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Assim como em toda Europa

Crise na Alemanha se acentua com mobilização dos trabalhadores

Os Estados Unidos estariam por trás da decadência alemã? A Alemanha consegue retirar de seus ombros, as garras dos Estados Unidos?


A crise histórica do imperialismo, a maior desde o ascenso do neoliberalismo no Reino Unido, no final dos anos 1970, está desnudando as operações de desmantelamento da classe trabalhadora e da Europa. A aventura da União Europeia, em se envolver na histeria do Partido Democrata dos Estados Unidos e da OTAN, parece estar cobrando a conta. Protestos na Europa tem como base a luta dos trabalhadores contra as sanções, e na Alemanha, coração do continente, essa crise soa ainda mais forte. As responsabilidades geopolíticas também batem à porta de Scholz, o primeiro-ministro.

Sholz, que assumiu o cargo em meio ao início da guerra entre a OTAN e a Rússia, tentou se promover à esteira de uma possível vitória contra Moscou e até mesmo tentou promover os lucros da indústria bélica alemã, que atua como uma máquina de grande produção de armamentos para a Ucrânia. Contudo, a crise não esconde os atores, especialmente os testas de ferro do imperialismo como Sholz. Em recente pesquisa, os alemães discordam da atuação “sobrecarregada” de chanceler, que o mesmo adquiriu. De acordo com pesquisa da agência INSA, 55% dos entrevistados acreditam que Scholz não está pronto para lidar com os desafios que a nação enfrenta.

No contexto do conflito na Ucrânia e na crise energética, 24% dos alemães acham que Scholz não têm condições de liderar o governo. Uma minoria de 37% acredita que Scholz é capaz de liderar efetivamente a nação através das dificuldades atuais. Se os alemães pudessem votar diretamente em um chanceler, apenas 27% escolheriam Scholz, segundo a pesquisa. No entanto, Friedrich Merz, líder do maior partido de oposição – a União Democrata Cristã (CDU) – ganharia ainda menos apoio, com apenas 15% dos alemães dispostos a votar nele. Movimentos de intelectuais, artistas e personalidades também escala contra o chanceler, demarcando a possibilidade dos Estados Unidos estarem usufruindo de tal condição alemã, a de possível “terra arrasada”. Em todo caso, se o movimento de intelectuais, artistas e personalidades não tiver relação com os Estados Unidos, esse segmento entende que uma ajuda militar adicional à Ucrânia só levaria a uma escalada incontrolável de hostilidades e prolongaria o sofrimento das pessoas envolvidas nos combates, um grupo de políticos e figuras públicas alemãs advertiu o chanceler Olaf Scholz em uma carta aberta. Ao fornecer armas a Kiev, a Alemanha e outras nações da OTAN “fizeram de fato um partido de guerra”, disse a carta publicada pelo Berliner Zeitung. Os coautores da carta, que incluem o ex-vice-presidente do Bundestag, Antje Vollmer, e um ex-secretário-geral adjunto da ONU, Hans-Christof Graf von Sponeck, disseram que a Ucrânia “se tornou o campo de batalha para o conflito entre a OTAN e a Rússia sobre a ordem de segurança na Europa”, que agora é travada “às custas do povo ucraniano”.

A situação de Scholz também poderia ser medida pelo DW de quarta-feira (2). Matéria recomendada pelo editorial da imprensa estatal imperialista alemã afirma: “Economia de energia: não há negócios no inverno sem luz”. O olho da reportagem consta: “Supermercado Aldi está encurtando seu horário de funcionamento. Outros comerciantes duvidam de seu sucesso. Todos querem economizar eletricidade e gás, mas os clientes adoram quente e brilhante”.

Visita de Scholz, à China, é outro sinal de crise

Timur Fomenko, analista político da RT discute em sua coluna, que a situação de Scholz o leva até a China. De acordo com Fomenko, o chanceler alemão Olaf Scholz vai visitar a China esta semana. Em meio a crescentes tensões entre Pequim e o imperialismo, Scholz fará a viagem enviando uma mensagem à revelia dos EUA, de que a Alemanha não vai fechar o comércio com a China. Para Fomenko, Olaf Scholz vai à China levar uma mensagem de que Washington não pode ditar a política externa de Berlim. Fiquemos atentos, pois Scholz perde sua legitimidade a cada dia, podendo ser presa fácil de Washington, a essa altura.

De acordo com Fomenko, Scholz até fez um aviso explícito contra a “dissociação”, algo que os EUA também têm pressionado, como visto com suas agressivas sanções relacionadas a semicondutores no mês passado. Porém, a Alemanha aprovou uma participação acionária chinesa em um porto, bem como a aquisição de uma empresa de semicondutores. Fomenko ainda explica que a Alemanha tem a política mais aberta em relação à China. O fortalecimento dos laços com Pequim foi o pilar de sustentação de Angela Merkel, que via a China como seu maior e mais lucrativo mercado de exportação para automóveis e produtos de engenharia.

A análise de Fomenko, expõe os pilares centrais da crise, ou seja, os Estados Unidos atua como chefe do condomínio imperialista, os moradores dos melhores andares também começam a se incomodar com a cantoria do dono da propriedade, e esse efeito desencadeia protestos, desnuda intenções e impõe mobilizações, que é o que se vê hoje na Europa toda, especialmente na Alemanha. A forma de dominância do poder imperialista, cada vez mais autoritária tenta manter uma ordem dentro de um profundo caos, de difícil controle.

Essa forma de negociação demonstra que apesar da crise, a Alemanha está sob captura, e é um estado zumbi, sem autonomia para grandes rupturas que favoreça sua burguesia e sua classe trabalhadora. Evidentemente, que essa classe trabalhadora, é aquela que sofrerá com a crise imposta pelos “sociais-democratas”, pelos “verdes” e pela direita tradicional de modo geral, e por isso o leste alemão impõe agenda da extrema-direita, enquanto o sul e o oeste alemão vive onda de greves. Final de outubro, o país viveu algumas greves de trabalhadores, como da siderúrgica alemã Rasselstein.

Milhares de trabalhadores industriais alemães fizeram greves por salário. Líderes do sindicato alemão IG Metall ainda alertam para mais greves. O maior sindicato industrial da Europa está exigindo um aumento salarial de 8% para 3,9 milhões de funcionários nas indústrias automotiva, metalúrgica e elétrica da Alemanha para compensar o aumento da inflação. A demanda salarial é a maior desde 2008. O setor é a espinha dorsal da economia mais ampla da Alemanha e um guia para acordos salariais em outros setores. Representantes dos empregadores ofereceram um pagamento único de €3.000 em 30 meses, argumentando que as próprias empresas estavam sendo pressionadas pelo aumento dos custos de energia e uma possível recessão.  A recusa dos empregadores em entrar em negociações salariais adequadas desencadeou essa escalada de acordo com organizadores das greves.

Essa situação toda criada pelo imperialismo, desencadeará profunda recessão e a Alemanha pode ser a chave da explicação da crise na Europa, poderia ser o ponto de equilíbrio, mas parece ter pouco poder de barganha perante o poder militar dos EUA.


COTV

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