As políticas e a forma com que o governo de Jair Bolsonaro tem enfrentado a pandemia do novo Coronavírus têm deixado os brasileiros completamente desamparados e desinformados sobre a real situação que assola o país, que segundo dados oficiais já é extremamente grave. Em meio à maior pandemia do século até agora, o governo autoritário e golpista já trocou de ministro da saúde duas vezes, cargo que atualmente não está ocupado, além de manipular dados nas plataformas oficiais do governo, como no atraso para divulgação, além da mudança de metodologia de como esses dados chegam até os brasileiros, além das subnotificações, já que não existem testes suficientes. Mas é preciso deixar claro que apesar de toda a atrocidade e o verdadeiro genocídio da população trabalhadora em curso, esse tipo de política não é exclusividade do governo brasileiro, mas sim um plano político adotado por vários governos direitistas ao redor do mundo.
Recentemente, no Chile, o ministro da Saúde Jaime Mañalich deixou o governo chileno no último sábado (13), após uma semana de polêmicas envolvendo os dados da pandemia no país. Segundo dados oficiais do governo chileno, mais de 3 mil pessoas já morreram de Covid-19 no país, porém um relatório independente, parecido com a iniciativa que houve no Brasil para a contagem real de casos, revelou que mais de 5 mil pessoas já morreram com a doença no país. O presidente Sebastián Piñera decidiu demitir o ministro após mais uma mudança na metodologia de contagem de casos e óbitos, a terceira desde o começo da pandemia, que se apresentou inconsistente e confusa até mesmo para epidemiologistas. Segundo documento ao qual o Centro de Pesquisa e Informação Jornalística Chileno (Ciper) teve acesso, o Ministério da Saúde do Chile relatou á OMS um número 60% maior de casos ao que foi registrado no último registro oficial do governo. Em meio ao caos político que já retirou vários ministros do governo e a pandemia, o Chile é o segundo país a demitir um ministro da saúde no meio da escalada de casos da Covid-19 no país, a fim de evitar mais manifestações e revolta do povo chileno.
Outro país que passa por investigações quanto a negligência do Estado para com a pandemia é a Itália. Na última sexta (12), o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, prestou depoimento em uma investigação sobre a responsabilidade das autoridades quanto às mortes na pandemia. Quando a pandemia chegou ao país em 21 de fevereiro, o primeiro-ministro isolou dez municípios na região da Lombardia e um em Vêneto, porém, a província de Bérgamo, na Lombardia, continuou suas atividades e só aderiu a paralisação das atividades em 8 de março. Bérgamo se tornou a província com o maior número de casos no mundo em relação à população. A investigação quer identificar se os industriais da região pressionaram o governo para não decretar isolamento, já que Bérgamo é a terceira província mais rica da Itália, ficando atrás apenas de Milão e Monza. Se a investigação for adiante, o governo pode sofrer a acusação de epidemia culposa.
No Brasil, além da manipulação de dados a reabertura econômica em meio á tantas mortes e casos também demonstra aquilo que o trabalhador sempre sentiu na pele em governos direitistas e no sistema capitalista: o capital e a manutenção do sistema burguês vêm sempre acima da sua própria vida. Os trabalhadores brasileiros continuam se expondo ao risco de se infectarem e ao caos social todos os dias para manter fábricas, comércios, shoppings, tudo funcionando em sua plena forma no meio da pandemia, e ainda precisa lidar com um sistema de saúde completamente desamparado e a beira do caos se por acaso precisar de atendimento, o trabalhador está o tempo todo entre a vida e a morte, sem nenhum amparo do Estado.
As mobilizações crescentes pelo Fora Bolsonaro demonstram a exaustão do povo brasileiro diante destas políticas genocidas, em meio à pandemia os trabalhadores estão vendo que o Estado não pretende nem irá fazer nada para que suas vidas sejam preservadas, por isso estão saindo ás ruas na tentativa de impedir que o genocídio da classe trabalhadora continue. Em outros países, como o Chile e o Equador, as mobilizações também ocorrem e demonstram a total insatisfação dos trabalhadores no mundo todo com as políticas neoliberais genocidas implantadas.




