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Base social do fascismo

A classe média brasileira não é pior que a do resto do mundo

O vício dos intelectuais de falarem mal do Brasil


É comum em setores acadêmicos e intelectuais da classe média esquerdista ou semi-esquerdista falar mal do Brasil e do povo brasileiro. É um reflexo condicionado da burguesia que possui extrema admiração pelos países imperialistas. Se um direitista de classe média mostra seu amor pelos norte-americanos e sonha em morar em Miami, o esquerdista prefere os europeus, e gosta das teorias acadêmicas produzidas naquelas universidades.

O golpe de Estado e a ascensão de Bolsonaro ao governo reforçou esse fenômeno. Os esquerdistas acadêmicos, alheios à luta política e aos reais problemas da classe trabalhadora, passaram a culpar o povo por todas as desgraças que acontecem no País atualmente. Em suma, segundo esses teóricos, o bolsonarismo não teria chegado ao poder como resultado de um processo golpista, promovido pelo imperialismo, que impulsionou a extrema-direita, mas porque o povo brasileiro teria alguma predisposição maléfica.

Um perfil no Twitter publicou no dia 15 de outubro uma entrevista de cinco anos atrás do psicanalista Tales Ab’Saber na Globonews. O convidado tenta explicar os momentos anteriores à vitória de Bolsonaro, portanto de ascensão da extrema-direita, afirmando que a classe média brasileira seria a que mais odeia os trabalhadores do próprio País.

Conforme resumiu o perfil no Twitter, o Brasil seria talvez “o único” país onde a classe média odeia os pobres e prefere a burguesia. Portanto, nos demais países capitalistas, deveríamos crer que a classe média é a melhor amiga dos pobres.

Uma das características principais da classe média é justamente servir como um colchão que separa a burguesia da classe operária. Essa contenção se dá de várias maneiras, uma das mais importantes é justamente o ódio de classe que a burguesia nutre nos setores médios contra os trabalhadores. A classe média é colocada numa posição socialmente superior para servir como um agente direto de repressão e opressão da classe operária.

Das duas uma: ou o capitalismo só existe no Brasil, único país em que a classe média cumpre a função de classe média, ou o nosso psicanalista não tem a menor ideia do que está falando.

Até o ruim do Brasil é pior do que o resto do mundo

No afã de falar mal da classe média brasileira, o professor acaba atribuindo os defeitos típicos dessa classe a uma espécie de caráter específico do brasileiro. É como se ele dissesse o seguinte: “no resto do mundo, as pessoas vivem em perfeita harmonia, só no Brasil que não”. Fica claro o absurdo dessa ideia. Por trás dessa concepção está justamente a ideia de que no Brasil tudo é pior.

Se levássemos a sério a ideia do psicanalista, como explicar que a extrema-direita está em ascensão em quase todos os países capitalistas, em particular nos Estados Unidos e na Europa? Seria graças ao amor da classe média aos pobres?

Ultimamente tem sido comum usar a psicanálise para explicar a política. O problema é que, quase sempre, os pretensos intelectuais acabam, como é o caso de Tales Ab’Saber, caindo numa psicanálise vulgar e numa política idealista. Não acerta em nenhuma das duas tentativas. Sem uma análise concreta das classes sociais não é possível compreender a psicologia dessas classes.

A classe média é a base social do fascismo. Não é assim apenas no Brasil, mas no mundo todo. Foi assim na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. Se a psicologia da classe média favorece uma histeria e desespero que a leva a apoiar o fascismo, é somente graças à sua posição econômica na sociedade.

Ao colocar a culpa por todas as desgraças do Brasil a particularidades do brasileiro, seja de que classe for, esses pretensos intelectuais estão escondendo as reais causas dos fenômenos políticos. Quem deu o golpe de Estado no Brasil não foi nenhum ódio particular da classe média, mas a burguesia, especialmente o imperialismo, que manipulou setores da classe média para esse fim. Sobre isso, se diz pouco. Se há um vilão real nessa história – se é que podemos chamar assim – é o imperialismo e as instituições que o representam: imprensa golpista, Judiciário etc. Não é nenhuma especificidade do povo brasileiro.


COTV

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