todos os indicadores que apontavam para uma onde Democrata nas eleições de meio de mandato de 2018, agora, apontam para uma Republicana me 2022”. Ele cita, então, fatores como pesquisas eleitorais, a desaprovação de Biden, as eleições na Virgínia e as recentes aposentadorias.

Já o Washington Post, jornal mais ligado ao Partido Democrata, afirmou, em março do ano passado, que parece que haverá uma vitória avassaladora dos Republicanos no Congresso. Bernie Sanders, senador Republicano, em janeiro de 2021, afirmou que os Democratas deveriam mudar completamente a sua postura para não perderem o controle de ambas as instâncias do Legislativo no país.

Em geral, era um consenso que as eleições enveredariam completamente para o lado republicano, algo que está de acordo com o fato de que o governo Biden atingiu níveis elevadíssimos de rejeição nos últimos dois anos. Sem contar na presença cada vez maior dos apoiadores de Trump nas ruas do país, principalmente durante a pandemia.

A propaganda: uma derrota vergonhosa dos Republicanos

Chegado o grande dia, a imprensa imperialista realizou uma enorme propaganda para afirmar que todo o alarde anterior, em relação à predileção dos Republicanos nas urnas, não passava de um exagero. Analisando os dados iniciais da votação, os grandes jornais afirmaram que a “onda vermelha” não havia se concretizado, que a eleição estaria muito mais empatada do que qualquer outra coisa.

O The Economist, um dos principais jornais da burguesia imperialista, publicou uma matéria intitulada Os Democratas foram melhor do que o esperado (The Democrats have done better than expected), onde coloca, ao final, que “Para o resto do eleitorado, ele [Trump] está se tornando o que ele mais ridiculariza: um perdedor”. Satirizando com Trump e afirmando que ele foi o motivo do desempenho ruim dos Republicanos, foi ao ar texto do Washington Post intitulado Porque as eleições de 2022 foram um grande desastre para Trump (Why the 2022 election was such a disaster for Trump). Na mesma linha, escreveu um editorial chamando a anterior “onda vermelha” de apenas uma “poça”.

Até a imprensa burguesa brasileira entrou na jogada. Sendo a cadela do imperialismo que é, a Folha de S. Paulo, por exemplo, lançou um artigo à la Washington Post caracterizando o desempenho de Trump como uma “marolinha”.

Seria todo esse prognóstico verdadeiro? Não exatamente.

A realidade: uma vitória do trumpismo…

O resultado eleitoral dos Republicanos foi, de fato, pior do que o esperado. Entretanto, os republicanos estão ganhando, até o fechamento desta matéria, em ambas as casas e nos governos. Mais especificamente, ao contrário do que a imprensa imperialista procura passar, foi o trumpismo o grande vencedor dessas eleições.

Dos governos, por exemplo, 12 dos 15 candidatos republicanos eleitos são aliados de Trump. Um quadro similar pode ser visto no Senado, no qual 15 dos 18 eleitos são trumpistas. O mesmo se repete no Congresso: segundo previsões, mais de 150 candidatos próximos a Trump estão projetados para serem eleitos segundo os atuais dados das urnas.

Em outras palavras, fica evidente que Trump, de forma alguma, saiu por baixo nas eleições de meio de mandato de 2022. Pelo contrário, está previsto para controlar o legislativo, o Senado é a única instância mais acirrada. Toda o falatório da imprensa imperialista, à luz desses dados, se mostra uma farsa, uma propaganda que tenta enfraquecer o trumpismo.

“Os candidatos de Trump em corridas chave tiveram dificuldades, desempenhando abaixo do esperado onde eles não deveriam tê-lo feito”, afirma o Washington Post. Como o imperialismo não conseguiu barrar o trumpismo, se limita a afirmar que os candidatos Republicanos apoiados por Trump não tiveram o melhor desempenho possível. Mas o fato é que eles ganharam na maior parte do País.

…freada pelo imperialismo

O ponto central é que o imperialismo tentou frear a vitória de Trump, algo muito parecido ao que aconteceu no Brasil, com Bolsonaro, no primeiro turno das eleições de 2022. Promoveram o governador da Flórida, por exemplo, para que ele possa concorrer às eleições primárias como principal inimigo de Trump dentro do Partido Republicano. Isso sem contar na gigantesca máquina política que é a imprensa imperialista.

Todavia, no final, o grande capital falhou em impedir a vitória de Trump no país. Apesar de diminuída, sua votação foi expressiva o suficiente para continuar desestabilizando cada vez mais o regime e se consolidar como principal força política dos Estados Unidos, superando os Democratas e, com isso, a principal ala do imperialismo.

As declarações da grande imprensa são prova cabal disso, pois mostra que a burguesia imperialista agiu e continua agindo contra Trump, voltando todos os seus principais jornais contra ele e seus aliados. Algo muito similar ao que foi visto nas eleições presidenciais de 2020.

Assim como o bolsonarismo, o trumpismo não será derrotado pelas urnas

De qualquer maneira, independente de qual seja o resultado final do pleito, a derrota do trumpismo nas urnas – que não aconteceu – não significa a sua derrota enquanto movimento político. Finalmente, trata-se de um movimento de massas longe de ser só um movimento eleitoral.

A base de Trump cresce e, assim como foi em 2020, com a eleição de Biden, o trumpismo não será contido e tende a se radicalizar. A tendência fundamental, seguindo o resto do mundo, é que o regime se polarize cada vez mais e que, com isso, o imperialismo se mantenha na sua crise atual, uma das maiores de sua história.

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