Moradores de Pinheiros e Vila Madalena, bairros tradicionais da burguesia e da pequena burguesia enriquecida de São Paulo, afirmam que o medo de assaltos está mudando sua rotina. Alguns relatam que deixaram de caminhar à noite, evitam utilizar celulares na rua ou pretendem mudar de bairro.
Na área do 14º Distrito Policial, foram registrados cerca de 1.200 roubos entre janeiro e abril, aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os furtos chegaram a aproximadamente 3.400, uma elevação de 8,8%.
A preocupação dos ricos com os crimes contra a propriedade é compreensível. São eles que possuem os carros mais caros, os celulares mais caros, as residências mais valiosas e a maior quantidade de bens acumulados. O discurso da segurança pública expressa, em primeiro lugar, a defesa dessa riqueza.
O trabalhador pobre possui problemas muito mais graves e permanentes. Precisa pagar o aluguel, comprar alimentos, enfrentar horas no transporte, procurar emprego e sustentar os filhos com um salário reduzido pela inflação. A exploração o atinge todos os dias.
Nos bairros ricos, o roubo de um relógio ou de um telefone transforma-se rapidamente em assunto de jornal, campanha pela instalação de câmeras e reivindicação de mais policiais. Na região de Pinheiros, milhares de equipamentos de vigilância já acompanham a circulação da população.
A desigualdade social é a principal causa da criminalidade. Uma sociedade que concentra a riqueza nas mãos de uma minoria e condena milhões de pessoas ao desemprego, à fome e à miséria produz o roubo, o tráfico e outras atividades ilegais.
Mais repressão não elimina essa situação. Apenas concede à polícia novos poderes para abordar, prender e matar os pobres. A segurança reivindicada pelas madames de Alto de Pinheiros é a segurança da propriedade privada e da ordem social que mantém os trabalhadores na miséria.





