O maior império do mundo está em completa decadência. Com a crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus, o país da “liberdade e da democracia”, onde os homens enriqueceriam, só pode ser degustado nas produções cinematográfica. A realidade, para boa parte da população trabalhadora dos Estados Unidos, é tão cruel quanto nos países de economia atrasada. Segundo matéria do jornal USA Today, existem, atualmente, 43,5 milhões de estadunidenses vivendo na pobreza; e essa massa de desalentados, no entanto, deve aumentar com o agravamento da crise da pandemia.
De acordo com o artigo, nos EUA, um indivíduo com rendimento anual de U$12.760 (o equivalente à cerca R$70.690) é considerado como vivendo abaixo da linha da pobreza, na maior parte do país. Nesse quadro, aglutinam-se milhões de indivíduos na luta pela sobrevivência. Além das condições gerais críticas para boa parte da população, as comunidades de pobreza concentrada – caracterizadas pelo Censo – são conhecidas por terem 40% da população abaixo da linha da pobreza. Como resultado direto das condições sociais, essas áreas concentram, também, altas taxas de criminalidade, baixo qualidade educacional etc., acarretando maiores dificuldades para os moradores em conseguirem um emprego que retire a pessoa dessa linha limítrofe. Ademais, em todo o país, 9,6% dos 43,5 milhões de miseráveis que vivem abaixo da linha da pobreza residem em comunidades de pobreza concentrada.
O depauperamento dos EUA é notório. Se por um lado a pandemia elevou a fortuna de alguns bilionários à enésima potência, a tragédia social se apresenta como reprodução diária das condições de vida de aproximadamente 14% da população ianque. Esse ritmo crescente, porém, foi alvo de investigações. Buscando identificar as cidades mais afetadas pela pobreza extrema em todos os estados, a 24/7 Wall St. analisou os dados do Censo sobre a parcela da população que vive abaixo da linha da pobreza em bairros de pobreza concentrada em cada uma das 383 áreas metropolitanas do país. Os dados – incluindo desemprego – foram retirados da Comunidade Americana 2018 do U.S. Census Bureau’s 2018 American Community Survey, entidade governamental responsável por pesquisas geográficas e estatísticas.
Com taxa geral da pobreza chegando à 30%, há casos como é o caso de Laredo, no Texas, onde a taxa de pobreza concentrada chega a mais da metade da população (52,3%), o cenário dos EUA é alarmante. Outros estados como Pensilvânia, Califórnia, Arkansas, Arizona, Alabama, Colorado, Delaware etc., também integraram os dados apresentados pela matéria. Com sensíveis mudanças, em boa parte dos casos, o que se pode ver é que o país mais rico do mundo mergulha numa crise catastrófica, denotando o colapso do regime político estadunidense e do próprio capitalismo.
Na Califórnia, um dos estados mais ricos do país, as precárias condições de vida são frequentemente agravadas para uma significativa parcela da população, principalmente para os que também vivem em bairros extremamente pobres. Em Fresno, por exemplo, uma a cada três das 231.111 pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza residem em bairros onde pelo menos 40% da população tem uma renda de nível de pobreza. Com oportunidades de emprego cada vez mais limitadas nos bairros mais pobres, o desemprego em partes da área metropolitana cresce, sobretudo onde a taxa de pobreza é de pelo menos 40%, está em 14,5%, bem acima da taxa média de desemprego (8,5%).
Na Georgia, onde se concentra um dos maiores índices de pobreza extrema, 38,2% vive abaixo da linha da pobreza. Em Albany, 38,2% dos 37.204 moradores possuem renda abaixo do nível de pobreza, sendo que 38,2% dessas pessoas vivem em bairros de pobreza concentrada.
Se o centro do capitalismo está atolado no pântano da miséria, o que dirá dos países de economia atrasada? A dita terra da liberdade e da democracia, tornou-se o lugar onde mora a miséria e uma das maiores taxas de óbito por conta do novo coronavírus. Enquanto meia dúzia de banqueiros lucram com a crise, milhões de trabalhadores entram na lista da pobreza extrema, padecem e morrem em macas de hospitais aguardando atendimento. Os dados revelam, além do aumento da pobreza extrema, um verdadeiro apartheid social, típico de países capitalistas, onde a pobreza se concentra em bairros específicos, longe da burguesia que, ao sugar todo o sangue dos trabalhadores em busca do lucro, aumenta a segregação social, concentra mais e mais capital e deixa apenas as migalhas para o povo.





