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De governador a deputado, Boulos foge da disputa em São Paulo

Boulos desiste da candidatura ao governo do Estado, o que prova que o PSOL não tem um programa a defender, embora cobre isso do PT.


Apesar de extremamente oportunistas, PSOL e Guilherme Boulos parecem ter chegado a uma conclusão mais realista do que serão as eleições para o governo do Estado de São Paulo. Boulos nunca teve chances reais de vencer e agora está sendo visto como um empecilho à possível vitória de Fernando Haddad, do PT. Não podemos descartar a hipótese de Boulos ter feito todo esse tempo de campanha para ganhar ainda mais espaço na imprensa. Na Folha de S. Paulo ele já trabalhou como colunista.

Existe também a hipótese, para a desistência de Boulos, de o PT não ter cedido em nada para o PSOL, e nem faria sentido, pois o PT é muito maior e tem chances efetivas de vencer. Temos visto todas essas movimentações de bastidores envolvendo o ex-governador tucano, Geraldo Alckmin, para vice na chapa de Lula. O que se tem dito na imprensa é que se trata de um acordo para eleger Fernando Haddad. Isso demonstra que os petistas estão levando a sério a possibilidade de conquistar o principal Estado da Federação e não deram muita bola para o PSOL.

Boulos está lá atrás nas pesquisas, aparece com apenas 6% das intenções de voto. Fernando Haddad está com 24% e em um cenário sem o psolista seu índice sobe para 30%, os exatos 6% que lhes são tirados estão com Boulos. Conforme for chegando o dia das eleições, é bastante provável que mais votos saiam do PSOL em direção ao PT, o que tornaria o fiasco ainda maior. Por outro lado, começam a surgir críticas no meio da esquerda e da mídia progressista dando conta que Guilherme Boulos esteja dividindo pela esquerda. Para este Diário, nunca restaram dúvidas de que uma das principais funções desta candidatura é justamente esta: tirar votos do PT. Vimos esse movimento nas eleições para a prefeitura do Rio que serviram como apoio à eleição de Eduardo Paes do DEM. Está ficando muito claro o papel do PSOL, o que para eles não parece ser um bom negócio.

Mudança de discurso

Guilherme Boulos deu entrevista nesta segunda-feira, 21 de março, para a Coluna de Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo. A matéria é intitulada ‘Vou ser candidato a deputado federal’, diz Boulos, desistindo de se se lançar ao governo de SP.

Em uma entrevista à mesma coluna, em abril do ano passado, Boulos afirmou estar disposto a concorrer ao governo do Estado e saiu conversando com partidos e buscando nomes para vice em sua chapa. Até o apresentador Datena, estrela de um programa sensacionalista e extremamente direitista que enaltece a polícia assassina e o esmagamento da população pobre, foi convidado. Conforme noticiado na COTV.

Guilherme Boulos afirmou que uma de suas preocupações agora é formar uma grande bancada no Congresso Nacional para derrotar o ‘Centrão, que hoje está mandando no País’. Mas não era justamente o candidato que até ontem queria fazer uma frente com deus e o mundo, incluindo ‘golpistas arrependidos’ da ‘ala democrática’ para derrotar Bolsonaro?

Boulos explica o porquê de não manter sua candidatura até o fim. Diz que tomou a decisão após conversar com o PSOL e analisar o cenário político. O discurso mudou, agora é a favor da unidade da esquerda para derrotar o tucanistão e Bolsonaro em São Paulo. Ora, Boulos e seu partido vivem cobrando que o PT feche um programa para que apoiem a candidatura de Lula à presidência da República. Se o PSOL estivesse defendendo um programa não teria desistido de concorrer. Ocorre que esse é mais um lance de oportunismo eleitoreiro.

O que foi que Guilherme Boulos viu ao ‘analisar o cenário’? Exatamente aquilo que este Diário já vem dizendo: viu que não tem votos e que os números que atingiu quando concorreu à prefeitura de São Paulo foram herdados de petistas. É preciso lembrar que desde o primeiro turno havia muitos eleitores petistas que ‘se rebelaram’ com a candidatura de Jilmar Tatto e por esse motivo votaram em Boulos nos dois turnos. Desta vez a situação é diferente, Lula está engajado na disputa e coloca Haddad em condições de vencer.

Um trecho da matéria de Guilherme Caetano em O Globo (21/mar) chama a atenção: “Apesar de não ter afirmado no comunicado, Boulos deve apoiar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes”. (grifo nosso) É uma atitude estranha para quem se coloca a favor da unidade da esquerda para derrotar Bolsonaro e o tucanistão. Na verdade, nem é assim tão estranho, a própria matéria indica que “No PSOL, no entanto, havia uma resistência ao movimento, segundo uma avaliação de que o partido ficaria fragilizado se abrisse mão da eleição no maior estado do país, uma vez que já não terá candidato à Presidência”.

Segundo a matéria, o cálculo do PSOL é que a candidatura de Boulos os ajude a superar a cláusula de barreiras. Seguramente essa é uma das perspectivas pois assim se poderia atrair mais votos para o partido que está se desmanchando. Marcelo Freixo foi para o PSB, David Miranda para o PDT e recentemente Isa Penna, a amiguinha do MBL, debandou para o PCdoB. Isso está ocorrendo porque o PSOL não tem base social e acaba sendo reduto desse tipo de político que está muito mais interessado em levar adiante projetos pessoais do que construir um verdadeiro partido de esquerda.

Segundo Guilherme Caetano, parece haver conversas com o PT que supostamente apoiaria Boulos para a prefeitura paulista em 2024. A expressiva votação alçou Boulos a um candidato natural à nova tentativa de se eleger prefeito. Parece precipitado afirmar um acordo para eleições que ocorrerão somente a daqui dois anos. E, como todos sabem, e as pesquisas estão demonstrando, Boulos não tem expressão, os 2,2 milhões de votos que recebeu não voltarão a se repetir a menos que herde .

Demagogia

O PSOL surgiu com o mote de que seria diferente do PT, mas a diferença, no caso, é para pior. Esse partido tem cumprido um papel bastante direitista dentro do movimento de luta. Lembremos que apoiou a Lava Jato. Algumas alas do partido apoiaram abertamente o Fora Dilma, ou seja, o golpe de Estado de 2016. Até hoje, faltando poucos meses para as eleições, ainda não declararam apoio à canditatura Lula, e mesmo que venham a fazê-lo, sabemos que será apenas pro forma.

Nas manifestações de rua de 2021 o PSOL botou muito empenho para trazer a direita para dentro dos atos da esquerda, mas foi rechaçado pela base. O movimento operário tem feitos experiências com esse partido e já se nota um desgaste. É importante que os trabalhadores superem essas alas pequeno-burguesas que, no final das contas, apenas servem como freio para o desenvolvimento da luta da esquerda.

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