O assassinato do tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu, Marcelo Aloizio de Arruda, no último sábado, dia 9, quando um bolsonarista invadiu sua festa de aniversário ameaçando matar todo mundo, acendeu um enorme debate na imprensa golpista e no meio da esquerda.
O assassino, agente penitenciário, teria voltado armado para a festa e matado o petista, guarda municipal, que também estava armado e revidou.
O destaque dado ao caso pela imprensa, com capas dos jornais e portais na internet, editoriais e análises, tem como objetivo bem claro o de conter a latente polarização política no País, que pode explodir em uma verdadeira guerra quanto mais se aproximam as eleições. A burguesia está preocupada com a polarização justamente porque ela seria a maior inimiga da terceira via, que depende de uma situação pacífica para prosperar. A burguesia não quer também que as ruas descambem para um enfrentamento, com possibilidade de uma explosão popular.
Nesse sentido, os jornais burgueses tentam convencer a esquerda, em particular seus dirigentes, que o mais seguro é “ficar em casa”, é recuar. A esquerda, por sua vez, aproveitou o caso para insistir na política pacifista. O que mais se leu nos comentários de dirigentes da esquerda foram frases feitas e sem conteúdo como “o amor vai vencer o ódio”, “pela paz” e a campanha pelo desarmamento. Em grande medida uma campanha hipócrita, já que o próprio companheiro do PT assassinado, por ser guarda municipal, sacou uma arma para se defender do bolsonarista, que está no hospital ferido.
Fato é que ao invés de fazer discurso falsamente pacifista, os dirigentes da esquerda deveriam se preocupar em discutir como os militantes e o povo vai se defender dos ataques da extrema-direita e não reforçar o discurso da imprensa golpista cujo interesse é deixar a campanha de Lula em casa.
Nesse espírito capitulador, Juliano Medeiros, presidente do PSOL, afirmou, de acordo com matéria da Folha de S. Paulo, que irá propor a Lula que “a coordenação da pré-campanha denuncie formalmente a autoridades a violência política nesse período pré-eleitoral. A ideia é sugerir que o conselho político, composto por presidentes de partidos aliados, encaminhem pedido de ajuda a órgãos como CNJ (Conselho Nacional de Justiça), OAB (Ordem de Advogados do Brasil), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e o próprio STF (Supremo Tribunal Federal).
Essa proposta de Juliano Medeiros expressa bem o clima dos dirigentes da esquerda pequeno-burguesa. Apostar nas instituições acima de qualquer coisa.
Vejam bem que a proposta não é denunciar o ocorrido para todas essas instituições, mas “pedir ajuda”. Segundo essa ideia, o STF e o CNJ, ou seja, o Judiciário que prendeu Lula criminosamente, iriam ajudar. Vale lembrar que o assassino do militante do PT era ele mesmo um elemento ligado aos órgãos de repressão.
A esquerda pequeno-burguesa está tão penetrada pela política institucional que não consegue enxergar nenhuma saída que não passe por essa via.
O discurso pacifista vazio e a cretinice institucional da esquerda só darão mais espaço para a extrema-direita. Os líderes bolsonaristas, a começar pelo próprio filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, publicaram mensagens ironizando o ocorrido em Foz do Iguaçu. Com essa atitude, os bolsonaristas ganham cada vez mais força entre seus apoiadores, ao contrário da esquerda que enfraquece a mobilização e o espírito de reação.
A política de Juliano Medeiros é irresponsável, como é irresponsável a política dos dirigentes da esquerda que ao invés de denunciar e chamar a população a reagir, abaixam a cabeça e pregam um pacifismo utópico, desarmando a militância.
O caminho para enfrentar a extrema-direita é a mobilização. Qualquer recuo será entregar as ruas para o fascismo, o que será um desastre político de enormes proporções para o povo e para as próprios eleições.




