Na quinta-feira, 30 de setembro, o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy foi condenado a cumprir um ano de detenção pelo crime de financiamento ilegal de campanha. No entanto, a juíza Caroline Viguier, presidente do tribunal, determinou que o cumprimento da pena se dará em prisão domiciliar e Sarkozy terá de usar uma tornozeleira eletrônica 24 horas por dia.
A sentença diz que Sarkozy gastou 42,8 milhões de euros (cerca de 2, 694 milhões) na campanha eleitoral, quase o dobro do autorizado pela legislação. O suposto crime refere-se à campanha eleitoral de 2012. Caroline também afirmou que o ex-presidente, na época candidato, continuou com sua campanha apesar das advertências por escrito sobre o estouro do teto legal de gastos.
Sarkozy se pronunciou sobre o pedido de prisão na rede social Twitter. Em sua defesa, ele alegou que se trata de uma “injustiça” e que o processo na sua totalidade é “um conto”.
O ex-presidente também fora condenado a um ano de prisão no dia 1º de maio por supostamente tentar influenciar um juiz quando exercia o mandato presidencial.
Nicolas Sarkozy governou a França de 2007 até 2012. Seu partido União por um Movimento Popular (UMP), que depois se transformou em Os Republicanos, é um partido político que representa a burguesia francesa. Seu histórico político é característico de um direitista, com ataques aos imigrantes africanos e asiáticos, contribuição às intervenções militares imperialistas na Líbia, Iraque e Afeganistão. As intervenções e a destruição desses países significaram a imigração forçada de milhões de pessoas para os países europeus.
Os processos abertos contra Sarkozy são expressão de uma luta entre setores da burguesia francesa. Aparentemente, o político é parte de um setor da direita que está se chocando com a ala fundamental da burguesia imperialista francesa, que neste momento está representada pelo atual presidente Emmanuel Macron (França em Marcha). Este é o motivo das condenações e não qualquer tipo de crime de tipo eleitoral, seja ele suposto ou real.
O sistema político democrático-burguês na França está dominado pelo imperialismo. Pela sua própria essência, este sistema é corrupto e funciona para falsificar e distorcer a vontade popular, na medida em que os piores inimigos da população aparecem como “democraticamente eleitos pelo povo”. Todos os partidos burgueses cometem irregularidades, uma vez que é da natureza do próprio sistema. O discurso sobre a moralidade não passa de uma falácia para que um setor ataque outro na luta política.





