Em 20 de janeiro, no evento da posse de Joe Biden (partido Democrata) para a presidência da República nos Estados Unidos, ao redor de 25 mil soldados da Guarda Nacional montaram um esquema de segurança sem precedentes em Washington, para evitar manifestações armadas de apoiadores de Donald Trump.
Episódio singular, a invasão do Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, aconteceu em 6 de janeiro, em consonância com manifestações em diversas capitais e cidades. Milhares de apoiadores de Trump tomaram o prédio para impedir a certificação da vitória eleitoral de Biden. A imprensa capitalista mundial retratou – em uníssono – a manifestação como uma tentativa de golpe de Estado fascista contra “as instituições democráticas nos EUA”. Em absoluto, não se tratava disso.
Está previsto o julgamento do impeachment de Donald Trump no Senado em 8 de fevereiro, o que pode resultar na cassação dos direitos políticos e inviabilizar sua candidatura para as eleições presidenciais de 2024. Sete mil agentes da Guarda Nacional permanecerão em Washington até o início do julgamento.
A presença dos agentes da Guarda Nacional mostram que muito há ainda para acontecer. A crise política é profunda nos Estados Unidos, o coração do imperialismo mundial. A polarização política e as tensões sociais são visíveis no país. A própria ascensão de Donald Trump é um sintoma da crise do sistema político americano, projetado para manter o monopólio do poder político nas mãos das forças tradicionais do imperialismo.
Nas eleições de 2016, Trump foi eleito contra a candidata apoiada pelo imperialismo, a ex-secretária de Estado do governo Obama, Hilary Clinton. Em diversos aspectos, a política de Trump se chocou com as determinações da burguesia imperialista americana, que vêm sendo aplicadas nos últimos 30 anos. Um processo de impeachment foi aberto anteriormente, porém sem êxito. Apesar de sua retórica agressiva contra a Venezuela e o Irã, por exemplo, Trump não iniciou nenhuma ofensiva militar contra estes países. Em relação à Coreia do Norte, o ex-presidente proferiu muitas ameaças, para em seguida recuar. Nas questões do Iraque e Síria, Trump propôs a retirada da tropas americanas.
O imperialismo organizou as eleições para derrotar Trump e colocar um representante político de sua total confiança, da ala dos falcões da política norte-americana, ligado aos setores dominantes da burguesia. A posse de Biden não pôs um fim no problema e a crise continuará a se intensificar. A presença de agentes da Guarda Nacional comprova que as tensões persistem.




