A Polícia Federal (PF) invadiu, na manhã desta terça-feira (11), a residência de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato do Partido à Presidência da República. Os agentes chegaram ao local por volta das 6 horas, arrombaram o portão da casa e cumpriram um mandado de busca e apreensão. Um escritório ligado ao dirigente, que estava vazio, também foi alvo da operação.
A ação ocorreu apenas três dias depois do lançamento público das candidaturas do PCO para as eleições de outubro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a operação estaria relacionada a uma investigação sobre serviços gráficos contratados pelo Partido ao longo de cinco anos. Pimenta e outros dirigentes, porém, não haviam sido informados previamente sobre o motivo da operação.
Em nota divulgada nesta terça-feira, a Executiva Nacional do PCO classificou a ação como uma perseguição política e eleitoral contra o Partido e seu candidato à Presidência. O documento denuncia ainda o caráter intimidatório da operação e relaciona o episódio às demais investigações e processos movidos contra o PCO e seus dirigentes nos últimos anos.
Leia abaixo a nota do Partido da Causa Operária na íntegra:
Perseguição política: Polícia Federal invade casa de Rui Costa Pimenta
Na manhã desta terça-feira (11), a Polícia Federal (PF) realizou uma operação de “busca e apreensão” contra o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO.
A medida é ilegal, antidemocrática, uma óbvia perseguição política e eleitoral e uma tática de intimidação. Homens armados da PF apresentaram um descabido mandado judicial, às 6 horas da manhã, e adentraram a casa de Rui, bem como invadiram um escritório, em outro endereço, que estava vazio, arrombando portas e o portão de sua casa.
Qual seria o motivo? O que buscavam? O Partido e Rui até agora não fazem ideia. Rui descobriu a operação quando os policiais arrombaram seu portão; outros dirigentes foram informados pela imprensa.
O inquérito trataria, pelo que diz a imprensa, de uma investigação sobre prestações de serviços contratadas pelo Partido de três empresas gráficas ao longo de (pasmem) cinco anos. Os valores somam, de acordo com o site Metrópoles, R$1,8 milhão. Considerando-se os ditos cinco anos e três empresas, seriam, na média aproximada, R$120 mil por ano por empresa.
O referido “portal de notícias” desempenha com frequência o papel de “vazar fatos” e dar voz a acusações caluniosas que não podem ser ditas em documentos oficiais. Neste caso, a jornalista Mirelle Pinheiro disse que a PF suspeita de irregularidades em “contratos milionários” do PCO. Não há menção a um único contrato que chegue a um milhão. A sanha persecutória é tão grande que até atropela o bom uso da língua portuguesa e da capacidade de contar. Se o analfabetismo linguístico e matemático tem origem nas “fontes” ou na jornalista, nunca saberemos.
Nas campanhas eleitorais de 2018, 2020 e 2022, o Partido lançou um total de 442 candidatos de acordo com a plataforma Divulgacand, do TSE. R$1,8 milhão resulta em meros R$4.072 por candidato.
Para efeito de cálculo, o então prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que era candidato à reeleição em 2020, gastou R$1.848.718,19 em materiais impressos na referida eleição. Covas gastou R$2.200.000,00 em advogados nesta eleição, mais de R$10 milhões em produção de vídeos. Gastou incríveis R$1,8 milhão em pesquisas eleitorais.
Um único município, um único candidato, uma única eleição. Nesse caso, o PSDB gastou mais em materiais impressos do que o PCO em todos os pleitos citados.
A única coisa descoberta pela PF é que o serviço foi prestado e que o Partido realiza campanhas extremamente espartanas. Ao invadir a casa de Rui, também descobriram que o companheiro vive uma vida simples, sem luxos, sem dinheiro guardado, mais humilde do que os agentes que invadiram sua casa, no bairro do Jabaquara.
Para os que não conhecem a cidade, trata-se de um bairro de classe média-baixa e operária em São Paulo, com o companheiro morando a 10 minutos de caminhada da Favela da Alba, em uma casa alugada.
Rui ainda teve de apontar o fato de que sua maior riqueza era a sua biblioteca, algo que quem já esteve na residência do companheiro poderá confirmar.
Os agentes, decepcionados, tiveram de se contentar em levar o celular e o passaporte. Sem joias, sem bens preciosos ou qualquer coisa similar.
A tática de invadir a casa dos perseguidos às seis da manhã, arrombando as portas, também merece um comentário. A polícia faz isso para ser o mais próximo legalmente possível do que fazia o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) da ditadura militar. Após o fim do regime militar, a Constituição proibiu a invasão da casa dos cidadãos durante a noite, então os policiais hoje contentam-se em fazer o mais próximo possível disso. Rui e o Partido denunciaram esta prática contra Lula e outras pessoas, particularmente na ditatorial e ilegal Operação Lava Jato. Também o fizeram no famigerado Inquérito das “Fake News”, além de, é claro, durante a própria ditadura militar.
Não se trata apenas de um abuso de poder e perseguição flagrantes, trata-se de um ato ridículo e digno de palhaços de circo. É evidente que montaram um show para a imprensa usando o dinheiro público e o aparato policial.
Tudo isso acontece enquanto juízes e ministros, como Alexandre de Moraes, ostentam relógios de luxo, cujo valor de apenas um pode chegar a mais de R$500 mil. A revista Veja relata que ele teria vários relógios desse porte, tendo em relógios mais do que o companheiro Rui tem na vida. As esposas de pessoas como ele celebram contratos de dezenas de milhões com bancos e realizam viagens luxuosas com banqueiros e empresários. Estes andam com proteção da Polícia Federal; os que nada têm são assediados por ela.
O grande capital e o imperialismo fizeram da República um verdadeiro bordel, comprando parlamentares, juízes, promotores e burocratas para fazer o que bem entendem e sem nem esconder. Essa corja, desprovida de qualquer autoridade moral e política, quer acusar aqueles que sempre lutaram pelos direitos do povo de corrupção. É o cúmulo da hipocrisia.
A operação acontece meros três dias após o lançamento público da candidatura presidencial do Partido, tendo Rui como candidato, mostrando que o problema não é a impressão dos (poucos) panfletos do PCO, mas calar quem se opõe à pilhagem do Estado, da Nação e da classe trabalhadora.
O PCO tem sido sistematicamente perseguido pela burguesia, pelos tribunais, pelos policiais e pelo imperialismo. Rui e outros companheiros são investigados por terrorismo e racismo ao defenderem a resistência palestina, investigados por denunciarem o estupro da Constituição por parte do Supremo Tribunal Federal e a perseguição judicial feita contra todos, tanto contra Lula quanto contra Bolsonaro.
Apenas o lobby sionista, representado pela Conib e similares, apresentou dezenas de denúncias contra o PCO e seu presidente por conta das suas posições em defesa do povo palestino, de denúncia do genocídio, do assassinato de crianças e pela sua defesa do direito dos povos de resistir à ocupação por todos os meios, algo que até o limitado “direito internacional” reconhece.
Nosso Partido é um partido de princípios, nem o mais rampeiro analista nega isso. O partido defendeu a liberdade de Cesare Battisti, de Lula, de Bolsonaro, de deputados presos como José Dirceu e Daniel Silveira.
Defendemos o direito de falar de comediantes e jornalistas, de amigos e inimigos. Defendemos o direito de associação e de greve para todos, de carteiros a metalúrgicos e até mesmo policiais e militares, corporações que consideramos inimigas naturais da classe trabalhadora.
Um peso, uma medida. Princípios e doutrina política. Coerência e constância. Fazendo muito com quase nada. É disso que é feito o Partido da Causa Operária, organização fundada durante a ditadura militar e que milita todos os dias, não apenas na eleição.
Essa perseguição implacável é o maior elogio que poderíamos receber. Os ataques dos inimigos de classe, dos inimigos do Brasil, dos inimigos das liberdades individuais não mentem.
A Polícia Federal não invade a casa de quem não incomoda, de quem é a oposição consentida ao que aí está. Nenhum partido pretensamente revolucionário é tratado como nós somos.
A todos os cidadãos livre-pensantes, a todos os partidos, organizações e pessoas que defendem os direitos democráticos e individuais, fazemos um chamado: repudiem em alto e bom som o que está sendo feito.
Chamamos todos a se juntarem nessa luta, ao lado do verdadeiro partido antissistema, e a repudiar essa covarde agressão.
Executiva Nacional do Partido da Causa Operária
11 de agosto de 2026




