Desde o dia 5 de março, quando petroleiros da Bahia retomaram a greve contra a privatização da RLAM (Refinaria Landhulfo Alves), 4 estados acompanharam a iniciativa, que já se desdobrou em paralisações no Amazonas, no Espírito Santo, em Pernambuco e em São Paulo. A rápida adesão ao movimento em vários estados e a participação dos trabalhadores terceirizados expressam a tendência à mobilização neste momento e apontam para a necessidade da organização de uma greve nacional dos petroleiros, bem como sua unificação com outros setores da classe trabalhadora.
A mobilização começou na Bahia porque o governo golpista de Bolsonaro vendeu a RLAM para os capitalistas do Fundo Mubadala, dos Emirados Áraves, por US$1,65 bilhão de dólares, sendo que, segundo avaliação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), baseada em cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a refinaria valeria entre US$3 bilhões e US$4 bilhões. Ou seja, os golpistas venderam a 2ª maior refinaria do País pela metade de seu valor real! Ainda entregaram para o imperialismo, de lambuja, 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a unidade ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também foram vendidos no pacote, junto com outros três terminais do estado (Candeias, Jequié e Itabunas).
Desde então, o movimento se espalhou por várias outras unidades no País, mobilizando também trabalhadores terceirizados e sobretudo em refinarias, os setores mais ameaçados pela privatização. Entre as reivindicações estão a luta contra a privatização, contra a destruição das condições de trabalho e contra os riscos de acidentes e o avanço do coronavírus nas instalações e unidades da empresa.
Surtos de Covid
Segundo informações da FUP, outro aspecto da política criminosa dos golpistas contra os petroleiros é a pandemia. Conforme relata a entidade:
“Os surtos de Covid vêm sendo relatados pela FUP por seus sindicatos em diversas unidades do Sistema Petrobrás. Na Rlam, dois operadores morreram em um espaço de uma semana, após complicações geradas pela doença. Segundo o Sindipetro-BA, cerca de 80 trabalhadores já foram contaminados na refinaria nas últimas semanas. Por conta do avanço da pandemia no estado, o sindicato conseguiu que a Petrobrás suspendesse temporariamente as paradas de manutenção.
O mesmo aconteceu no Paraná, na Repar, onde o Sindipetro-PR/SC também convenceu a gestão a postergar para 12 de abril o início das paradas de manutenção. “Continuaremos atentos às condições sanitárias e às taxas de ocupação dos hospitais de Araucária e Região para verificar se a parada de manutenção poderá ser realizada na nova data apontada, visando a segurança de todos os trabalhadores”, informou o sindicato.”
O programa da burguesia
O objetivo do governo neoliberal é claro, liquidar a indústria nacional em favor dos capitalistas estrangeiros. Essa política de entreguismo total tem impactos diretos em várias áreas. Em primeiro, lugar os trabalhadores serão demitidos, como já está ocorrendo, vide caso da Fafen no Paraná e das unidades que foram hibernadas no Nordeste.
Em segundo lugar, os preços de todos os produtos produzidos pela empresa e outros baseados neles, aumentarão exponencialmente, como já está se verificando na questão dos combustíveis. Hoje os preços da empresa estão vinculados ao mercado internacional, à bolsa de valores dos EUA, como se fossem um produto importado, não nacional.
Um dos piores impactos, do ponto de vista econômico e estratégico, é que os golpistas estão entregando entregando a exploração das próprias riquezas nacionais aos grandes capitalistas estrangeiros, sobretudo ao imperialismo. Se um país não tem autonomia para explorar e tomar decisões sobre suas próprias riquezas, não existe soberania nacional.
O programa dos trabalhadores
Por isso, diante deste verdadeiro crime contra a população brasileira e inúmeras gerações, é preciso que os petroleiros do Brasil inteiro se unifiquem em um amplo movimento, uma greve nacional com o apoio da classe operária, de outras categorias e da esquerda, assim como os professores, que estão em greve.

Em 2018, os petroleiros, junto com os caminhoneiros, praticamente pararam o País por vários dias. Naquele momento, a greve dos petroleiros e a mobilização de conjunto da CUT (Central Única dos Trabalhadores) não chegou a tempo de se encaixar na mobilização dos condutores, o que deu oportunidade do governo golpista de Temer se reagrupar e derrotar a greve.
No entanto, este exemplo mostrou porque a mobilização dos trabalhadores é a única alternativa à barbárie que está sendo promovida no País desde o golpe de Estado de 2016, que vem se agravando com o governo Bolsonaro e a pandemia.

Bolsonaro e a direita “científica”, que já mataram quase 300 mil pessoas (apenas em dados oficiais) e estão entregando a economia ao imperialismo, retirando as condições mínimas de vida dos trabalhadores, não irão parar a não ser se forem barrados pela força de um amplo movimento popular, com o apoio da classe operária e de todos os oprimidos. A greve dos petroleiros, como a greve dos caminhoneiros em 2018, é um ingrediente deste necessário movimento para derrotar todos os golpistas e sua ofensiva neoliberal.





