A recessão oficializada na Alemanha e na França, os mais poderosos da União Europeia – UE, para os quais os outros países são obrigados a enviar suas riquezas, demonstra o tamanho da crise no bloco. Os analistas econômicos do mundo todo já falam em depressão econômica e isso é um indício dessa recessão.
Indústrias paralisadas, comércio fechado, desemprego em massa. Não se questiona mais se haverá ou não uma recessão na UE, ela já é uma realidade por lá. Agora, o que se discute é como sair disso, quando se flexibilizarão as medidas de contenção da pandemia, e quanto tempo isso vai durar. Economistas prevêem que efeitos sejam sentidos por décadas, com mudanças no cenário macroeconômico.
Divulgada nesta quarta-feira (08/04), a avaliação intitulada “Economia em choque – política financeira resiste”, que serve de orientação para o governo alemão, alerta que a situação econômica da Alemanha ainda pode piorar.
De acordo com os maiores institutos econômicos da Alemanha, o Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá encolher em 4,2% este ano devido à pandemia do coronavírus, e somente no segundo trimestre do ano, a economia deverá recuar 9,8% em decorrência das medidas de isolamento social.
Segundo os especialistas, medidas adicionais para conter o avanço da infecção pelo coronavírus Sars-Cov-2, causador da doença pulmonar covid-19, poderiam paralisar a produção por mais tempo do que o previsto ou mais amplamente, levando à falência de empresas.
Economicamente, a Alemanha depende fortemente dos estados da Baviera, de Baden-Württemberg e da Renânia do Norte-Vestfália, os mais atingidos pela pandemia. Essas regiões sediam gigantes corporativas, como as montadoras Mercedes Benz, Porsche e BMW, além de empresas como a E.On, ThyssenKrupp e Allianz. Os três estados concentram dois terços dos cerca de 108 mil casos confirmados de infecção pelo coronavírus no país.
O desemprego já alcança quase 6%. O diretor de conjuntura do Ifo, Timo ollmershäuser afirma que: “A recessão deixa marcas profundas no mercado de trabalho e no orçamento do Estado”. E complementa dizendo que: “No pico [da crise], a taxa de desemprego subirá para 5,9% este ano”, projeta o especialista, que diz também que o número de trabalhadores com jornada de trabalho reduzida (Kurzarbeiter, em alemão) deverá aumentar para 2,4 milhões. O programa de Kurzarbeit foi implementado na Alemanha para minimizar as demissões durante a crise de 2008.
A França, por sua vez, já enfrenta uma recessão inédita causada pela epidemia do coronavírus. O PIB francês despencou 6% nos primeiros três meses do ano, o pior resultado trimestral desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, segundo uma projeção do banco central francês. O desemprego temporário já atinge quase 6 milhões de trabalhadores, e a maioria dos setores da economia francesa está impactada pela crise.
Depois de analisar os dados de 8.500 empresas, o Banco da França estima que a atividade econômica no país caiu 32% nos últimos 15 dias do mês de março, período que coincide com o início do isolamento decretado pelo governo. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (8), revela que a maioria dos setores está afetada pela medida, começando pela construção, comércio, transportes, hotelaria e restaurantes.
A França entrou na terça-feira na quarta semana de confinamento, o que deixou muitos setores econômicos totalmente paralisados. De acordo com o Instituto de Estatísticas da França, um mês de confinamento custaria ao país quase 3 pontos do PIB em um ano. Dois meses de confinamento custariam quase 6 pontos.
O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, comunicou de Bruxelas, que os ministros das Finanças do bloco fracassaram na tentativa de chegar a um acordo sobre uma resposta econômica comum à pandemia de Covid-19. A unidade dos 27, nesta reunião do dia 08, confirma a tendência anterior de sua impossibilidade, uma vez que continuam mostrando divergências, aparentemente irreconciliáveis, após o fracasso da cúpula de chefes de Estado e de Governo ocorrida em 26 de março.
A mutualização da dívida é, de fato, uma linha vermelha para Berlim e Haia, que se recusam a se comprometer com um empréstimo conjunto com Estados fortemente endividados, que consideram maus administradores. Para o ministro das Finanças da Holanda, Wopke Hoekstra, os “coronabônus” causariam mais problemas do que soluções para revitalizar a economia.
Ao que tudo indica, o coronavírus poderá redesenhar a zona de influências dos países imperialistas na economia mundial. Muito embora possa parecer que quem tiver um pouco mais de gordura para queimar possa se recuperar melhor da crise e se impor, o fato é que, com o aumento do desemprego no mundo, a crise do capital, já em estado terminal, mostrará mais a sua fragilidade e favorecerá, principalmente através dos países mais atingidos, uma porta para um período absolutamente convulsionado, como já se avizinha.




