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BB, Bradesco, Itaú e Santander lucram R$157 bi na pandemia

Além da alta dos juros e das tarifas, lucros extraordinários foram obtidos com cortes de vagas, terceirização e sobrecarga de trabalho


─ Tiago Pereira, RBA ─ Os três maiores bancos privados do Brasil registraram R$ 69,4 bilhões de lucro em 2021, em meio à pandemia. Trata-se de aumento de 30% em relação ao ano anterior. Já o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem (15) que obteve lucro líquido ajustado de R$ 21,021 bilhões no ano passado, alta de 51% na comparação com 2020. Desse modo, somados aos R$ 67 bilhões de 2020, quatro dos maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander e BB) acumulam em dois anos de pandemia R$ 157,4 bilhões – a Caixa ainda não divulgou seus resultados.

As receitas cresceram em função da elevação dos juros e das tarifas bancárias. Mas o lucro dos bancos também foi devido ao aumento da exploração dos trabalhadores do setor. O BB, por exemplo, fechou 7.076 postos de trabalho em 2021, seguindo a trajetória de redução de empregos verificada nos últimos anos. O Bradesco, do mesmo modo, extinguiu 2.301 vagas, apesar dos R$ 26 bilhões de lucro.

No Itaú Unibanco, os funcionários reclamam da sobrecarga de trabalho, apesar da alta de 45% nos lucros, que totalizaram R$ 26,8 bilhões. No Santander, que engordou seus ganhos em R$ 16,3 bilhões, as despesas com pessoal caíram 1,7% no mesmo período, apesar de o banco ter anunciado aumento de vagas.

Banco do Brasil

Getúlio Maciel, dirigente do Banco do Brasil pela Fetec-CUT/SP e integrante da Comissão Executiva dos Funcionários do BB (CEBB), afirma que os resultados positivos também foram obtidos às custas da saúde dos funcionários. Nesse sentido, ele aponta que, até o mês passado, 4 mil colegas foram contaminados pela covid-19.

“Tristemente, a atual direção do BB apostou na imunidade de rebanho, comprometendo a saúde dos funcionários e de seus familiares, num claro alinhamento com a postura negacionista do desgoverno Bolsonaro”, afirmou ao site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Sobre os cortes, ele afirma que os funcionários estão sobrecarregados, acumulando funções e adoecendo. Como resultado, o atendimento aos clientes fica prejudicado. Assim, é o “cenário ideal”, segundo ele, para jogar a população contra a instituição. “É uma estratégia orquestrada para forçar a privatização do banco. Tudo aquilo que os governos de orientação neoliberal e os bancos privados querem”, diz Getúlio.

Bradesco

Apesar de seguir registrando balanços positivos, o Bradesco fechou 448 agências. Em razão disso, inclusive, os trabalhadores denunciam sobrecarga de trabalho, aumento da exploração e piora no atendimento ao cliente. Apenas com o que arrecada com tarifas, a instituição cobre 128,66% de sua folha de pagamento, incluindo a participação nos lucros ou resultados (PLR).

“O banco não tem por que demitir com esses resultados. Muito pelo contrário, tanto Bradesco quanto outros bancos poderiam contratar mais para contribuir com a geração de empregos, o que beneficiaria o país e faria com que atendessem melhor a população”, afirma a secretária-geral do sindicato, Neiva Ribeiro, bancária do Bradesco.

Itaú Unibanco

No Itaú Unibanco, os lucros foram equivalentes a mais de duas vezes e meia o gasto com pessoal. Somente o valor arrecadado com as tarifas, o banco consegue pagar toda a sua folha de pagamento e ainda sobram R$ 18,4 bilhões. No ano passado, o banco ampliou a sua base de clientes em 32,5%. A quantidade de trabalhadores, no entanto, aumentou apenas 8,0%.

“Novamente os dados reforçam que as contratações realizadas em 2021 não passaram nem perto de diminuir a sobrecarga de trabalho no Itaú, onde as metas são cada vez mais abusivas”, disse Marta Soares, secretária de Comunicação do sindicato e bancária do Itaú.

Santander

O banco espanhol foi o primeiro a apresentar seus resultados. O lucro líquido de R$ 16,3 bilhões representou alta de 7% em relação a 2020. Não por acaso, as operações brasileiras respondem por 26,9% do lucro global da instituição. O banco abriu cerca de 4,2 mil postos de trabalho no ano passado. A maior parte, no entanto, não são de bancários, mas funcionários terceirizados. Assim, as despesas com pessoal, incluída a PLR, caíram 1,7% no período.

“As agências permanecem com poucos funcionários, sobrecarregados, adoecidos, sofrendo assédio e uma pressão absurda por metas”, avalia a também diretora do Sindicato e coordenadora da COE Santander, Lucimara Malaquias. É o Santander reduzindo a remuneração e cortando direitos para majorar seu resultado às custas dos trabalhadores que constroem o lucro do banco dia após dia”, acrescenta. 

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