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Falsa esquerda

Em 1º discurso na ONU, Boric mostra seu capachismo

Na ocasião, Boric atacou a Venezuela, a Nicarágua, o Irã e a Rússia, demonstrando, mais uma vez que anda de mãos dadas com o imperialismo em todas as questões fundamentais


Nessa terça-feira (20), Gabriel Boric realizou, em Nova Iorque, o seu primeiro discurso como presidente do Chile na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em uma verdadeira demonstração de direitismo, Boric reforçou os ataques que fez, no passado, aos regimes de Daniel Ortega, na Nicarágua, e Nicolás Maduro, na Venezuela.

Após a derrota que seu governo sofreu em relação à nova constituição do Chile, que foi amplamente rejeitada pelo povo, o discurso de Boric centrou-se na “democracia”. Tentando mascarar o fracasso que sua política representa frente aos trabalhadores chilenos, o esquerdista afirmou que o resultado o ensinou a “ser mais humilde”.

Utilizando este ângulo, Boric iniciou uma rodada de comentários acerca de países oprimidos que, no último período, foram importantes agentes na luta dos povos oprimidos contra a dominação imperialista em todo o mundo. Dentre eles, além dos já citados, o Irã e a Rússia.

Em relação à Venezuela, sem fazer qualquer tipo de menção às sanções imperialistas contra o país e, portanto, atribuindo a culpa ao governo Maduro, Boric afirmou que:

“A crise humanitária na Venezuela, como resultado de sua prolongada crise política, gerou um fluxo migratório sem precedentes em nossa região e em nosso país, exercendo enorme pressão sobre nossas instituições e nossa sociedade.”

Já sobre a Nicarágua, engrossando o tom de seu ataque, o esquerdista chileno afirmou que:

“[Devemos] continuar trabalhando para contribuir para a libertação dos presos políticos na Nicarágua e trabalhar para que em nenhum lugar do mundo que tenha ideias diferentes do governo no poder acabe em perseguição ou violação dos direitos humanos.”

Sobre a guerra na Ucrânia, mais uma vez, Boric não citou uma única vez o dedo do imperialismo, principalmente o americano, no conflito no leste europeu. Consequentemente, pelo simples fato de esconder uma denúncia que deve ser feita por qualquer um que se considere de esquerda, Boric, mais uma vez, joga o jogo do imperialismo, se comprometendo a “tomar todas as medidas necessárias, e não apenas declarações, para deter a guerra injusta da Rússia contra a Ucrânia e pôr um fim a todos os abusos dos poderosos em qualquer parte do mundo”.

Agora, sobre o Irã, Boric apelou, como é característico de seu governo, à política identitária. Ele clamou à comunidade internacional – leia-se, o imperialismo – que sejam feitos esforços para acabar com a violência contra as mulheres, citando o caso da morte de Mahsa Amini.

Após o ocorrido, Diosdado Cabello, o primeiro vice-presidente do Partido Socialsita Unido da Venezuela (PSUV), em seu programa “Con El Mazo Dando”, chamou o presidente chileno de “bobo”, “ridículo” e “cachorrinho”. Denunciando a postura de Boric, Diosdado criticou o fato de que, ao invés de falar sobre o que ele quer fazer pelo Chile, comenta sobre a situação de governos e povos vizinhos.

“Se eles pensam que vamos capitular porque um tolo como Boric veio falar besteira sobre a Venezuela, estão errados. Um gafo, sair para falar mal da Venezuela, ter tantos problemas, uma dívida histórica com as populações mapuches, e o que ele faz é persegui-las”, acrescentou o dirigente do PSUV.

Boric, o esquerdista mais direitista de toda a história

Durante sua campanha eleitoral, Boric foi retratado, principalmente pela imprensa capitalista, como uma figura profundamente progressista que, durante as eleições, estaria fazendo uma frente de esquerda contra a extrema-direita chilena. A reboque da burguesia, a esquerda pequeno-burguesa, em especial a brasileira, reforçou essa caracterização, chegando a afirmar que sua eleição representaria uma mudança fundamental na situação política latino-americana contra os golpes de Estado na região.

Entretanto, com o passar do tempo, seu governo se mostrou, e se mostra cada vez mais, como um governo profundamente reacionário que, de maneira geral, funciona em prol da burguesia. Afinal, sua política tem se baseado fundamentalmente na repressão, principalmente contra o povo Mapuche e os estudantes chilenos, como bem pontuou Diosdado:

“Eles [os Mapuche] foram declarados terroristas e não fazem nada, um povo que só reivindica o que lhes pertence ou uma guerra contra estudantes do ensino médio que só querem o direito de estudar.”

Atacar países que deveriam ser seus aliados na luta contra o imperialismo, o maior inimigo dos trabalhadores de toda a história, e reprimir violentamente o povo de seu próprio país que só quer lutar por melhores condições de vida, são ações que simplesmente não condizem com um governo de esquerda.

Além disso, é interessante notar como a linha política de Boric está completamente alinhada com a do imperialismo: no momento em que a imprensa burguesa intensificou seus ataques contra a Nicarágua, Boric fez o mesmo; na guerra da Rússia contra a Otan, na Ucrânia, Boric toma o partido da paz, ou seja, do imperialismo; quando iniciou-se a campanha contra a soberania do Irã, Boric foi atrás. Enfim, fica claro que suas declarações são pautadas diretamente por escritórios de Wall Street.

O próprio dirigente do PSUV deixou isso evidente ao afirmar que os ataques do presidente chileno contra a Venezuela são resultado da distância que Caracas vem mantendo dos Estados Unidos.

“Se estivéssemos negociando a entrega da Venezuela, ninguém teria nos atacado. Boric não teria ido lá para falar mal da Venezuela, nem nos mencionaria, porque lhe teriam dito ‘não diga nada cachorrinho’, porque eles vão se render, vão capitular”, afirmou Diosdado.

Em suma, não podem restar dúvidas de que o governo Boric é, inteiramente, pró-imperialista. Fabricado pelos laboratórios da Open Society, de George Soros, Boric faz parte da chamada “nova esquerda” que, brevemente, representa a mais nova manobra do imperialismo para controlar a situação política na América Latina.

Se os EUA mandam, Boric obedece. É um verdadeiro capacho do imperialismo que come na mão dos grandes capitalistas ao redor do mundo. Por isso, serve, e sempre serviu, para pôr um freio na mobilização popular chilena e, com isso, garantir que a política neoliberal continue sendo aplicada no Chile.

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