Em São Bernardo (SP), familiares de detentos que cumprem penas ou aguardam julgamento no CDP (Centro de Detenção Provisória) receberam denúncias de seus maridos, por meio de cartas, que a quantidade de alimentação ofertada aos presos, entregue diariamente diminuiu desde o início da quarentena, tendo presos que guardam o pouco ofertado no almoço, para juntar com o que será entregue na janta e sentir que se alimentou melhor. E toda essa situação se deu após a suspensão das visitas presenciais, em razão da pandemia de Covid-19. Os próprios alimentos e itens de higiene pessoal enviados pelos Correios, tem sido entregues incompletos.
No entanto, com o fascismo agora querendo impor a fome para os presidiários, o que os tornará em razão da deficiência nutricional, mais vulneráveis à várias doenças infecciosas, inclusive o Covid 19. Outra denuncia que mostra que está em marcha pena de morte nas detenções do país e no CDP São Bernardo é que sequer medicamentos as famílias estão podendo enviar.
A carceragem barra os medicamentos e diz que só entra medicamentos com receita médica, ocorre que em meio à pandemia, além do risco de contaminação nas visitas aos postos de saúde para passarem em médicos e conseguirem a receita para seus maridos, mulheres, esposas e mães são expostas a filas intermináveis para poderem ser atendidas.
Em meio a pandemia que assola o país e que já foi denunciado por este diário, os presos, confinados as dezenas em cada cela, são alvos fáceis do Covid 19 e os presos que não oferecem perigo deveriam ser libertados imediatamente.
Outro abuso neste período de pandemia é que presos e familiares sequer podem ter privacidade nos poucos momentos semanais em que visitas virtuais são concedidas, pois com a pandemia foram proibidas quais quer visitas presenciais. Com a suspensão os contatos são apenas pela internet. No entanto, a comunicação entre o preso e seus familiares é realizada na presença de funcionários, o que impede e constrange, familiares e presos a exporem o que de fato estão passando e, no caso dos presos não denunciam virtualmente a situação de fome em razão de medo de represálias até mesmo a suas famílias se estas denunciarem.
Com tal vigilância já há casos no qual o preso perguntava para a mãe sobre a situação dos seus irmãos que há muito não via e o carcereiro o denunciou como se estivesse passando informações para facções criminosas.
A detenção é uma determinação da justiça e nela não está colocada a pena de morte, que na prática é disso que se trata, tamanho abuso contra os presos do CDP São Bernardo.
É preciso barrar esse genocídio em massa dos presídios, exigir condições mínimas de habitação, desmantelar esse ambiente infernal, acabar com a superlotação. Manter os presos nessas circunstâncias não passa de um método fascista que precisa ser combatido com todos os esforços necessários.



