Um vídeo circula nas redes sociais exibindo cenas de violência policial contra a população, dessa vez na cidade catarinense de Guabiruba. Na noite do último sábado (1), Policiais Militares abordaram uma festa em um quiosque da cidade armados com fuzil. Indignado com a truculência dos policiais, um dos presentes os chama de “covardes”, o que desencadeia um espancamento dos presentes por obra dos policiais.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=qDkvHssiF24
Esse tipo de comportamento é absolutamente ditatorial. Primeiramente, se alguém tem um comportamento questionável, ainda mais em se tratando de um funcionário público, como é o caso de policiais, cabe o questionamento de suas ações. O expediente de considerar “desacato” o mínimo questionamento às ações policiais significa que a população deveria aceitar passivamente os comportamentos psicopatas dos policiais brasileiros. Em segundo lugar, o quê exatamente estavam fazendo policiais armados com um fuzil, um armamento de guerra, em meio a uma situação corriqueira de conflito social?
Mais grave ainda é o fato do comandante defender a ação criminosa dos psicopatas sob o seu comando. Como se pode constatar no vídeo, o policial dá um soco no estômago de um homem aleatoriamente escolhido, depois dá coronhadas em um outro com um fuzil. A cena, absolutamente escatológica, é defendida pelo comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Otávio Manoel Ferreira Filho.
“Antes de analisarmos a atitude e ação policial, temos que analisar sim o erro das pessoas irresponsáveis e que cometeram ato ilegais de promoverem um evento que está proibido por decreto estadual e municipal, além da perturbação do sossego. sse é o foco principal e não podemos nunca deixar de ver o foco principal”. Segundo o comandante, portanto, o fato mais relevante do episódio, o “foco principal”, não é policiais militares espancarem a população armados com fuzis, mas o fato de algumas pessoas terem se reunido para confraternizar. O que fica subentendido de forma macabra dessa fala é que contrariar um decreto é algo ilegal, mas aparecer armado com fuzil e espancar a população é algo absolutamente natural.
“Não estou dizendo que os atos praticados pelos policiais foram corretos, ou foram adequados, ou se foram legais. Eu teria que analisar de forma muito mais ampla o contexto geral”. Nessa fala, o comandante se esquiva de condenar a ação dos policiais, recorrendo a um metafísico “contexto geral”, que teria que ser analisado “de forma muito mais ampla”. Mais adiante, o tenente-coronel Otávio afirma que “entendo eu que quando o policial toma uma atitude mais enérgica e contundente, nada é por acaso. Deram causa”. Ou seja, o comandante insiste em defender a ação criminosa de seus comandados, o que torna ele próprio um criminoso.
Como é praxe nas polícias militares, o comandante afirma que “cabe a nós abrir procedimento, apurar”, referindo-se à ação dos policiais. A depender do histórico das polícias, essa “apuração” nunca será algo além dessa frase. O que as falas do comandante revelam é que, longe de constituírem desvios individuais de conduta, a ação criminosa das polícias militares contra a população é a finalidade, a razão de ser dessa burocracia.
Em todos os episódios de brutalidade contra a população, os policiais são protegidos pela corporação, pois o que existe ali é uma cultura da repressão e da violência desmedida que tem sua justificativa no papel da PM dentro da sociedade capitalista: impedir o desenvolvimento da democracia operária, aterrorizar a população, defender a propriedade privada capitalista e impedir o acesso das massas ao poder político. Por isso, a PM é a ponta-de-lança da contrarrevolução, e portanto nunca poderá desempenhar um papel que não o de massacrar o povo brasileiro.
O discurso de que a PM “combate o crime” é ridículo. Em primeiro lugar, como podemos verificar nesse vídeo, os próprios policiais são criminosos, agressores e assassinos. As polícias são publica e notoriamente envolvidas no tráfico de drogas e de armas, além de extorquir comerciantes em todo o país. Além disso, em alguns lugares do país, como no Rio de Janeiro, a polícia montou esquemas paramilitares de controle territorial, as famosas “milícias”, ligadas inclusive ao presidente golpista Jair Bolsonaro. Ou seja, o discurso de “combate ao crime” é apenas uma peça ideológica propagada pela imprensa burguesa para que a população seja condescendente com seu próprio massacre.
Por tudo isso, o PCO defende o fim da Polícia Militar, pois essa organização representa o exato oposto à luta pelo socialismo e pelo governo operário, massacrando o povo brasileiro, em especial o povo negro, e reprimindo todas as iniciativas políticas da classe trabalhadora. As polícias militares são verdadeiros celeiros de fascistas, e portanto devem ser destruídas pela classe operária para que seja possível a libertação do jugo burguês.





