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Polarização

Biden deve perder controle do Congresso para o trumpismo

Controle do senado também está ameaçado por um Partido Republicano ainda mais unificado atrás de Donald Trump


Ocorrem hoje (08) as eleições de meio de mandato nos EUA. Em meio à crescente polarização política, em grande medida impulsionada pela oposição de extrema direita, liderada pelo ex-presidente Donald Trump, a votação promete um resultado oposto às eleições presidenciais de 2020. Biden não conseguiu entregar praticamente nada do que prometeu à população norte-americana, muito menos o que era esperado por boa parte de seus eleitores iludidos com a política de uma esquerda oportunista que apresentava o democrata como um “mal menor”. Os democratas, prestes a perder o controle do Congresso e, muito provavelmente, do Senado afirmam que o pleito é “um plebiscito pela democracia”; do outro lado, o partido Republicano cada vez mais unificado em torno do trumpismo expande as fronteiras de sua propaganda focada em questões morais para o terreno econômico e prometem conter a crescente inflação; e o bolso do eleitorado pesa cada vez mais na hora da decisão.

No âmbito federal, estão em jogo 35 dos 100 postos ao Senado e todos os 435 assentos do Congresso, que se renova a cada dois anos. No estadual, o governo de 36 estados e 3 territórios (espécie de colônias norte-americanas), 56% dos assentos nas câmaras superiores, praticamente a totalidade das câmaras inferiores e uma série de cargos administrativos estatais como o de advogado-geral do Estado e secretário do Estado. Estes últimos são de interesse especial dos republicanos, pois ambos influenciam o procedimento eleitoral de seus estados e podem ser decisivos em uma nova contestação do resultado eleitoral em 2024, se esta se fizer necessária.

A minoria de 8 senadores e 139 congressistas republicanos que apoiaram Trump em sua empreitada às vésperas da posse de Joe Biden devem se reeleger e ampliar sua base, em detrimento da ala “constitucionalista” de seu partido. A estratégia democrata de apostar na suposta tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021 como espantalho eleitoral, ao ponto que financiaram candidatos trumpistas por considerarem que seriam adversários mais fáceis, deve sair derrotada das urnas. A prisão do mentor intelectual do trumpismo, Donald Trump e o espetáculo televisivo da comissão parlamentar de inquérito para o dia 6 de janeiro parecem não ter estimulado o eleitorado indeciso a sair de casa e, ao contrário do esperado, radicalizaram a base trumpista, cada vez mais certa de que seu líder é alvo de uma perseguição dos poderosos – ao menos uma ala deles.

O fracasso dessa estratégia ficou claro antes mesmo das eleições, quando a republicana Liz Cheney, filha do ex-vice-presidente Dick Cheney, perdeu sua candidatura à reeleição para o Congresso. Cheney é uma dos dois republicanos a integrar a comissão que julga os supostos crimes de Trump, que teria incitado sua base a invadir o Capitólio num “golpe de Estado”. Essa fantasia do setor mais poderoso da burguesia norte-americana foi rejeitada pela base do partido republicano.

A popularidade de Biden oscila pouco acima dos 40%. Há rumores de que o presidente e sua vice não fizeram comício em certos estados para não piorar as chances dos candidatos de seu partido. A questão do aborto, em voga após o Supremo Tribunal Federal conservador devolver a autoridade sobre o tema aos estados, apesar de ter gerado certa mobilização não agita as massas como a inflação próxima dos dois dígitos, em especial nos combustíveis, tópico especialmente sensível para a população norte-americana.

Finalmente, a ala supostamente à esquerda do Partido Democrata está completamente secundarizada em eleições completamente polarizadas. O ímpeto de Trump, apesar de sua derrota nas eleições de 2020, só fez aproximar Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez e outros à política imperialista dos falcões de seu partido. A última, eleita para confrontar os democratas conservadores, foi ela mesma confrontada por seus eleitores diante de seu apoio ao envio de dezenas de bilhões de dólares à Ucrânia em esforço de guerra contra a Rússia. Sua colega Ilhan Omar foi alvo das mesmas críticas por parte de militantes de esquerda temerosos de uma “terceira guerra mundial”, nuclear, mostrando que conhecem melhor seu governo do que as próprias parlamentares.

No lugar de mobilizar sua base, Sanders apenas denunciou o investimento de bilionários republicanos em campanhas de seus candidatos. Como se os democratas não fizessem o mesmo. O senador sequer denunciou a campanha de intimidação que ocorre em estados mais conservadores contra trabalhadores, como reporta o portal Common Dreams.

Sem uma alternativa real ao pólo criado por Donald Trump, essas eleições prometem um alto índice de abstenção e uma vitória avassaladora do Partido Republicano. A modelagem estatística do portal que agrega pesquisas eleitorais FiverThirtyEight aponta chance de 83% de maioria republicana no Congresso e de 56% no Senado. Isso para não contar a vitória praticamente certa para o governo de 14 estados. Eles próprios ainda indicam que, como no passado, as pesquisas podem estar ocultando um crescimento ainda maior dos republicanos.

Independentemente do resultado, a situação política é uma lição para a esquerda mundial. Se a esquerda não organizar os trabalhadores em torno de seus interesses, a direita o fará com sua campanha demagógica. E pior, ao alinhar-se com a ala mais importante – e mais odiada pelas massas – do imperialismo, a esquerda garante uma profunda derrota. É preciso abandonar imediatamente essa política de seguir campanhas burguesas e lutar de uma vez por todas pelo fim das provocações e conflitos com países oprimidos, pela restauração de direitos trabalhistas e do poder de compra da população e por outras questões de interesse popular. E é preciso começar agora, ou o retorno de Trump em 2024 será certo.

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