Conflito nuclear

Irã denuncia sabotagem em explosão de usina nuclear

Na manhã de domingo (11), a Organização de Energia Atômica do Irã reportou uma explosão na usina nuclear de Natanz

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, culpou Israel pela explosão de uma usina nuclear no país, ocorrida neste domingo, acusando o Estado judeu de sabotagem da usina nuclear.

O porta-voz da chancelaria iraniana foi mais longe ao considerar a sabotagem da usina nuclear como um “ato contra a humanidade”, pois, mesmo que não tenha havido consequências humanas e ambientais negativas, “poderia causar um desastre”. Adicionalmente, Khatibzadeh informou que o Irã vai substituir as centrífugas danificadas na usina nuclear de Natanz por outras mais modernas.

Algumas fontes, sob condição de anonimato, relataram ao jornal norte-americano The New York Times uma operação secreta de Israel, acrescentando que “a explosão provocou um duro golpe à capacidade do Irã para enriquecer urânio, e que levaria no mínimo nove meses para restaurar a produção em Natanz”.

Israel é, deste modo, o principal suspeito, uma vez que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria declarado que não confiava na nação persa, e que faria tudo para prevenir que Teerã (capital do Irã) viesse a adquirir armas nucleares, mesmo que o último tenha várias vezes assegurado que a natureza de seu programa nuclear é somente civil.

A explosão sucedeu às conversações em Viena (Itália) entre os membros do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que pretendem levar os EUA e o Irã de volta ao acordo nuclear, após Washington ter se retirado unilateralmente do mesmo em 2018, sob a presidência de Donald Trump, e recolocado sanções duras contra Teerã.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, chegou neste domingo (11) em Tel Aviv para discutir a questão nuclear iraniana, na primeira visita a Israel de um alto funcionário do governo do presidente americano Joe Biden.

O “novo” governo dos Estados Unidos, sob liderança do nada moderado Joe Biden, parece estar disposto a levar adiante uma guerra contra o Irã. Desta vez, o secretário de Estado, Antony Blinken, em entrevista à NBC News, disse que o país do Golfo Pérsico estaria próximo de produzir armas nucleares.

Em contrapartida, o ministro de relações exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif rejeitou as acusações do norte-americano, em entrevista à maior produtora de fake news do mundo, CNN. Zarif foi categórico ao afirmar que se o Irã realmente quisesse ter armas nucleares, já o teria feito a bastante tempo atrás.

É impossível não reconhecer as semelhanças entre o que está a ocorrer no Irã agora e o que se passou no Iraque. A retórica utilizada é a mesma, sem tirar nem por.

Deve ficar claro que não foi o Irã que saiu do tratado, mas o governo de Donald Trump que o fez, unilateralmente, em 2018. Fica óbvio que o discurso de Blinken é completamente contraditório. Se o intuito real fosse apenas impedir a proliferação de armas nucleares pelo Irã, o caminho lógico seria de uma aproximação diplomática, como a reentrada dos Estados Unidos no acordo previamente firmado. Todavia, isto não está a ocorrer.

O principal general de Israel, Aviv Kohavi, afirmou, há poucos dias, que seria um erro os Estados Unidos voltarem ao acordo com o Irã. Segundo ele, isto implicaria em dificuldades operacionais. Sem sombra de dúvidas, o exército de Israel parece estar se preparando para uma guerra em larga escala contra o Irã e um acordo nuclear, seja o de 2015, quanto um mais novo, impediria o conflito durante algum tempo.

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