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Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Futebol Brasileiro

Torcedores vascaínos: retomem o clube dos negros e operários!

O mais recente ataque, apoiado por essa ala do imperialismo e setores do capital financeiro da burguesia nacional, foi a aprovação do chamado Clube Empresa, que vai transformar os


A torcida vascaína, historicamente, é a torcida mais politizada e consciente de sua tarefa histórica enquanto movimento social que intervém na realidade esportiva, cultural, política e econômica, da sociedade brasileira. Não vou me ater às centenas de milhares de exemplos que eu poderia destacar. Dariam pilhas e mais pilhas de livros para ser escritos. Nesse artigo de orientação política, quero me ater apenas à dialética política da situação atual dessa centenária instituição.

Atualmente, o futebol brasileiro, enquanto dimensão social que perpassa as dimensões econômica e política, vem sofrendo sucessivos ataques comandados pelo imperialismo. Principalmente, por parte do imperialismo europeu, que no quadro geopolítico e econômico internacional do mundo da bola, é quem tem dado as cartas do baralho.

O mais recente ataque, apoiado por essa ala do imperialismo e setores do capital financeiro da burguesia nacional, foi a aprovação do chamado Clube Empresa, que vai transformar os clubes de futebol em sociedades anônimas. Abrindo assim, para que nossos concorrentes internacionais adquiram ações de nossos clubes e os implodam por dentro.

O Estado e diversos setores da economia nacional, vem sofrendo um processo de extorsão e saque por parte do capital financeiro internacional, através do sequestro tanto do orçamento do Estado, como de diversos setores da economia. Basta observar o religioso pagamento da dívida pública e o crescimento desta (mesmo com esse “pagamento”), e também a Operação Lava Jato (e demais operações policialescas e pirotécnicas) com a destruição de empresas nacionais estratégicas e saque do orçamento dessas empresas. Tudo isso, tem sido intermediado principalmente pelo judiciário.

O caso do Club de Regatas Vasco da Gama, é exemplar nesse sentido. Basta entrar na justiça contra o Club, que certamente você já tem sua aposentadoria milionária garantida. Foram incontáveis as vezes que nos deparamos com o processo de penhora, determinações arbitrárias para o pagamento de dívidas absurdas, etc. Isso tem levado o Vasco, literalmente, para o fundo do poço.

Essa situação em que o Vasco da Gama se encontra, é justamente o momento onde surgem os mágicos de soluções fáceis. O debate para transformar esse histórico Club dos negros, operários, indígenas, lgbts, mulheres e camponeses, em um Club dos almofadinhas do Clube Empresa, vem aparecendo, e por hora, está comendo pelas beiradas, buscando aglutinar um determinado apoio e lastro social.

Porém, por ser um Club de futebol que se ergueu pelas mãos dos oprimidos, esse processo de transformação do Gigante da Colina em um clube aburguesado, terá que se defrontar com uma torcida completamente indignada e engajada na tentativa de recuperar o time.

Recentemente foram mais de 150 mil associações no programa de sócio torcedor, campanha de financiamento coletivo para a construção do Centro de Treinamento Moacyr Barbosa. Essa torcida levantou seu próprio estádio de futebol, doou aviões para o combate ao nazifascismo, lotou o estádio em discursos históricos de figuras como o Presidente Getúlio Vargas e o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes.

Observando essa movimentação histórica e a potencialidade existente na torcida vascaína, a burguesia e os cartolas, se lançaram em uma constante campanha de perseguição política contra as torcidas organizadas do Vasco, com prisões arbitrárias de dirigentes, punições infindáveis de exclusão da participação nas arquibancadas, censura, etc. Existe inclusive projetos de lei, que visam a extinção das organizadas e é apoiado pelos golpistas que estão sequestrando o poder político do país.

No dia do aniversário de 123 anos do Club, as torcidas organizadas e centenas de outros torcedores do Club, foram para frente de São Januário manifestar pela saída da atual diretoria e contra a ridícula atuação dos atletas profissionais do time de futebol.

No dia 10/09/2021, diversos dirigentes das várias torcidas organizadas do Vasco, foram até São Januário cobrar a atual diretoria pelo péssimo desempenho administrativo e esportivo. Os torcedoras ocuparam a sala da presidência e entoavam palavras de ordem destacando que o Club do Povo retornaria para o povo. Esses torcedores, foram denunciados de forma arbitrária por essa diretoria ilegítima, mesmo não tendo danificado absolutamente nada do patrimônio do club, apenas colocando suas reivindicações.

Esses mesmos torcedores que são denunciados e perseguidos de uma maneira ridícula pela atual diretoria do Vasco, são os mesmos que deram inúmeras demonstrações de apoio aos jogadores, mesmo com esse elenco ridículo fazendo apresentações patéticas em todo o ano de 2021. São diversos exemplos de massivas recepções e acolhimentos com centenas de torcedores, onde quer que o Vasco fosse jogar.

Recentemente abriu-se brechas institucionais, com a aprovação das eleições diretas para a diretoria administrativa do Club e com a facilitação para a associação dos torcedores mais pobres junto ao Club. Todas essas questões institucionais, somam-se ao processo extra-institucional, de unidade entre as torcidas organizadas e a ascensão da popularidade da maior liderança da torcida vascaína atualmente, que é o ex. dirigente da Força Jovem Vasco e dono do canal “Feriado Decretado”, Wallace Neguere. Nesse sentido, nunca o terreno esteve tão favorável para que uma liderança popular consiga finalmente presidir o Vasco e nos livrar dos abutres que são responsáveis pela situação vexatória em que o club se encontra.

Observando essa dinâmica política da luta de classes que se estabelece internamente no Club de Regatas Vasco da Gama, podemos tirar como orientação política para o próximo período três direcionamentos:

1 – É preciso intensificar o máximo possível as mobilizações pela derrubada da diretoria administrativa atual. Se preciso, organizar atos e caravanas para que parte de nossos 15 milhões de torcedores vascaínos vá pressionar em São Januário, para efetivação dessa reivindicação que é primordial para que se abra um novo ciclo político no Club;

2 – Há que iniciar imediatamente uma campanha política e uma articulação entre todas as torcidas organizadas do Vasco, para a manutenção da unidade entre as organizadas e para efetuar uma massiva associação de suas bases no programa de sócio torcedor do clube;

3 – É necessário desde já iniciar o debate de um programa político proletário para o Vasco da Gama que coloque o torcedor trabalhador como elemento central do clube e que acabe com as ingerências e desmandos de empresários como Carlos Leite nos interesses do Club, bem como, lançar a candidatura de Wallace Neguere para Presidência do Club de Regatas Vasco da Gama, enquanto legitimo representante das camadas populares e oprimidas, que são a esmagadora maioria dos torcedores do Vasco.

Não podemos dar nenhuma trégua para os representantes dos capitalistas e dos cartolas, que hoje estão levando o Vasco para o fundo do poço. A torcida vascaína, que sempre foi pioneira das lutas populares na dimensão do futebol, tem novamente a oportunidade de se destacar e ser o exemplo para os demais torcedores de outros clubes de futebol no país. É preciso agarrar essa chance com todas as forças e devolver o clube do povo PARA O POVO!

Fora Salgado!

Por um futebol controlado pelos trabalhadores!

Wallace Neguere para Presidente do Club de Regatas Vasco da Gama já!

A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a posição deste Diário.


COTV

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