Campanha 3 e 4 de setembro

Conferência Nacional dos Bancários: mobilizar na rua

Nessa campanha salarial dos bancários, as direções sindicais devem organizar as mobilizações da categoria nas ruas contra a ofensiva dos banqueiros

Nos próximos dias 3 e 4 de setembro acontece, de forma virtual, a 23ª Conferência Nacional dos Bancários.

Primeiramente o que chama a atenção é que as direções das organizações sindicais dos bancários, num momento de extrema gravidade para a categoria bancária em que os banqueiros e seus governos implementam uma ofensiva reacionária aos trabalhadores, ainda adotem a política do “fica em casa” – logicamente para a burocracia sindical, já que a maioria dos bancários não deixaram de trabalhar presencialmente desde o começo da pandemia – realizando a conferência de forma virtual, política essa que demonstrou está em estado falimentar, quando a classe trabalhadora tem lotado os atos pelo Fora Bolsonaro no país afora.

Nada pode substituir uma grande mobilização de toda a categoria, uma agitação real, de massas, nos espaços públicos, com os sindicatos abertos com o objetivo de atender a demanda dos trabalhadores. Afinal de contas, daria muito bem para realizar uma conferência, com cerca de mil delegados, na quadra dos bancários em São Paulo, por exemplo. Um lugar amplo que daria para suportar esse contingente de trabalhadores tranquilamente, respeitando todas as medidas de proteções sanitárias. Para quem já participou de conferências, congressos, plenárias, de forma virtual, sabe muito bem que esse formato é extremamente limitado para a participação dos trabalhadores, geralmente são colocados painéis com palestrantes, extremamente enfadonhas (sabe-se lá se a pessoal do outro lado da tela está realmente participando), sem que haja uma participação efetiva dos delegados, sem debates e discussões acaloradas que só acontecem de forma presencial.

Os trabalhadores bancários, a cada dia que passa, veem-se em uma situação insuportável em relação às já precárias condições de vida. É fato que o governo ilegítimo Bolsonaro não tem solução para a profunda crise econômica do País, expressão da grave crise de conjunto da economia capitalista mundial. Para salvar da bancarrota os lucros de um punhado de ricos banqueiros, industriais, latifundiários, especuladores e parasitas de toda a sorte, e tentar conter a crise política de seu governo (expressão de interesses divergentes, e mesmo antagônicos entre setores principais da burguesia, como os do grande capital financeiro e do grande capital nacional), tudo que o governo reacionário tem a oferecer à classe trabalhadora são os ataques cada vez mais violentos às já duros condições de vida: arrocho salarial, demissões, aumento de impostos, ataques às aposentadorias e aos direitos trabalhistas, privatizações, terceirizações, destruição da Previdência, sucateamento da Educação, Saúde, etc. Não importam os jargões que se adotem para os “modelos econômicos” da burguesia, a essência da política e dos planos econômicos dos diversos governos capitalistas é sempre a mesma: lançar sobre as costas dos trabalhadores e do conjunto da população explorada todo o ônus da especulação e da orgia capitalista nacional e internacional.

E é nesse sentido que a luta da categoria na Campanha Salarial deste ano, em discussão na 23ª Conferência, é de extrema importância. A pauta de discussão deve estar voltada para a luta em defesa das necessidades mais sentidas da categoria que, passa antes de tudo por um aumento real para os bancários. Quando se fala em aumento real é a defesa da pauta tradicional dos trabalhadores de, pelo menos, 20%, e não os 0,05% acordados com os banqueiros, no famigerado acordo de dois anos. Pela organização urgente da luta contra as demissões, PDV’s, contra as reestruturações que vem fechado centenas de agências e dependências bancárias com a perda de funções de milhares de trabalhadores e a transferência compulsória de funcionários, transformando a vida do bancário e de suas famílias num verdadeiro caos! Nesse momento, a única forma de barra a ofensiva dos banqueiros e seus governos, e arrancar as reivindicações da categoria, é unificar os trabalhadores bancários e preparar um forte movimento nacional de oposição à ofensiva reacionária dos banqueiros. Aproveitar as mobilizações de massas que estão acontecendo em todo o País pelo Fora Bolsonaro e construir com as demais organizações de luta dos trabalhadores, com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e construir a greve geral para por abaixo o governo do golpe.

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