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16 pessoas

Atropelamento de 16 pessoas: isso sim é que é fascismo

Esquerda não deve apoiar métodos repressivos contra manifestações legais


Desde o resultado do segundo turno das eleições, um movimento novo apareceu no cenário político nacional: grupos de bolsonaristas localizados, em protesto contra o resultado das eleições ocorridas no último domingo (31), a qual elegeu Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato, bloquearam diversas estradas pelo Brasil. Hoje essas manifestações chegam ao seu quinto dia, mas já estão bem mais enfraquecidas de que no início, com menos de 50 pontos de bloqueio.

Na tarde de quarta-feira (02), uma cena espantosa foi observada na Rodovia Washington Luiz, na altura do km 451, em Mirassol (SP). Um homem de 28 anos furou o bloqueio de bolsonaristas no local atropelando 17 pessoas, incluindo crianças, de acordo com o boletim de ocorrência. Os números, entretanto, variam de 15 a 17.

Ao mesmo tempo, seguindo a histeria protagonizada pela esquerda nos últimos dias, chamando os manifestantes de fascistas, golpistas e até terroristas, esse setor aplaudiu o atropelamento e o aceitou como uma atitude completamente normal frente às circunstâncias.

É evidente que isso é inaceitável. Não é assim que um ato de protesto deve ser tratado — o nome disso, na realidade, é fascismo. Atacar deliberadamente uma série de pessoas que estão protestando, o que é de fato um direito, é um ato fascista e que de fato fere a “democracia” a qual a esquerda tanto defende e diz que está sendo ferida pelos bloqueios bolsonaristas.

A que ponto chega a esquerda, de defender um suposto fascismo com atos fascistas? Podemos lembrar, por exemplo, do caso que ocorreu em 2017, em Charlottesville, nos Estados Unidos, no qual James Alex Fields, Jr, autodeclarado supremacista branco e neonazista, deliberadamente atropelou 36 pessoas, matando uma, em um protesto que ia contra uma marcha supremacista que ocorria na cidade.

Parece irreal que seja preciso esclarecer para a esquerda que atropelar pessoas é um método fascista de combate. Logo a esquerda, que prega tanto o “amor contra o ódio”, o respeito, se calando para as atitudes do imperialismo no país e fechando os olhos para as atitudes da direita contra o povo.

É evidente que boa parte dessa histeria é controlada pela imprensa burguesa. Essa, que já largou as estribeiras e chama abertamente os manifestantes de “golpistas”, tem pregado que o bloqueio das estradas vai levar a uma situação catastrófica, incentivando a atual postura da esquerda que afirma estar na luta contra o fascismo.

É importante, primeiramente, ressaltar o fato de que o bloqueio de estradas é um método tradicional de protesto da esquerda, tendo diversos movimentos já realizado essa ação, não só com pneus e outras barricadas, mas com pessoas, seja em manifestações pequenas ou grandes. Assim como as greves, o objetivo desses atos é incomodar, é chamar atenção para o problema afetando a ordem das coisas e, sobretudo, o bolso dos patrões — não é porque a manifestação tem um caráter reacionário, o que é fato, que a esquerda deve adotar concepções agressivas e, sobretudo opressivas, frente a manifestações.

Outro ponto a ser observado é que, no fim das contas, a direita, inclusive a direita bolsonarista e o próprio Bolsonaro, se posiciona contra os bloqueios. Governadores como Rodrigo Garcia, Cláudio Castro, Zema e Ratinho Júnior, representantes óbvios da direita com fortes ligações ao bolsonarismo e à burguesia, estão reprimindo ferozmente os manifestantes, enviando a polícia militar e aplicando multas para cada dia a mais de protestos. Não só isso, mas também existem boatos de que o próprio motorista do carro é um bolsonarista, o que coloca o movimento em contradição. Até mesmo Bolsonaro tem feito apelos para que os bloqueios cessem, afirmando que isso é algo típico da esquerda.

Tudo isso, na realidade, demonstra que a esquerda está fazendo uma espécie de frente ampla com a direita, apoiando métodos de repressão ofensivos e fascistas contra um movimento que, independentemente do caráter reacionário, é reivindicativo e, em certa medida, confuso.

Obviamente a esquerda não deveria apenas ficar parada, assistindo. Podemos separar a manifestação em dois segmentos: os caminhoneiros, que estão fazendo os bloqueios nas estradas, e manifestantes avulsos, que estão realizando pequenos atos em diversas cidades, sobretudo no interior. 

Em relação aos caminhoneiros, são trabalhadores, confusos, que estão com a pauta do bolsonarismo pelos apelos sofridos durante seu governo com os benefícios recebidos pelos caminhoneiros, mesmo que estes não sejam verdadeiros, como a suposta baixa do diesel. Com isso, seria necessário que a esquerda, mais especificamente a CUT e o próprio Lula, apresentassem um programa para esse setor, indo conversar com essas pessoas para que se esclareça que Bolsonaro é o principal inimigo, não Lula.

Por outro lado, contra as manifestações bolsonaristas, que são legítimas, a esquerda precisaria se organizar e realizar suas próprias manifestações em apoio a Lula para se opor. Não devemos ser contra manifestações políticas, mas sim colocar a posição revolucionária da esquerda nas ruas, fazendo outra manifestação como forma de oposição utilizando métodos revolucionários, e não fascistas.


COTV

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