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Esquerda golpista

“Bolsonarismo é culpa do PT”, diz PSTU que defendeu o golpe

As eleições deste ano mal terminaram e o PSTU volta atacar com a mesma política que o fez defender o golpe de Estado consagrado em 2016


As eleições deste ano mal terminaram e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) volta atacar com o Fora Todos, política que foi lançada pelo partido durante as mobilizações em defesa do golpe de estado consagrado em 2016. O suposto partido revolucionário, que marchou com a extrema-direita nas ruas pela derrubada da presidenta Dilma Rousseff, agora busca atribuir ao Partido dos Trabalhadores (PT) o surgimento e a chegada do bolsonarismo ao poder no país. O PSTU defende que o ascenso do bolsonarismo só pode ser derrotado definitivamente combatendo o novo governo de conciliação de Lula-Alckmin, esse seria o desafio da classe trabalhadora após a derrota de Bolsonaro nas urnas. 

Em total contradição com o resultado das eleições, o PSTU declarou que as “experiências recentes na América Latina e a própria trajetória dos governos do PT, aqui, mostraram que a desmoralização de governos de Frente Ampla, de aliança com a burguesia, acaba sendo impulsionadora da extrema-direita”. Seria muito importante explicar como um partido, que estaria desmoralizado diante de suas bases, conseguiu vencer a corrida eleitoral justamente contra o setor que supostamente teria capitalizado apoio em virtude do erro de sua política. Evidentemente se trata de uma análise bastante equivocada que inclusive omite o papel do imperialismo e a crise dos regimes políticos em todos os países da região. 

Em primeiro lugar, tal análise não considera as condições em que Bolsonaro chega à presidência do País, o PT tem polarizado as eleições com os partidos da burguesia desde 1989, quando Lula enfrentou Fernando Collor de Mello. Depois de duas vitórias do PSDB (em 1994 e 1998) com Fernando Henrique Cardoso, o PT ganhou quatro eleições presidências seguidas, duas vezes com Lula (2002 e 2006) e duas vezes com Dilma Rousseff (2010 e 2014). Antes de Lula ser eleito em 2002, importantes categorias como de trabalhadores dos Correios e Petrobrás se mobilizavam contra os ataques dos governos neoliberais de FHC, sua derrota colocou fim a entrega das empresas públicas e a destruição da indústria nacional, além de um período de miséria e fome no país. 

O imperialismo não estava mais disposto a tolerar tal situação, assim lançou mão da farsa jurídica do Mensalão para atacar o governo Lula, a operação não teve força naquele momento para derrubar o presidente e não evitou que Dilma fosse eleita em 2010. Diante do problema que o PT se tornou para burguesia, os representantes do imperialismo partiram para um verdadeiro “tudo ou nada” em 2014, a experiência da população garantiu a derrota de Aécio Neves (PSDB). Naquele momento, as bases direitistas já estavam bastante radicalizadas e a direita já havia sequestrado as mobilizações iniciadas em 2013 pelo “passe livre” na capital paulista e que se tornaram uma luta contra os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais 

Outros escândalos como “Petrolão” atingiam o PT e a também farsesca operação Lava-jato estava em curso, as mobilizações tomam um caráter golpista e avançam contra o governo de Dilma Rousseff, que se tornara alvo de um impeachment encomendado pelo PSDB e aceito como forma de chantagem pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. É neste momento que o PSTU, fazendo coro com a direita golpista nas ruas, lança a política irresponsável do “Fora Todos Eles” levantando uma faixa com os rostos de Dilma, Lula, Aécio, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Ao lado de organizações de extrema-direita como MBL e de defensores de intervenção militar no país, a política inconsequente do PSTU (o golpe de estado) venceu e lançou Temer à presidência para destruir os direitos dos trabalhadores. 

O PSTU em seu delírio conseguiu ver uma revolução nas mobilizações golpistas de 2016, nada estranho já que defendeu “revoluções coloridas” por todo o globo terrestre, mas não conseguiu enxergar a formação das bases de Bolsonaro, que migraram do centro político devido sua grande radicalização. As eleições demonstram esse fato de maneira muito cristalina, os candidatos do imperialismo, Geraldo Alckmin em 2018 e Simone Tebet em 2022, tiveram pouco mais de 4% dos votos válidos. Os pseudo revolucionários faliram junto com o regime político, ao invés de uma análise concreta dos acontecimentos, adotaram a política do golpista Ciro Gomes para atacar o PT. 

Impressiona que este partido não tenha conseguido entender a guerra de classes que as eleições expressaram, consideram lamentável “a posição referendada pela direção do PSOL, de integrar a transição do futuro governo. Isso é, na prática, entrar e legitimar o governo Lula-Alckmin. Ou mesmo a posição divulgada por uma de suas correntes internas, o MES, de não integrar formalmente o governo, mas apoiá-lo por fora. Fazer isso é repetir a História e ajuda, mesmo que involuntariamente, a levar água ao moinho do bolsonarismo”. A condenação do PSOL por integrar o novo governo Lula não se trata de denunciar o oportunismo desse partido, mas de um “chororô” daqueles que viram suas ilusões de unificar setores antipetistas/antilulistas se desfazerem. 

O quadro de esquizofrenia política do PSTU se mostra definitivamente irreversível, ao mesmo tempo que comemoram a vitória sobre Bolsonaro nas urnas, buscam desde já combater o novo governo do presidente Lula. A declaração textual de que “só vamos derrotar a ultradireita, pra valer, com independência de classe, mobilização e autodefesa; e lutando para mudar as condições sociais, políticas e econômicas que possibilitaram seu surgimento. E isso não vai ser possível junto com um governo de aliança com bilionários” pode parecer algo progressista, porém tem outro sentido, a ideia é fazer como determinados setores de esquerda que acusam Lula de ser o candidato da burguesia. 

É possível que o PSTU não tenha sido informado sobre o financiamento das campanhas de Lula e Bolsonaro no segundo turno das eleições, enquanto o petista arrecadou pouco mais de R$ 1 milhão, o verdadeiro candidato da burguesia recebeu R$ 65 milhões. Os ditos marxistas deveriam saber que apoio real de campanha é material, declarar “amor” ao Lula como fez diversos setores não garante vitória nas eleições. A denúncia de que o aparente apoio de representantes de banqueiros se tratava de uma chantagem foi confirmado por Henrique Meirelles. Depois da declaração de Lula sobre não privilegiar o pagamento de juros para banqueiros em detrimento dos serviços públicos e programas sociais, o banqueiro disse que o presidente eleito sinalizava em direção à Dilma e que só poderia desejar “boa sorte”. Nem mesmo a declaração de Lula contra a privatização das empresas públicas e a manipulação dos especuladores na Bolsa foi suficiente para o PSTU entender o que está em jogo e que devemos disputar o governo Lula com a burguesia.     

Ainda sobre a declaração anterior, vale destacar que o PSTU foi contra a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e todos os golpistas” lançada pelo PCO ainda durante as eleições de 2018. Tal partido não foi responsável pela organização de nenhum ato e só aderiu à luta contra Bolsonaro em 2020, a palavra de ordem levantada pelo PSTU foi “Fora Bolsonaro e Mourão”, um apelo pela cassação da chapa aos ministros golpistas do Tribunal Superior Eleitoral, uma verdadeira piada. É preciso destacar que os críticos da chapa Lula-Alckmin assinaram o denominado “super pedido de impeachment” com golpistas contumazes, inimigos dos trabalhadores, como Joice Halsemann, Alexandre Frota e Kim Kataguiri. Além dessa presepada, o PSTU também defendeu a infiltração de golpistas do PSDB e do MBL nas mobilizações da esquerda pelo Fora Bolsonaro. 

O alerta do PSTU de que “temos de organizar e fortalecer uma oposição de esquerda que possa batalhar, em frente única nas lutas e nas ruas, para enfrentar a extrema-direita e, também, os ataques que inevitavelmente virão do novo governo” demonstra este partido certamente integrará uma futura empreitada golpista contra o novo governo do presidente Lula. É preciso denunciar desde já os setores serviçais do imperialismo dentro da esquerda brasileira.

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