“Trotskista” da Globo

Aviso a Marcus Sokol: a defesa da paz é a defesa da OTAN

Dirigente da OT se coloca como um dos mais fervorosos esquerdistas a favor da “Ucrânia”, isto é, do controle do país pela OTAN e seus mercenários nazistas

O dirigente da corrente interna do PT O Trabalho e membro da executiva nacional do partido, Markus Sokol, segue sendo um dos mais ávidos críticos das ações de Putin na Ucrânia. Após ganhar um espaço na Folha de S. Paulo, ele também foi entrevistado na Globo News.

A imprensa burguesa dá holofotes a este setor da esquerda que ataca a Rússia para tentar influenciar as bases do PT, que tem uma enorme tendência a se colocar contra o imperialismo a favor da Rússia. Seu principal argumento “em defesa da paz” é na realidade uma defesa do regime vigente antes da ação russa, ou seja, da vitória da OTAN no confronto.

A organização segue a tendência do “trotskismo” internacional que se coloca contra os governos nacionalistas, ou até mesmo socialista, em todo o planeta se colocando ao lado do golpismo do imperialismo. A mais clássica dessas organizações é o PSTU, que apoiou os golpes no Egito em 2013, na Ucrânia em 2014, no Brasil em 2016 e as tentativas de golpe na Venezuela, na Nicarágua e em Cuba dentre muitos outros. A OT parece estar se desviando para estas posições do “trotksismo” pró-imperialista que só pode levar as piores políticas possíveis como o “Fora Dilma” de 2016 e agora o “Fora Putin”.

O argumento que embasa o posicionamento de Sokol contra a ação russa na Ucrânia é de que essa estaria sendo a vítima de um Rússia quase imperial, que Vladimir Putin esta na tentativa de recriar o império russo da época dos czares. É mais uma das versões que afirma que a Rússia é uma país imperialista e que portanto na disputa entre OTAN e Rússia a esquerda não deveria se colocar contra ambos. Ele afirma com todas as letras que a Rússia é um país capitalista que não é oprimido, mas que oprime diversos povos, como por exemplo os ucranianos.

Considerar que a Rússia não é um país oprimido é um completo absurdo, primeiro por que ela esta longe de ser um país imperialista que tem uma parcela do domínio mundial. Nem o Império dos Czares nem a URSS atingiu nada perto disso mas a Rússia, após a destruição neoliberal da década de 1990, se encontra em uma posição muito mais fraca do que em ambos os outros momentos. Atualmente a Rússia é um grande exportador de matérias-primas, gás, petróleo, trigo, madeira, etc., isso de longe é a economia de um país imperialista, configura na verdade exatamente o que se espera de um país atrasado e dominado pelo imperialismo.

O que a Rússia possui é uma industrialização, conquistada pela revolução, mais ou menos análoga ao Brasil e uma indústria bélica de ponta, que ao ser observada na guerra pode fazer parecer que o país é mais desenvolvido do que de fato é. Sendo assim, considerar a Rússia um país imperialista levaria a também considerar Brasil e China também, o que seria um completo absurdo. Estes 3 e também a Índia na verdade são potências regionais que por seu tamanho conseguem bater de frente com o imperialismo em alguma medida. Que é o que de fato acontece na Ucrânia, a OTAN quer uma base militar na fronteira da Rússia e Putin decidiu que não vai aceitar.

Isso significa que o argumento de que Putin quer reconstruir o império dos czares é uma farsa completa. Na realidade a Rússia é vítima do imperialismo, perdeu diversos territórios após a queda da URSS, a OTAN chegou a sua fronteira por meio do Báltico, sofre sanções econômicas que vem de antes da guerra, os países em seu entorno são vítimas de tentativas de golpe, como a Bielorrússia e o Cazaquistão. O país está sob amplo ataque do imperialismo. Putin atacou o governo golpista da Ucrânia como medida defensiva ao perceber que o governo Biden está em uma profunda crise.

Outra falha na argumentação de Sokol é de que Putin gostaria de destruir a Ucrânia, de que ele considera que o país não existe de fato por que foi inventado por Lenin após a revolução. Apesar de Putin ser um crítico de Lenin ele em nenhum momento se propôs a anexar a Ucrânia, os correspondentes do PCO na Rússia noticiaram até que para evitar o desrespeito a soberania ucraniana os russos estão hasteando a bandeira da URSS ao invés da bandeira russa. Outro fator é que a ação militar está sendo traçada de maneira cuidadosa para impedir a destruição do país, visto que o objetivo é que ele se torne um aliado da Rússia.

A autodeterminação da Ucrânia alias, defendida por Sokol, não pode ser levantada como argumento porque o que existiu no país a partir de 2014 foi um regime totalmente submisso aos EUA e ainda baseado em milícias nazistas que determinaram uma ditadura sob a população que se colocou contra o golpe e/ou a favor da Rússia. Este é outro fator ignorado pelo dirigente da OT, a presença gigantesca do nazismo no país, financiado e organizado pela OTAN para transformar a Ucrânia em uma ferramenta de agressão à Rússia.

O repórter da Globo News afirma que maior parte da esquerda defende e que Bolsonaro defendem Putin, ambas afirmações falsas. No confronto Rússia-OTAN a esmagadora maioria da esquerda e também o próprio presidente fascista se colocaram a reboque do imperialismo, defendendo abertamente a “Ucrânia” (OTAN) ou adotando o nem nem, que na prática é a favor da OTAN. Sokol desmente que a esquerda esteja a favor da Rússia e depois afirma que os setores da esquerda que se colocaram a favor da Rússia adotaram uma postura binária, que não é preciso aderir a um dos lados.

A realidade é que em muitos momentos a disputa política se coloca de forma binária, Lula contra  os golpistas, Maduro contra Guaidó, o Talibã contra o exército dos EUA e agora a Rússia contra a OTAN. Nesses casos é preciso ficar ao lado do oprimido pois ao não se tomar nenhum dos lados a posição que se assume é a do mais forte, ou seja, do opressor. A posição “pela paz” também conhecida com nem nem na verdade é a defesa do mais forte e nesse caso o mais forte não é a Rússia mas sim a OTAN, a aliança militar dos países imperialistas que esmagam todos os povos do mundo.

O dirigente da OT poderia seguir menos a posição da Folha de S. Paulo e da Globo News e mais a posição de que ele diz se inspirar, Leon Trótski. Quando a URSS dirigida por Stalin invadiu a Finlândia, uma situação semelhante com a atual, mesmo sendo totalmente contra a burocracia stalinista Trótski ficou a favor da invasão. Mesmo com a situação sendo muito mais complexa e difícil de justificar do que é luta atual dos russos contra os nazistas financiados pela OTAN. A defesa da paz quando os povos oprimidos se levantam contra seus algozes não tem nada de marxismo.

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